domingo, 25 de julho de 2021

Mentiras e mais mentiras

 

                              


 

 

 

 

Atualmente vemos ordinariamente na imprensa escrita assim como nas mídias digitais, informações que deixam em muito a desejar no que diz respeito à veracidade das mesmas. Não raro somos surpreendidos por notícias fantasiosas, cujo intuito é levar aos desavisados de plantão a cultura da ignorância, de vez que estes não se dão ao trabalho de investigarem a autenticidade das informações que são veiculadas.

O mundo como conhecíamos há cerca de trinta anos, não é mais o mesmo! O avanço tecnológico no campo da informação foi marcante nessa mudança de postura do ser humano frente aos novos desafios a serem superados no setor de informação. O contentamento com respostas simples não é mais digerido pela grande massa de indivíduos cada vez mais sequiosos de detalhes nas informações recebidas. Contudo, o fato dessas informações serem, em muitos casos, minuciosas em seus detalhamentos não lhes garante a veracidade. E agora vivemos a era das chamadas “fakes News”, ou simplesmente notícias falsas, que estão presentes em toda parte.

Há um ditado popular que diz que uma mentira propagada várias vezes com o passar do tempo torna-se uma verdade! E ao que tudo indica esse aforismo ainda perdurará por muito tempo, pois, o ser humano, ao que parece, em muitos casos prefere acreditar em uma mentira que lhe conforte o coração a aceitar uma verdade que lhe venha ferir!

Lembrei-me de uma citação feita por um colega, quando resenhávamos a respeito do poder daqueles que dispõem de informações relevantes, na ocasião, afirmou que a informação somente será valiosa se o detentor dela for um indivíduo portador de conhecimento, pois somente assim ele saberá utilizá-la e tirar bom proveito, além de não se deixar ser manipulado por pessoas cujo interesse maior é a propagação de informações falsas. Isso me fez lembrar uma estorinha hilária lida há tempos, cuja origem me é desconhecida. Permitir-me-ei fazer uma versão: Conta-se que um adestrador de cães descobriu que as pulgas que tanto infernizavam os seus animaizinhos escutavam pelas pequeninas patas, pois observando que ao passar a mão sobre o dorso dos caninos, e separando os pelos bastava gritar “pula pulga” que elas imediatamente saltavam deixando o animal aliviado. Motivado pela tal descoberta resolveu fazer uma experiência em público e provar sua teoria. De posse de algumas pulgas dentro de um vasilhame de vidro e outro vazio foi até uma rua bastante movimentada e montou uma mesinha, e colocando os dois frascos de vidro em cima da mesma começou o espetáculo com várias pessoas parando para vê-lo em ação.

- Venham todos ver a grande descoberta. As pulgas, diferente de todos os outros animais, ouvem pelas pernas. - Falava ele, empolgado.

Após um quarto de hora já havia pessoas suficientes para ele começar a demonstração: De posse de pequena pinça arrancou as patas de algumas pulgas e as colocou no outro recipiente de vidro, agitou o recipiente que tinha pulgas com as patas e mandando-as pular elas saltitavam, com a outra mão chocalhou o vasilhame quem continha as pulgas com as patas decepadas e, pedindo que elas pulassem, constatava-se que as coitadas não saiam do lugar, pois segundo ele elas não pulavam porque não podiam ouvir pelas patas, que agora não estavam mais em seus corpos! Talvez ele tenha convencido alguém de que realmente ele estava com a razão. Outros talvez o tenha visto como um charlatão, outros como um artista fazendo gracinha e outros talvez o tenha visto como um demente.

É claro que a estorinha é fictícia, mas serve de exemplo, na vida real, para as pessoas que tomando uma informação não se preocupam em averiguar a veracidade e passam a vivenciá-la como verdadeira, e ainda mais quando a difunde atingindo muitas outras pessoas, que como ela, não têm compromisso com o verdadeiro teor da informação.

O momento em que vivemos é um exemplo pratico dessa situação: A pandemia causada pelo corona vírus “caiu como uma luva” nas mãos de seres inescrupulosos que disseminam informações falsas em todos os cantos e recantos, dificultando cada vez mais o controle dessa terrível doença. Tratamentos esdrúxulos como “água consagrada”, “sementes ungidas”, remédios para piolhos e outros tantos são receitados de forma irresponsável por pessoas que detêm grande poder de influência nas massas populacionais.

Se o defeito da mentira é ter pernas curtas, eu infelizmente sou levado a crer que ela burla eficientemente essa imperfeição tirando proveito próprio e em mantendo conluio com todos aqueles que a têm como uma companheira vara o tempo adiante sem perspectivas de sua finitude.

A mentira em si mesma não é o grande problema, mas os que a utilizam terão que se explicar quando a verdade surgir, porque mesmo de pernas curtas ela dará um grande salto deixando o pobre indivíduo em apuros diante a verdade, pois em qualquer época da humanidade as duas sempre se encontram e o dilema então será: A mentira contada era uma verdade ou a verdade contada era uma mentira, uma meia verdade ou talvez só uma mentirinha?




                                Otaviano Maciel de Alencar Filho

                      (Copyright© 2021 Otaviano Maciel de Alencar Filho)

A vacina é o melhor remédio

 

                      

 


 

 

 

Tempo difícil o que vivemos!  A pandemia ocasionada pelo vírus coronavírus, que desencadeou no mundo inteiro uma doença que acomete o sistema respiratório e outros órgãos do corpo humano, levando-o em muitos casos a morte caso não seja tratado adequadamente, não dá trégua.

Já próximo de completar um ano depois da OMS-Organização mundial da Saúde declarar o surto epidêmico mundial, a quantidade de indivíduos acometidos pelo vírus só está aumentando de vez que somente agora, com esforços despendidos por cientistas do mundo inteiro, se desenvolveram vacinas com poder de imunização do corpo humano contra esse devastador agente patológico.

A expectativa é de que, depois de aplicada a vacina, o corpo comece a produzir os anticorpos que irão atacar o vírus no organismo. No entanto, à medida que o vírus se espalha pelo diversos lugares do mundo, ele sofre mutações diversas, surgindo, assim, novas linhagens de vírus que dificultam ainda mais o combate à doença que já conta com mais de noventa milhões de casos no mundo inteiro e que levou a óbito mais de dois milhões de pessoas até meados de janeiro de 2021.

Os grandes laboratórios farmacêuticos já colocaram a disposição das autoridades mundiais doses de vacinas para serem adquiridas e a começarem a serem aplicadas nas pessoas. Garantem que são seguras e eficientes no combate ao coronavírus, embora seja concorde entre os cientistas que serão necessárias outras doses até a imunização completa ou mesmo a utilização periódica, caso se constate a necessidade, assim como ocorre com a vacinação periódica com relação às síndromes gripais causadas pelos vírus da influenza.

Quando se trata de saúde pública, além de campanhas de incentivo e esclarecimento no que diz respeito a se tomar a vacina, pois esta é o único meio de garantia de cura, é imperioso que as autoridades governamentais coloquem à disposição da população quantidades suficientes da vacina para que o controle da doença possa ser eficaz. 

Um fenômeno atípico tem surgido nessa época de pandemia: O negacionismo. Sim, isso mesmo! Diversos indivíduos, incluindo-se alguns chefes de estado ignoraram e ainda ignoram o poder avassalador de destruição da vida humana provocado por esta doença. Agem como se a cura se desse de forma milagrosa e que não haveria motivos para tanta “histeria”, chegando ao ponto de tornar facultativo o uso da vacina, negando assim as árduas pesquisas feitas em torno desse agente devastador da saúde humana.

Não é incomum sairmos às ruas e encontrarmos indivíduos que não tomam as devidas precauções, como utilização de máscaras e manterem um relativo distanciamento no intuito de dificultar uma possível transmissão do agente patológico. Muitos acreditam que são geneticamente imunes já que até o momento não ficaram doentes. Outros argumentam que como não estão doentes já pegaram o vírus e não manifestaram a doença, portanto não há mais motivo para se preocuparem, agindo assim o fazem por ledo engano.

O imunizante está ai pronto a ser ministrado, portanto não é crível deixar se seduzir por opiniões de pessoas que se dizem sábias, amparadas tão somente em crenças despidas de conhecimento científico e que colocam as vidas das pessoas em risco.

A senhora sexagenária conversando com sua enteada desabafa:

- Tomara que se inicie a vacinação, não vejo a hora de deixar de ficar com medo de pegar a Covid, afinal faço parte do grupo de risco e não aguento mais ficar em casa.

Sua enteada demonstrando total ignorância aduziu:

- Tome cuidado Dona Cida, não tome aquela que vira jacaré, não!

A anciã, perplexa perguntou:

- E qual eu vou tomar se a outra, daquela marca, dizem que dá câncer e ainda vem com o vírus da Aids?

Seu Antônio, marido de Dona Cida que se encontrava em uma cadeira ao lado, ouvindo a conversa, resolveu dar uma lição de sabedoria as duas mulheres:

- Já tomei vacina contra tudo que é doença nesse mundo e nunca perguntei qual era a marca e de que país ela tinha vindo. Nunca peguei varíola, sarampo, meningite, poliomielite e principalmente nunca virei nenhum bicho, tampouco tenho Aids e nem câncer e aqui estou pra contar a história. Deixem de conversa fiada. – falou, caçoando da conversa das duas senhoras.




                                  Otaviano Maciel de Alencar Filho

                          (Copyright© 2020 Otaviano Maciel de Alencar Filho)

A partida se futebol

                                               






A disputa final do campeonato estadual de futebol foi decidida entre dois times cuja rivalidade, no âmbito futebolístico, acontece há vários anos.

Os torcedores das agremiações esportivas que se enfrentaram no estádio faziam imensa algazarra, cada qual gritando e incentivando seus times, enquanto os atletas no campo travavam uma disputa intensa pelo domínio da bola. O juiz corria o campo de um lado para o outro atento às possíveis faltas cometidas pelos participantes do certame.

O sol escaldante da tarde de domingo não dava trégua e exigia, dessa forma, o melhor da condição física dos jogadores, conquanto já se encontrassem bastante debilitados devido à intensa maratona de jogos que vinham participando há vários meses.

O placar do jogo, após vinte e três minutos de iniciado, sofreu alteração com um gol feito pelo artilheiro de uma das equipes, que após driblar o meia-direita passando pelo zagueiro chutou, mesmo sem ângulo, em direção ao gol do adversário, logrando êxito. Imediatamente saiu em eufórica comemoração pelas laterais do campo, despertando a fúria dos torcedores adversários e exaltando ainda mais os gritos de alegria e de satisfação dos torcedores de seu ti

O jogo foi reiniciado com a bola ao centro e começou tudo novamente! Bola ia, bola vinha e o juiz correndo para lá e para cá, quando marcou uma infração cometida pelo lateral direito do time que estava à frente no placar, bem próximo a sua grande área, aos quarenta e quatro minutos. A torcida do time infrator não gostou e da arquibancada proferiu gritos e palavrões em direção ao árbitro que, se escutou, fingiu não ter ouvido e não se deixou abalar emocionalmente. A falta cometida foi imediatamente cobrada e com um tiro certeiro foi convertida em gol pelo centro avante da equipe que estava em desvantagem, empatando o jogo e deixando o placar igual. O juiz, após o reinício
da partida, apitou o final do primeiro tempo com ambas torcidas em gritos eufóricos. 

Passado o intervalo o jogo recomeçou com algumas alterações de jogadores em ambas as equipes, alterações feitas pelos respectivos técnicos na intenção de dar um melhor ritmo ao jogo e assim conquistarem um resultado positivo para suas equipes. Já em campo, novamente, os jogadores começaram a se posicionarem e a tocarem a bola, fazendo com que a alucinada torcida vibrasse em ritmo frenético.

Os minutos escoaram rapidamente e não se viu uma jogada que indicasse a superioridade de um time sobre o outro. Os técnicos de ambas as equipes resolveram, então, fazer algumas substituições, na tentativa de conseguirem “balançar a rede” do adversário e verem suas equipes saírem vencedoras desse disputadíssimo campeonato.

Aos trinta e nove minutos o ataque de um dos times chega a grande área do adversário e o atacante é empurrado pelo zagueiro, sofrendo uma falta que imediatamente é convertida em penalidade máxima pelo juiz, que estava “em cima do lance”. 

Gritos de “juiz ladrão” e outros impropérios foram lançados novamente de arquibancada abaixo em direção ao árbitro que, tomando a bola em mãos, dirigiu-se ao ponto de cobrança do pênalti, aguardando a decisão de quem iria cobrá-lo.

O goleiro da equipe ganhadora do pênalti apresentou-se para a cobrança enquanto o outro goleiro ia de um lado para o outro das traves de seu gol, buscando uma melhor posição, quando o juiz, então, apitou indicando a cobrança da falta.

- Goooool! – Gritou parte da galera que estava no estádio.

O jogo é imediatamente recomeçado, mas logo após seis minutos o árbitro apitou dando por encerrada a partida, ficando o placar em dois a um, com a equipe vencedora sendo ovacionada pelos seus torcedores.

A taça de campeão foi levada ao centro do gramado e a solenidade de entrega foi realizada sob aplausos de uns e protestos de outros que, inconformados com o resultado, acusavam a arbitragem de ser partidária.

Aos poucos o estádio foi ficando vazio, com as pessoas indo para suas casas, tendo sido encerrado mais um grande espetáculo desportivo.





                                     Otaviano Maciel de Alencar Filho

                          (Copyright© 2020 Otaviano Maciel de Alencar Filho)

domingo, 30 de agosto de 2020

A lua cor de sangue

 

                             

 

 

 

 

 

Sentado no sofá, defronte à televisão, Guilherme assistia as notícias que eram veiculadas pela emissora de sua predileção enquanto Marta, sua esposa preparava o jantar.  No chão da sala, divertindo-se com um carrinho de brinquedo, estava Jorginho, seu filho de sete anos de idade que, alheio às informações que eram passadas pelo noticiário, permitia a seu pai assimilar completamente as informações que eram repassadas pelo apresentador.

No ultimo bloco de notícias o apresentador informou que na madrugada do dia seguinte ocorreria um fenômeno natural envolvendo a lua, chamada de “lua de sangue”, pois a mesma ficaria vermelha da cor de sangue e seu tamanho também aumentaria. Depois de explicar detalhadamente de forma científica o raro fenômeno, deu boa noite aos telespectadores e desejou que todos pudessem ter a oportunidade de assistir esse belíssimo evento que só viria a ocorrer novamente daqui a alguns anos.

Nesse momento, Guilherme percebeu que Jorginho parara de brincar com o carrinho e ficara imóvel, de olho grudado na televisão, então perguntou:

- O que foi que aconteceu filhinho?

- Papai, o homem falou que a lua vai ficar cheia de sangue. - Disse o menino assustado.

A verdade é que se ele fosse explicar como isso acontecia o “pivete” não iria entender. Assim ele preferiu dizer que era o “papai do céu” que ia pintar a lua naquela madrugada, para ela ficar mais bonita.

- Papai, vamos ver a lua amanhã cedinho? – Perguntou.

-Sim, claro Jorginho. Eu vou acordar cedo chamar você e sua mãe e nós vamos lá pra fora ver como a lua vai estar bonita, mas agora é hora de você ir dormir para acordar cedo. Levou o pequeno até o quarto e o deitou, beijando-lhe a fronte e cobrindo-lhe com o cobertor.

O jantar estava pronto e Marta o chamou para fazerem a refeição. Os dois voltaram à sala e demoraram aproximadamente três horas defronte a televisão e finalmente foram deitar ansiosos pela chegada da madrugada.

Finalmente às cinco horas da manhã todos estavam acordados e puderam apreciar o belo fenômeno. Jorginho extasiado exclamou:

- Papai, parece sangue mesmo, ela tá toda vermelha e “inchada”. - Disse o moleque!

- Não filhinho, não é sangue não, já te disse. - Retrucou Guilherme.

- Hoje à tarde, na escola, vou contar para os meus coleguinhas que eu vi a lua cor de sangue. - Asseverou o menininho.

Passada meia hora o fenômeno começou a se desfazer e a lua voltou a sua cor normal e todos entraram a residência novamente, tendo Jorginho voltado a dormir. Dona Marta foi fazer o café, pois Guilherme ia sair para o trabalho às seis horas.

Quando chegou a tarde Jorginho foi para a escola, lá chegando contou para os colegas que ele tinha visto a lua ter ficado da cor de sangue. Muitos de seus coleguinhas não tinham visto o acontecimento e acharam engraçado como ele falava da lua. Logo todos começaram a contar estórias que ouviram da lua. Francivaldo, o mais tagarela da turma, falou que na lua existia um dragão e que São Jorge tinha matado ele com uma espada e o sangue do dragão se espalhou por todo canto e que é por isso que de vez em quando vemos a lua vermelha.  Jorginho interviu na conversa e disse que seu pai havia dito que a cor vermelha era porque “papai do céu” tinha pintado a lua. Conversa vai, conversa vem, ninguém soube dizer o motivo da lua ter ficado daquela cor.

Quando retornou a sua residência Jorginho foi para o quarto e ficou esperando seu pai chegar do trabalho para falar sobre o dia na escola.

A noite chegou e Guilherme voltou para casa. Quando Jorginho o viu pulou em seus braços e foi logo perguntando:

- Papai, foi mesmo o “papai do céu” que pintou a lua de vermelho?

- Sim, filho, tudo o que acontece é ele que faz. – Falou sem reservas!

- Um coleguinha da sala de aula disse que São Jorge matou um dragão e o sangue dele se espalhou pela lua e foi por isso que ela ficou vermelha. – Sentenciou o menino.

Guilherme ficou perplexo com a estória de Jorginho e sem saber o que dizer naquele momento, falou:

- Querido, não se preocupe não, papai vai te explicar direitinho, mas agora vou tomar um banho trocar de roupas e depois a gente conversa, tá?

- Tá certo papai, mas eu acho que tem mais dragão na lua. - Falou novamente o pirralho.

- Por que você acha isso? - Perguntou o pai curioso.

- O senhor não ouviu o homem da televisão dizer que daqui algum tempo a lua vai ficar vermelha de novo. São Jorge vai matar outro Dragão. – Disse a criança em sua inocente e fértil imaginação.




                                              Otaviano Maciel de Alencar Filho

                            (Copyright© 2020 Otaviano Maciel de Alencar Filho)



 

segunda-feira, 6 de julho de 2020

O mundo assombrado pelo inimigo invisível



      






Ninguém imaginaria que em pleno século XXI as pessoas ficariam presas em suas casas. Mas aconteceu. O ano de 2020 iniciou-se com a disseminação de uma doença respiratória cuja contaminação se dá através da inalação do ar contaminado por gotículas que carregam um vírus denominado “2019-nCoV” ou simplesmente corona vírus, e também através do contato com superfícies contaminadas por ele.
As autoridades mundiais no assunto atribuem o seu surgimento em uma cidade localizada na China denominada Wuhan. Após algumas pessoas que trabalhavam em um mercado especializado em comércio de frutos do mar se queixarem de alguns sintomas como falta de ar, febre, dores no corpo, despertou-se a suspeita que essas pessoas poderiam terem sido contaminadas pela ingestão desses alimentos e o mercado foi fechado para desinfecção e limpeza.
O poder de se disseminar rapidamente fez com que logo o vírus deixasse as fronteiras da china e se espalhasse por toda a Europa, fazendo milhares de vítimas, em especial a Itália onde acometeu várias pessoas levando várias ao óbito, ultrapassando em número de vítimas fatais a China. Essa disseminação ocorreu principalmente através das viagens, feitas principalmente de avião, de pessoas entre os países. Não demorou muito e rapidamente a covid-19, como é conhecida a doença causada pelo vírus, chegou ao continente americano afetando em cheio os EUA e lá, principalmente a cidade de Nova Iorque, que chegou a ostentar o infame recorde de cidade mais contaminada pelo corona vírus no mundo.
Alguns países, como medida de proteção contra a contaminação de seus habitantes estão fechando temporariamente as fronteiras.
Aqui no Brasil a situação não é diferente, com muitos contaminados pelo vírus que teria aqui aportado no final de fevereiro, embora haja discordância entre os estudiosos quem acreditam terem casos sido relatados já no final de janeiro. A cidade mais afetada até o momento é São Paulo, seguida do Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus e Recife. No resto do país o panorama é também desolador.
De forma equivalente a outros países do mundo, medidas estão sendo tomadas para evitar a contaminação das pessoas simultaneamente e assim não sobrecarregar o sistema de saúde e o atendimento às pessoas nos prontos-socorros. Em alguns estados foram baixados decretos no intuito de dificultar a circulação e aglomeração de pessoas nas ruas, parques, praias etc. de vez que, por enquanto, a única maneira de diminuir a avanço da doença é isolando-se dos outros indivíduos, evitando assim uma possível contaminação por parte de quem já se encontra infectado e não apresenta nenhum sintoma. Também foi estabelecida a obrigatoriedade do uso de máscaras ao sair de casa.  Somente os serviços essenciais como farmácias, supermercados, postos de gasolina, serviços de saúde e similares podem funcionar normalmente, os demais estão proibidos de prestarem serviços enquanto durar o decreto. Escolas e universidades também estão fechadas e os alunos estudando remotamente. Algumas cidades tomaram decisões mais rígidas, como decretar o “lockdown”, ou seja, as entradas das cidades são fechadas com o intuito de forçar o isolamento social.  Até o momento, início do mês de maio, a cidade de São Luís no Maranhão e três cidades de sua região metropolitana, assim como Belém no Pará e mais nove cidades da região conhecida como “Grande Belém” e Fortaleza no estado do Ceará, foram as únicas a tomarem essa decisão.
Não é apenas a doença o principal inimigo a combater. Com medidas de isolamento sociais rígidas e trabalhadores informais sem poderem exercer suas atividades comerciais, famílias inteiras estão sem recursos financeiros para sobreviverem. Dessa forma o governo federal institui o “auxílio emergencial”, trata-se de um valor em dinheiro que é concedido a todos os cidadãos brasileiros que não estão trabalhando de “carteira assinada”, ou trabalhadores informais e outras categorias que não têm renda fixa. Outras medidas de auxilio social também estão sendo estudadas e implantadas tanto por parte do governo federal como por parte dos governos estaduais.
Ainda é cedo para dizer quando tudo isso vai terminar, pois até o momento não existe tratamento eficaz com drogas, embora muito se especule sobre alguns medicamentos já existentes no mercado e que poderiam estar sendo utilizados no combate a covid-19. O que vemos acontecer é que expirado o período de isolamento social, que geralmente dura de quinze a vinte dias, logo se inicia outro período. Vale ressaltar que essas medidas de isolamento “forçado”, são tomadas pelos respectivos governadores dos estados. O governo federal não “vê com bons olhos” essas medidas e acredita serem demasiadas e põem em xeque a economia brasileira. O palácio do planalto defende o isolamento vertical, que é aquele que somente ficariam isoladas as pessoas mais vulneráveis ao corona vírus, ou seja, os maiores de sessenta anos, portadores de doenças cardiovasculares, diabetes e doenças pulmonares, assim em tese, permitiria que os mais jovens pudessem retornar ao trabalho e ao estudo fazendo assim girar a roda da economia. Por outro lado, especialistas em infectologia defendem o isolamento horizontal, ou seja, aquele que determina que todos independentemente de idade devam manter-se isolados, garantindo assim uma melhor eficácia no combate ao vírus. Seguem adiante informando que, no modelo de isolamento vertical, mesmo sendo resistente a ação do vírus, o indivíduo ao contraí-lo não fica isento de passa-lo adiante e tem uma maior probabilidade de disseminá-lo para os que não estão em quarentena.
Assim estamos vivendo um dia de cada vez!
A humanidade inteira está passando por momentos difíceis em que é obrigada a ver seus entes queridos serem derrotados e muitos morrendo devido a um inimigo que não se vê.
Acredito que superaremos essa fase em que estamos passando, no entanto mesmo com todas as informações disponíveis sobre a letalidade do vírus, muitas pessoas desdenham e não obedecem as orientações de uso de máscaras e de isolamento social, pondo em risco suas vidas e de outras pessoas.  Não devemos subestimar o potencial destrutivo que determinados micro organismos tem sobre a humanidade.





                                 Otaviano Maciel de Alencar Filho

                      (Copyright© 2020 Otaviano Maciel de Alencar Filho)




quinta-feira, 19 de março de 2020

Saudades








Foi ontem, melhor dizendo, faz tempo
Era pequeninho, menino!Olhos amendoados, negros.
Saltitantes, inquietos.
Sorriso nos lábios.
Dentes branquiços.
Tez escura.
Afável.
Sentado na cadeira:
E... Timão e Pumba na televisão.
Coleção de figurinhas.
Chocolate em barrinhas.
Corrida para meus braços
E o pulo em abraços!
Faz tempo... Muito tempo.
Ontem filho menino.
Hoje filho homem.
Sinto falta.
Não dos abraços, da presença.
A ausência da época que me evoca estes sentimentos
Me faz tremer a alma.
Muito de bom aconteceu.
A vida passa rápido e...
De repente o tempo passou.





                                 Otaviano Maciel de Alencar Filho

                                         (Copyright© 2020 Otaviano Maciel de Alencar Filho)

Mata em chamas...


                         





De longe, de cima do pico, se avistava uma esteira de fumaça que se elevava ao céu cobrindo boa parte da floresta. Chegando mais próximo podia-se perceber a causa das brumas que escondiam grande parte da vegetação: Fogo! Avisada do ocorrido, a brigada de incêndio sediada em uma pequena aldeia distante a alguns quilômetros da área em chamas, ao chegar próximo ao local do acontecimento percebeu que a mata estava em chamas ardentes e que o calor insuportável não permitia que a equipe pudesse se aproximar dos locais onde os focos do incêndio eram mais intensos.
 Impedida de iniciar os trabalhos diante o tamanho das labaredas, o chefe da equipe imediatamente pediu reforços ao corpo de bombeiros da cidade mais próxima. Logo foi informado que as viaturas iriam chegar ao local somente após cerca de três horas e que seria solicitada a liberação de uma aeronave para ajudar no aplacamento do incêndio, devido à urgência do acontecimento.
Aos poucos a população do vilarejo e redondezas ia chegando e se dispondo a fazerem algo para aplacar a fúria das chamas que não davam trégua. Orientando a todos que se dispuseram ao trabalho, o chefe da brigada fazia serviço de formiga, no intuito de não deixar o fogo chegar perto das aldeias.
A angústia tomava conta de todos ao verem a flora e a fauna pedindo ajuda sem serem atendidas. Os animais corriam atônitos sem direção em busca de um lugar seguro. Os de maior porte levavam vantagem em relação aos pequenos que, muitas das vezes, não conseguiam sair do local em chamas. Cena triste de se ver!
      Já havia se passado três horas do tempo previsto para a chegada da ajuda dos bombeiros quando, no céu, avistaram-se um helicóptero e outra aeronave que juntas despejavam água sobre a mata em chamas. Aproximadamente vinte minutos depois cinco viaturas do corpo de bombeiros chegaram para juntarem-se aos que já se encontravam no local. Rapidamente o pessoal foi organizado em setores de combate às chamas e o trabalho pode, dessa forma, ter uma maior eficiência no controle do incêndio.
A noite chegou e todos estavam exaustos, mas o controle das chamas havia sido alcançado. Logo uma tênue chuva começou a cair e todos ficaram animados, contudo não foi o suficiente para debelar todos os focos de incêndio que continuavam a aparecendo por toda a noite e o dia seguinte.
Embora a maioria dos focos de incêndio tivesse sido controlada, em outros locais de acesso mais difícil, ainda havia a necessidade de ação mais intensa no combate ao fogo que teimava em não apagar. Essa situação perdurou por mais de uma semana e somente foi resolvida com uma ação providencial: Chuvas. Sim, elas caíram do céu como uma cascata, jorrando água em abundância sobre toda a região e circunvizinhanças onde o incêndio acontecia.
Terminada de forma oficial a intervenção no combate ao Incêndio, restava agora, contabilizar em números as perdas derivadas desse terrível acontecimento que, diga-se de passagem, não foram poucas. 
Muitas espécies de plantas nativas rasteiras foram eliminadas e o solo ficou empobrecido, o que levará anos pra se recompor. O estrago na fauna também foi grande: cobras e outros animais rastejantes tiveram suas vidas ceifadas pelo fogo abrasador que tostou tudo o que encontrava pela sua frente. Alguns animais de pequeno porte também perderam suas vidas na luta contra o fogo. A população dos vilarejos localizados na zona onde ocorreu o incêndio também ficou prejudicada pela falta de alimentos que provinham das árvores frutíferas que serviam para seu sustento, bem como meio de comércio com as cidades vizinhas.
Não se sabe, até hoje, o que causou o incêndio. A perícia feita no local, logo após o término da grande queimada, concluiu que o mais provável foi uma combustão ocorrida pelo forte sol, clima seco e vegetação seca rasteira que predominava no local. O certo é que, como diz o velho ditado popular: com fogo não se brinca. Resta à população se recuperar desse acontecimento nefasto. A natureza também fará sua parte se recuperando dessa ferida marcante em seu corpo: o planeta Terra!                              



                               Otaviano Maciel de Alencar Filho

                                         (Copyright© 2020 Otaviano Maciel de Alencar Filho)

Mentiras e mais mentiras

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