domingo, 30 de agosto de 2020

A lua cor de sangue

 

                             

 

 

 

 

 

Sentado no sofá, defronte à televisão, Guilherme assistia as notícias que eram veiculadas pela emissora de sua predileção enquanto Marta, sua esposa preparava o jantar.  No chão da sala, divertindo-se com um carrinho de brinquedo, estava Jorginho, seu filho de sete anos de idade que, alheio às informações que eram passadas pelo noticiário, permitia a seu pai assimilar completamente as informações que eram repassadas pelo apresentador.

No ultimo bloco de notícias o apresentador informou que na madrugada do dia seguinte ocorreria um fenômeno natural envolvendo a lua, chamada de “lua de sangue”, pois a mesma ficaria vermelha da cor de sangue e seu tamanho também aumentaria. Depois de explicar detalhadamente de forma científica o raro fenômeno, deu boa noite aos telespectadores e desejou que todos pudessem ter a oportunidade de assistir esse belíssimo evento que só viria a ocorrer novamente daqui a alguns anos.

Nesse momento, Guilherme percebeu que Jorginho parara de brincar com o carrinho e ficara imóvel, de olho grudado na televisão, então perguntou:

- O que foi que aconteceu filhinho?

- Papai, o homem falou que a lua vai ficar cheia de sangue. - Disse o menino assustado.

A verdade é que se ele fosse explicar como isso acontecia o “pivete” não iria entender. Assim ele preferiu dizer que era o “papai do céu” que ia pintar a lua naquela madrugada, para ela ficar mais bonita.

- Papai, vamos ver a lua amanhã cedinho? – Perguntou.

-Sim, claro Jorginho. Eu vou acordar cedo chamar você e sua mãe e nós vamos lá pra fora ver como a lua vai estar bonita, mas agora é hora de você ir dormir para acordar cedo. Levou o pequeno até o quarto e o deitou, beijando-lhe a fronte e cobrindo-lhe com o cobertor.

O jantar estava pronto e Marta o chamou para fazerem a refeição. Os dois voltaram à sala e demoraram aproximadamente três horas defronte a televisão e finalmente foram deitar ansiosos pela chegada da madrugada.

Finalmente às cinco horas da manhã todos estavam acordados e puderam apreciar o belo fenômeno. Jorginho extasiado exclamou:

- Papai, parece sangue mesmo, ela tá toda vermelha e “inchada”. - Disse o moleque!

- Não filhinho, não é sangue não, já te disse. - Retrucou Guilherme.

- Hoje à tarde, na escola, vou contar para os meus coleguinhas que eu vi a lua cor de sangue. - Asseverou o menininho.

Passada meia hora o fenômeno começou a se desfazer e a lua voltou a sua cor normal e todos entraram a residência novamente, tendo Jorginho voltado a dormir. Dona Marta foi fazer o café, pois Guilherme ia sair para o trabalho às seis horas.

Quando chegou a tarde Jorginho foi para a escola, lá chegando contou para os colegas que ele tinha visto a lua ter ficado da cor de sangue. Muitos de seus coleguinhas não tinham visto o acontecimento e acharam engraçado como ele falava da lua. Logo todos começaram a contar estórias que ouviram da lua. Francivaldo, o mais tagarela da turma, falou que na lua existia um dragão e que São Jorge tinha matado ele com uma espada e o sangue do dragão se espalhou por todo canto e que é por isso que de vez em quando vemos a lua vermelha.  Jorginho interviu na conversa e disse que seu pai havia dito que a cor vermelha era porque “papai do céu” tinha pintado a lua. Conversa vai, conversa vem, ninguém soube dizer o motivo da lua ter ficado daquela cor.

Quando retornou a sua residência Jorginho foi para o quarto e ficou esperando seu pai chegar do trabalho para falar sobre o dia na escola.

A noite chegou e Guilherme voltou para casa. Quando Jorginho o viu pulou em seus braços e foi logo perguntando:

- Papai, foi mesmo o “papai do céu” que pintou a lua de vermelho?

- Sim, filho, tudo o que acontece é ele que faz. – Falou sem reservas!

- Um coleguinha da sala de aula disse que São Jorge matou um dragão e o sangue dele se espalhou pela lua e foi por isso que ela ficou vermelha. – Sentenciou o menino.

Guilherme ficou perplexo com a estória de Jorginho e sem saber o que dizer naquele momento, falou:

- Querido, não se preocupe não, papai vai te explicar direitinho, mas agora vou tomar um banho trocar de roupas e depois a gente conversa, tá?

- Tá certo papai, mas eu acho que tem mais dragão na lua. - Falou novamente o pirralho.

- Por que você acha isso? - Perguntou o pai curioso.

- O senhor não ouviu o homem da televisão dizer que daqui algum tempo a lua vai ficar vermelha de novo. São Jorge vai matar outro Dragão. – Disse a criança em sua inocente e fértil imaginação.




                                              Otaviano Maciel de Alencar Filho

                            (Copyright© 2020 Otaviano Maciel de Alencar Filho)



 

segunda-feira, 6 de julho de 2020

O mundo assombrado pelo inimigo invisível



      






Ninguém imaginaria que em pleno século XXI as pessoas ficariam presas em suas casas. Mas aconteceu. O ano de 2020 iniciou-se com a disseminação de uma doença respiratória cuja contaminação se dá através da inalação do ar contaminado por gotículas que carregam um vírus denominado “2019-nCoV” ou simplesmente corona vírus, e também através do contato com superfícies contaminadas por ele.
As autoridades mundiais no assunto atribuem o seu surgimento em uma cidade localizada na China denominada Wuhan. Após algumas pessoas que trabalhavam em um mercado especializado em comércio de frutos do mar se queixarem de alguns sintomas como falta de ar, febre, dores no corpo, despertou-se a suspeita que essas pessoas poderiam terem sido contaminadas pela ingestão desses alimentos e o mercado foi fechado para desinfecção e limpeza.
O poder de se disseminar rapidamente fez com que logo o vírus deixasse as fronteiras da china e se espalhasse por toda a Europa, fazendo milhares de vítimas, em especial a Itália onde acometeu várias pessoas levando várias ao óbito, ultrapassando em número de vítimas fatais a China. Essa disseminação ocorreu principalmente através das viagens, feitas principalmente de avião, de pessoas entre os países. Não demorou muito e rapidamente a covid-19, como é conhecida a doença causada pelo vírus, chegou ao continente americano afetando em cheio os EUA e lá, principalmente a cidade de Nova Iorque, que chegou a ostentar o infame recorde de cidade mais contaminada pelo corona vírus no mundo.
Alguns países, como medida de proteção contra a contaminação de seus habitantes estão fechando temporariamente as fronteiras.
Aqui no Brasil a situação não é diferente, com muitos contaminados pelo vírus que teria aqui aportado no final de fevereiro, embora haja discordância entre os estudiosos quem acreditam terem casos sido relatados já no final de janeiro. A cidade mais afetada até o momento é São Paulo, seguida do Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus e Recife. No resto do país o panorama é também desolador.
De forma equivalente a outros países do mundo, medidas estão sendo tomadas para evitar a contaminação das pessoas simultaneamente e assim não sobrecarregar o sistema de saúde e o atendimento às pessoas nos prontos-socorros. Em alguns estados foram baixados decretos no intuito de dificultar a circulação e aglomeração de pessoas nas ruas, parques, praias etc. de vez que, por enquanto, a única maneira de diminuir a avanço da doença é isolando-se dos outros indivíduos, evitando assim uma possível contaminação por parte de quem já se encontra infectado e não apresenta nenhum sintoma. Também foi estabelecida a obrigatoriedade do uso de máscaras ao sair de casa.  Somente os serviços essenciais como farmácias, supermercados, postos de gasolina, serviços de saúde e similares podem funcionar normalmente, os demais estão proibidos de prestarem serviços enquanto durar o decreto. Escolas e universidades também estão fechadas e os alunos estudando remotamente. Algumas cidades tomaram decisões mais rígidas, como decretar o “lockdown”, ou seja, as entradas das cidades são fechadas com o intuito de forçar o isolamento social.  Até o momento, início do mês de maio, a cidade de São Luís no Maranhão e três cidades de sua região metropolitana, assim como Belém no Pará e mais nove cidades da região conhecida como “Grande Belém” e Fortaleza no estado do Ceará, foram as únicas a tomarem essa decisão.
Não é apenas a doença o principal inimigo a combater. Com medidas de isolamento sociais rígidas e trabalhadores informais sem poderem exercer suas atividades comerciais, famílias inteiras estão sem recursos financeiros para sobreviverem. Dessa forma o governo federal institui o “auxílio emergencial”, trata-se de um valor em dinheiro que é concedido a todos os cidadãos brasileiros que não estão trabalhando de “carteira assinada”, ou trabalhadores informais e outras categorias que não têm renda fixa. Outras medidas de auxilio social também estão sendo estudadas e implantadas tanto por parte do governo federal como por parte dos governos estaduais.
Ainda é cedo para dizer quando tudo isso vai terminar, pois até o momento não existe tratamento eficaz com drogas, embora muito se especule sobre alguns medicamentos já existentes no mercado e que poderiam estar sendo utilizados no combate a covid-19. O que vemos acontecer é que expirado o período de isolamento social, que geralmente dura de quinze a vinte dias, logo se inicia outro período. Vale ressaltar que essas medidas de isolamento “forçado”, são tomadas pelos respectivos governadores dos estados. O governo federal não “vê com bons olhos” essas medidas e acredita serem demasiadas e põem em xeque a economia brasileira. O palácio do planalto defende o isolamento vertical, que é aquele que somente ficariam isoladas as pessoas mais vulneráveis ao corona vírus, ou seja, os maiores de sessenta anos, portadores de doenças cardiovasculares, diabetes e doenças pulmonares, assim em tese, permitiria que os mais jovens pudessem retornar ao trabalho e ao estudo fazendo assim girar a roda da economia. Por outro lado, especialistas em infectologia defendem o isolamento horizontal, ou seja, aquele que determina que todos independentemente de idade devam manter-se isolados, garantindo assim uma melhor eficácia no combate ao vírus. Seguem adiante informando que, no modelo de isolamento vertical, mesmo sendo resistente a ação do vírus, o indivíduo ao contraí-lo não fica isento de passa-lo adiante e tem uma maior probabilidade de disseminá-lo para os que não estão em quarentena.
Assim estamos vivendo um dia de cada vez!
A humanidade inteira está passando por momentos difíceis em que é obrigada a ver seus entes queridos serem derrotados e muitos morrendo devido a um inimigo que não se vê.
Acredito que superaremos essa fase em que estamos passando, no entanto mesmo com todas as informações disponíveis sobre a letalidade do vírus, muitas pessoas desdenham e não obedecem as orientações de uso de máscaras e de isolamento social, pondo em risco suas vidas e de outras pessoas.  Não devemos subestimar o potencial destrutivo que determinados micro organismos tem sobre a humanidade.





                                 Otaviano Maciel de Alencar Filho

                      (Copyright© 2020 Otaviano Maciel de Alencar Filho)




quinta-feira, 19 de março de 2020

Saudades








Foi ontem, melhor dizendo, faz tempo
Era pequeninho, menino!Olhos amendoados, negros.
Saltitantes, inquietos.
Sorriso nos lábios.
Dentes branquiços.
Tez escura.
Afável.
Sentado na cadeira:
E... Timão e Pumba na televisão.
Coleção de figurinhas.
Chocolate em barrinhas.
Corrida para meus braços
E o pulo em abraços!
Faz tempo... Muito tempo.
Ontem filho menino.
Hoje filho homem.
Sinto falta.
Não dos abraços, da presença.
A ausência da época que me evoca estes sentimentos
Me faz tremer a alma.
Muito de bom aconteceu.
A vida passa rápido e...
De repente o tempo passou.





                                 Otaviano Maciel de Alencar Filho

                                         (Copyright© 2020 Otaviano Maciel de Alencar Filho)

Mata em chamas...


                         





De longe, de cima do pico, se avistava uma esteira de fumaça que se elevava ao céu cobrindo boa parte da floresta. Chegando mais próximo podia-se perceber a causa das brumas que escondiam grande parte da vegetação: Fogo! Avisada do ocorrido, a brigada de incêndio sediada em uma pequena aldeia distante a alguns quilômetros da área em chamas, ao chegar próximo ao local do acontecimento percebeu que a mata estava em chamas ardentes e que o calor insuportável não permitia que a equipe pudesse se aproximar dos locais onde os focos do incêndio eram mais intensos.
 Impedida de iniciar os trabalhos diante o tamanho das labaredas, o chefe da equipe imediatamente pediu reforços ao corpo de bombeiros da cidade mais próxima. Logo foi informado que as viaturas iriam chegar ao local somente após cerca de três horas e que seria solicitada a liberação de uma aeronave para ajudar no aplacamento do incêndio, devido à urgência do acontecimento.
Aos poucos a população do vilarejo e redondezas ia chegando e se dispondo a fazerem algo para aplacar a fúria das chamas que não davam trégua. Orientando a todos que se dispuseram ao trabalho, o chefe da brigada fazia serviço de formiga, no intuito de não deixar o fogo chegar perto das aldeias.
A angústia tomava conta de todos ao verem a flora e a fauna pedindo ajuda sem serem atendidas. Os animais corriam atônitos sem direção em busca de um lugar seguro. Os de maior porte levavam vantagem em relação aos pequenos que, muitas das vezes, não conseguiam sair do local em chamas. Cena triste de se ver!
      Já havia se passado três horas do tempo previsto para a chegada da ajuda dos bombeiros quando, no céu, avistaram-se um helicóptero e outra aeronave que juntas despejavam água sobre a mata em chamas. Aproximadamente vinte minutos depois cinco viaturas do corpo de bombeiros chegaram para juntarem-se aos que já se encontravam no local. Rapidamente o pessoal foi organizado em setores de combate às chamas e o trabalho pode, dessa forma, ter uma maior eficiência no controle do incêndio.
A noite chegou e todos estavam exaustos, mas o controle das chamas havia sido alcançado. Logo uma tênue chuva começou a cair e todos ficaram animados, contudo não foi o suficiente para debelar todos os focos de incêndio que continuavam a aparecendo por toda a noite e o dia seguinte.
Embora a maioria dos focos de incêndio tivesse sido controlada, em outros locais de acesso mais difícil, ainda havia a necessidade de ação mais intensa no combate ao fogo que teimava em não apagar. Essa situação perdurou por mais de uma semana e somente foi resolvida com uma ação providencial: Chuvas. Sim, elas caíram do céu como uma cascata, jorrando água em abundância sobre toda a região e circunvizinhanças onde o incêndio acontecia.
Terminada de forma oficial a intervenção no combate ao Incêndio, restava agora, contabilizar em números as perdas derivadas desse terrível acontecimento que, diga-se de passagem, não foram poucas. 
Muitas espécies de plantas nativas rasteiras foram eliminadas e o solo ficou empobrecido, o que levará anos pra se recompor. O estrago na fauna também foi grande: cobras e outros animais rastejantes tiveram suas vidas ceifadas pelo fogo abrasador que tostou tudo o que encontrava pela sua frente. Alguns animais de pequeno porte também perderam suas vidas na luta contra o fogo. A população dos vilarejos localizados na zona onde ocorreu o incêndio também ficou prejudicada pela falta de alimentos que provinham das árvores frutíferas que serviam para seu sustento, bem como meio de comércio com as cidades vizinhas.
Não se sabe, até hoje, o que causou o incêndio. A perícia feita no local, logo após o término da grande queimada, concluiu que o mais provável foi uma combustão ocorrida pelo forte sol, clima seco e vegetação seca rasteira que predominava no local. O certo é que, como diz o velho ditado popular: com fogo não se brinca. Resta à população se recuperar desse acontecimento nefasto. A natureza também fará sua parte se recuperando dessa ferida marcante em seu corpo: o planeta Terra!                              



                               Otaviano Maciel de Alencar Filho

                                         (Copyright© 2020 Otaviano Maciel de Alencar Filho)

Mentiras e mais mentiras

                                         Atualmente vemos ordinariamente na imprensa escrita assim como nas mídias digitais, infor...