domingo, 25 de julho de 2021

Mentiras e mais mentiras

 

                              


 

 

 

 

Atualmente vemos ordinariamente na imprensa escrita assim como nas mídias digitais, informações que deixam em muito a desejar no que diz respeito à veracidade das mesmas. Não raro somos surpreendidos por notícias fantasiosas, cujo intuito é levar aos desavisados de plantão a cultura da ignorância, de vez que estes não se dão ao trabalho de investigarem a autenticidade das informações que são veiculadas.

O mundo como conhecíamos há cerca de trinta anos, não é mais o mesmo! O avanço tecnológico no campo da informação foi marcante nessa mudança de postura do ser humano frente aos novos desafios a serem superados no setor de informação. O contentamento com respostas simples não é mais digerido pela grande massa de indivíduos cada vez mais sequiosos de detalhes nas informações recebidas. Contudo, o fato dessas informações serem, em muitos casos, minuciosas em seus detalhamentos não lhes garante a veracidade. E agora vivemos a era das chamadas “fakes News”, ou simplesmente notícias falsas, que estão presentes em toda parte.

Há um ditado popular que diz que uma mentira propagada várias vezes com o passar do tempo torna-se uma verdade! E ao que tudo indica esse aforismo ainda perdurará por muito tempo, pois, o ser humano, ao que parece, em muitos casos prefere acreditar em uma mentira que lhe conforte o coração a aceitar uma verdade que lhe venha ferir!

Lembrei-me de uma citação feita por um colega, quando resenhávamos a respeito do poder daqueles que dispõem de informações relevantes, na ocasião, afirmou que a informação somente será valiosa se o detentor dela for um indivíduo portador de conhecimento, pois somente assim ele saberá utilizá-la e tirar bom proveito, além de não se deixar ser manipulado por pessoas cujo interesse maior é a propagação de informações falsas. Isso me fez lembrar uma estorinha hilária lida há tempos, cuja origem me é desconhecida. Permitir-me-ei fazer uma versão: Conta-se que um adestrador de cães descobriu que as pulgas que tanto infernizavam os seus animaizinhos escutavam pelas pequeninas patas, pois observando que ao passar a mão sobre o dorso dos caninos, e separando os pelos bastava gritar “pula pulga” que elas imediatamente saltavam deixando o animal aliviado. Motivado pela tal descoberta resolveu fazer uma experiência em público e provar sua teoria. De posse de algumas pulgas dentro de um vasilhame de vidro e outro vazio foi até uma rua bastante movimentada e montou uma mesinha, e colocando os dois frascos de vidro em cima da mesma começou o espetáculo com várias pessoas parando para vê-lo em ação.

- Venham todos ver a grande descoberta. As pulgas, diferente de todos os outros animais, ouvem pelas pernas. - Falava ele, empolgado.

Após um quarto de hora já havia pessoas suficientes para ele começar a demonstração: De posse de pequena pinça arrancou as patas de algumas pulgas e as colocou no outro recipiente de vidro, agitou o recipiente que tinha pulgas com as patas e mandando-as pular elas saltitavam, com a outra mão chocalhou o vasilhame quem continha as pulgas com as patas decepadas e, pedindo que elas pulassem, constatava-se que as coitadas não saiam do lugar, pois segundo ele elas não pulavam porque não podiam ouvir pelas patas, que agora não estavam mais em seus corpos! Talvez ele tenha convencido alguém de que realmente ele estava com a razão. Outros talvez o tenha visto como um charlatão, outros como um artista fazendo gracinha e outros talvez o tenha visto como um demente.

É claro que a estorinha é fictícia, mas serve de exemplo, na vida real, para as pessoas que tomando uma informação não se preocupam em averiguar a veracidade e passam a vivenciá-la como verdadeira, e ainda mais quando a difunde atingindo muitas outras pessoas, que como ela, não têm compromisso com o verdadeiro teor da informação.

O momento em que vivemos é um exemplo pratico dessa situação: A pandemia causada pelo corona vírus “caiu como uma luva” nas mãos de seres inescrupulosos que disseminam informações falsas em todos os cantos e recantos, dificultando cada vez mais o controle dessa terrível doença. Tratamentos esdrúxulos como “água consagrada”, “sementes ungidas”, remédios para piolhos e outros tantos são receitados de forma irresponsável por pessoas que detêm grande poder de influência nas massas populacionais.

Se o defeito da mentira é ter pernas curtas, eu infelizmente sou levado a crer que ela burla eficientemente essa imperfeição tirando proveito próprio e em mantendo conluio com todos aqueles que a têm como uma companheira vara o tempo adiante sem perspectivas de sua finitude.

A mentira em si mesma não é o grande problema, mas os que a utilizam terão que se explicar quando a verdade surgir, porque mesmo de pernas curtas ela dará um grande salto deixando o pobre indivíduo em apuros diante a verdade, pois em qualquer época da humanidade as duas sempre se encontram e o dilema então será: A mentira contada era uma verdade ou a verdade contada era uma mentira, uma meia verdade ou talvez só uma mentirinha?




                                Otaviano Maciel de Alencar Filho

                      (Copyright© 2021 Otaviano Maciel de Alencar Filho)

A vacina é o melhor remédio

 

                      

 


 

 

 

Tempo difícil o que vivemos!  A pandemia ocasionada pelo vírus coronavírus, que desencadeou no mundo inteiro uma doença que acomete o sistema respiratório e outros órgãos do corpo humano, levando-o em muitos casos a morte caso não seja tratado adequadamente, não dá trégua.

Já próximo de completar um ano depois da OMS-Organização mundial da Saúde declarar o surto epidêmico mundial, a quantidade de indivíduos acometidos pelo vírus só está aumentando de vez que somente agora, com esforços despendidos por cientistas do mundo inteiro, se desenvolveram vacinas com poder de imunização do corpo humano contra esse devastador agente patológico.

A expectativa é de que, depois de aplicada a vacina, o corpo comece a produzir os anticorpos que irão atacar o vírus no organismo. No entanto, à medida que o vírus se espalha pelo diversos lugares do mundo, ele sofre mutações diversas, surgindo, assim, novas linhagens de vírus que dificultam ainda mais o combate à doença que já conta com mais de noventa milhões de casos no mundo inteiro e que levou a óbito mais de dois milhões de pessoas até meados de janeiro de 2021.

Os grandes laboratórios farmacêuticos já colocaram a disposição das autoridades mundiais doses de vacinas para serem adquiridas e a começarem a serem aplicadas nas pessoas. Garantem que são seguras e eficientes no combate ao coronavírus, embora seja concorde entre os cientistas que serão necessárias outras doses até a imunização completa ou mesmo a utilização periódica, caso se constate a necessidade, assim como ocorre com a vacinação periódica com relação às síndromes gripais causadas pelos vírus da influenza.

Quando se trata de saúde pública, além de campanhas de incentivo e esclarecimento no que diz respeito a se tomar a vacina, pois esta é o único meio de garantia de cura, é imperioso que as autoridades governamentais coloquem à disposição da população quantidades suficientes da vacina para que o controle da doença possa ser eficaz. 

Um fenômeno atípico tem surgido nessa época de pandemia: O negacionismo. Sim, isso mesmo! Diversos indivíduos, incluindo-se alguns chefes de estado ignoraram e ainda ignoram o poder avassalador de destruição da vida humana provocado por esta doença. Agem como se a cura se desse de forma milagrosa e que não haveria motivos para tanta “histeria”, chegando ao ponto de tornar facultativo o uso da vacina, negando assim as árduas pesquisas feitas em torno desse agente devastador da saúde humana.

Não é incomum sairmos às ruas e encontrarmos indivíduos que não tomam as devidas precauções, como utilização de máscaras e manterem um relativo distanciamento no intuito de dificultar uma possível transmissão do agente patológico. Muitos acreditam que são geneticamente imunes já que até o momento não ficaram doentes. Outros argumentam que como não estão doentes já pegaram o vírus e não manifestaram a doença, portanto não há mais motivo para se preocuparem, agindo assim o fazem por ledo engano.

O imunizante está ai pronto a ser ministrado, portanto não é crível deixar se seduzir por opiniões de pessoas que se dizem sábias, amparadas tão somente em crenças despidas de conhecimento científico e que colocam as vidas das pessoas em risco.

A senhora sexagenária conversando com sua enteada desabafa:

- Tomara que se inicie a vacinação, não vejo a hora de deixar de ficar com medo de pegar a Covid, afinal faço parte do grupo de risco e não aguento mais ficar em casa.

Sua enteada demonstrando total ignorância aduziu:

- Tome cuidado Dona Cida, não tome aquela que vira jacaré, não!

A anciã, perplexa perguntou:

- E qual eu vou tomar se a outra, daquela marca, dizem que dá câncer e ainda vem com o vírus da Aids?

Seu Antônio, marido de Dona Cida que se encontrava em uma cadeira ao lado, ouvindo a conversa, resolveu dar uma lição de sabedoria as duas mulheres:

- Já tomei vacina contra tudo que é doença nesse mundo e nunca perguntei qual era a marca e de que país ela tinha vindo. Nunca peguei varíola, sarampo, meningite, poliomielite e principalmente nunca virei nenhum bicho, tampouco tenho Aids e nem câncer e aqui estou pra contar a história. Deixem de conversa fiada. – falou, caçoando da conversa das duas senhoras.




                                  Otaviano Maciel de Alencar Filho

                          (Copyright© 2020 Otaviano Maciel de Alencar Filho)

A partida se futebol

                                               






A disputa final do campeonato estadual de futebol foi decidida entre dois times cuja rivalidade, no âmbito futebolístico, acontece há vários anos.

Os torcedores das agremiações esportivas que se enfrentaram no estádio faziam imensa algazarra, cada qual gritando e incentivando seus times, enquanto os atletas no campo travavam uma disputa intensa pelo domínio da bola. O juiz corria o campo de um lado para o outro atento às possíveis faltas cometidas pelos participantes do certame.

O sol escaldante da tarde de domingo não dava trégua e exigia, dessa forma, o melhor da condição física dos jogadores, conquanto já se encontrassem bastante debilitados devido à intensa maratona de jogos que vinham participando há vários meses.

O placar do jogo, após vinte e três minutos de iniciado, sofreu alteração com um gol feito pelo artilheiro de uma das equipes, que após driblar o meia-direita passando pelo zagueiro chutou, mesmo sem ângulo, em direção ao gol do adversário, logrando êxito. Imediatamente saiu em eufórica comemoração pelas laterais do campo, despertando a fúria dos torcedores adversários e exaltando ainda mais os gritos de alegria e de satisfação dos torcedores de seu ti

O jogo foi reiniciado com a bola ao centro e começou tudo novamente! Bola ia, bola vinha e o juiz correndo para lá e para cá, quando marcou uma infração cometida pelo lateral direito do time que estava à frente no placar, bem próximo a sua grande área, aos quarenta e quatro minutos. A torcida do time infrator não gostou e da arquibancada proferiu gritos e palavrões em direção ao árbitro que, se escutou, fingiu não ter ouvido e não se deixou abalar emocionalmente. A falta cometida foi imediatamente cobrada e com um tiro certeiro foi convertida em gol pelo centro avante da equipe que estava em desvantagem, empatando o jogo e deixando o placar igual. O juiz, após o reinício
da partida, apitou o final do primeiro tempo com ambas torcidas em gritos eufóricos. 

Passado o intervalo o jogo recomeçou com algumas alterações de jogadores em ambas as equipes, alterações feitas pelos respectivos técnicos na intenção de dar um melhor ritmo ao jogo e assim conquistarem um resultado positivo para suas equipes. Já em campo, novamente, os jogadores começaram a se posicionarem e a tocarem a bola, fazendo com que a alucinada torcida vibrasse em ritmo frenético.

Os minutos escoaram rapidamente e não se viu uma jogada que indicasse a superioridade de um time sobre o outro. Os técnicos de ambas as equipes resolveram, então, fazer algumas substituições, na tentativa de conseguirem “balançar a rede” do adversário e verem suas equipes saírem vencedoras desse disputadíssimo campeonato.

Aos trinta e nove minutos o ataque de um dos times chega a grande área do adversário e o atacante é empurrado pelo zagueiro, sofrendo uma falta que imediatamente é convertida em penalidade máxima pelo juiz, que estava “em cima do lance”. 

Gritos de “juiz ladrão” e outros impropérios foram lançados novamente de arquibancada abaixo em direção ao árbitro que, tomando a bola em mãos, dirigiu-se ao ponto de cobrança do pênalti, aguardando a decisão de quem iria cobrá-lo.

O goleiro da equipe ganhadora do pênalti apresentou-se para a cobrança enquanto o outro goleiro ia de um lado para o outro das traves de seu gol, buscando uma melhor posição, quando o juiz, então, apitou indicando a cobrança da falta.

- Goooool! – Gritou parte da galera que estava no estádio.

O jogo é imediatamente recomeçado, mas logo após seis minutos o árbitro apitou dando por encerrada a partida, ficando o placar em dois a um, com a equipe vencedora sendo ovacionada pelos seus torcedores.

A taça de campeão foi levada ao centro do gramado e a solenidade de entrega foi realizada sob aplausos de uns e protestos de outros que, inconformados com o resultado, acusavam a arbitragem de ser partidária.

Aos poucos o estádio foi ficando vazio, com as pessoas indo para suas casas, tendo sido encerrado mais um grande espetáculo desportivo.





                                     Otaviano Maciel de Alencar Filho

                          (Copyright© 2020 Otaviano Maciel de Alencar Filho)

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