Atualmente vemos ordinariamente
na imprensa escrita assim como nas mídias digitais, informações que deixam em
muito a desejar no que diz respeito à veracidade das mesmas. Não raro somos
surpreendidos por notícias fantasiosas, cujo intuito é levar aos desavisados de
plantão a cultura da ignorância, de vez que estes não se dão ao trabalho de
investigarem a autenticidade das informações que são veiculadas.
O mundo como conhecíamos há cerca
de trinta anos, não é mais o mesmo! O avanço tecnológico no campo da informação
foi marcante nessa mudança de postura do ser humano frente aos novos desafios a
serem superados no setor de informação. O contentamento com respostas simples
não é mais digerido pela grande massa de indivíduos cada vez mais sequiosos de
detalhes nas informações recebidas. Contudo, o fato dessas informações serem,
em muitos casos, minuciosas em seus detalhamentos não lhes garante a
veracidade. E agora vivemos a era das chamadas “fakes News”, ou simplesmente
notícias falsas, que estão presentes em toda parte.
Há um ditado popular que diz que uma mentira
propagada várias vezes com o passar do tempo torna-se uma verdade! E ao que
tudo indica esse aforismo ainda perdurará por muito tempo, pois, o ser humano,
ao que parece, em muitos casos prefere acreditar em uma mentira que lhe
conforte o coração a aceitar uma verdade que lhe venha ferir!
Lembrei-me de uma citação feita por um colega,
quando resenhávamos a respeito do poder daqueles que dispõem de informações
relevantes, na ocasião, afirmou que a informação somente será valiosa se o
detentor dela for um indivíduo portador de conhecimento, pois somente assim ele
saberá utilizá-la e tirar bom proveito, além de não se deixar ser manipulado
por pessoas cujo interesse maior é a propagação de informações falsas. Isso me
fez lembrar uma estorinha hilária lida há tempos, cuja origem me é desconhecida.
Permitir-me-ei fazer uma versão: Conta-se que um adestrador de cães descobriu
que as pulgas que tanto infernizavam os seus animaizinhos escutavam pelas
pequeninas patas, pois observando que ao passar a mão sobre o dorso dos caninos,
e separando os pelos bastava gritar “pula pulga” que elas imediatamente
saltavam deixando o animal aliviado. Motivado pela tal descoberta resolveu
fazer uma experiência em público e provar sua teoria. De posse de algumas
pulgas dentro de um vasilhame de vidro e outro vazio foi até uma rua bastante
movimentada e montou uma mesinha, e colocando os dois frascos de vidro em cima
da mesma começou o espetáculo com várias pessoas parando para vê-lo em ação.
- Venham todos ver a grande descoberta. As pulgas,
diferente de todos os outros animais, ouvem pelas pernas. - Falava ele,
empolgado.
Após um quarto de hora já havia pessoas suficientes
para ele começar a demonstração: De posse de pequena pinça arrancou as patas de
algumas pulgas e as colocou no outro recipiente de vidro, agitou o recipiente
que tinha pulgas com as patas e mandando-as pular elas saltitavam, com a outra
mão chocalhou o vasilhame quem continha as pulgas com as patas decepadas e, pedindo
que elas pulassem, constatava-se que as coitadas não saiam do lugar, pois
segundo ele elas não pulavam porque não podiam ouvir pelas patas, que agora não
estavam mais em seus corpos! Talvez ele tenha convencido alguém de que
realmente ele estava com a razão. Outros talvez o tenha visto como um
charlatão, outros como um artista fazendo gracinha e outros talvez o tenha visto
como um demente.
É claro que a estorinha é fictícia, mas serve de
exemplo, na vida real, para as pessoas que tomando uma informação não se
preocupam em averiguar a veracidade e passam a vivenciá-la como verdadeira, e
ainda mais quando a difunde atingindo muitas outras pessoas, que como ela, não
têm compromisso com o verdadeiro teor da informação.
O momento em que vivemos é um exemplo pratico dessa
situação: A pandemia causada pelo corona vírus “caiu como uma luva” nas mãos de
seres inescrupulosos que disseminam informações falsas em todos os cantos e
recantos, dificultando cada vez mais o controle dessa terrível doença. Tratamentos
esdrúxulos como “água consagrada”, “sementes ungidas”, remédios para piolhos e
outros tantos são receitados de forma irresponsável por pessoas que detêm
grande poder de influência nas massas populacionais.
Se o defeito da mentira é ter pernas curtas, eu
infelizmente sou levado a crer que ela burla eficientemente essa imperfeição
tirando proveito próprio e em mantendo conluio com todos aqueles que a têm como
uma companheira vara o tempo adiante sem perspectivas de sua finitude.
A mentira em si mesma não é o grande problema, mas
os que a utilizam terão que se explicar quando a verdade surgir, porque mesmo
de pernas curtas ela dará um grande salto deixando o pobre indivíduo em apuros
diante a verdade, pois em qualquer época da humanidade as duas sempre se
encontram e o dilema então será: A mentira contada era uma verdade ou a verdade
contada era uma mentira, uma meia verdade ou talvez só uma mentirinha?

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