segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A partida







Ela se foi, com medo de ir!
Ele ficou vendo-a partir.
Ela tinha medo de seguir!
Ele ficou sem saber aonde ir.

Ela não pensava na partida!
Ele não contava a despedida.
Ela, que era destemida!
Ele, que tomou todas as medidas.


Ela era sua guarida!
Tudo em sua vida!
A existência vivida!


Ele ficou só.
Sentindo o peso de mó.
Enclausurado em um nó!





  Otaviano Maciel de Alencar Filho
(Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O chute que deu errado!


                         





Logo que os primeiros raios de sol surgiram, Beto, um garoto aficionado por futebol, acordou e imediatamente foi fazer a higiene matinal e tomar o café da manhã. Estava ansioso, pois a semifinal de partida do campeonato de futebol interbairro iria ser realizada logo mais em breve, por volta das oito horas e ele fazia parte de um dos times que conseguira chegar a final. Beto era o goleiro do time da casa. Pegou as chuteiras, a camisa esportiva do seu time e caminhou imediatamente até o campo de areia que ficava próximo de sua residência. Ao chegar cumprimentou os amigos e tratou logo de vestir a camisa e calçar as chuteiras, pois os outros jogadores já estavam todos paramentados e prontos para, antes do jogo, fazerem um rápido treino.
O jogo teve seu inicio adiado, pois o árbitro que iria apitar a partida ainda não havia chegado. De certa forma foi até bom porque os times tiveram mais alguns minutos para repassarem alguns chutes ao gol.
Eram oito horas e vinte cinco minutos quando aparece o Valdo, o juiz da partida, meio cambaleante, dirigiu-se ao centro do campo para dar início à competição.
Contudo, antes de narrar o jogo e o que aconteceu durante o bate-bola, vamos saber um pouco mais sobre o Sr. Valdo: Mário Osvaldo Quintino ou simplesmente Valdo era um homem de meia idade que tinha a fama de briguento. Andava sempre com uma faca na cintura, sabe Deus pra quê! Também gostava de dar uns tragos no álcool: e que tragos! Quase todos os dias, encontrava-se embriagado. Era criador de pássaros e tinha várias espécies nas diversas gaiolas dependuradas na parede de frente de sua casa e viveiros que ele mantinha no interior de sua residência, que ficava em frente ao campo onde se realizava o campeonato. Seu filho Arthur também era jogador do mesmo time do Beto. Agora já sabemos o motivo do juiz ter se atrasado e chegado cambaleando no local do jogo, vamos, então, saber o que aconteceu durante a partida de futebol.
O árbitro apitou o início da partida e os jogadores começaram a se movimentarem, passando a bola uns para os outros. Chute vai, chute vem e após alguns minutos de gritos e palavrões proferidos, o placar ainda indicava zero a zero. O Juiz, “mais suado que tampa de chaleira”, de tanto correr de um lado para o outro do campo, parecia que ia desmaiar de tanto cansaço.
Os torcedores que se encontravam sentados em pequenos bancos feitos de madeiras em um dos lados do campo, gritavam e tentavam encorajar os seus times a fazerem a rede balançar: se bem que as redes que estavam nas traves, iriam arrebentar quando uma bola entrasse no gol, de tão velhas que eram!
O primeiro tempo do jogo terminou em zero a zero. Valdo aproveitou o intervalo e foi colocar água, ração e algumas frutas para um casal de graúnas que estava dentro de uma das gaiolas penduradas defronte sua residência, enquanto a garotada descansava para o segundo tempo do jogo.
Depois de vinte minutos começou o segundo tempo do jogo. Os atacantes estavam determinados a fazerem pelo menos um gol e vários chutes foram dados na direção das traves de cada adversário. O time visitante atacava cada vez mais e o seu “ponta direita”, “escapulindo” pelos lados, conseguiu chegar até a grande área e soltar uma “bomba”, que resvalou no travessão superior do time da casa. O juiz apitou tiro de meta e Beto, o goleiro, de posse da bola, fez um lançamento para o lateral esquerdo, que já se encontrava em posição de ataque. Infelizmente, o lançamento foi forte demais e, passando pelo lateral foi de encontro às pessoas que estavam sentadas na calçada defronte a casa do juiz, indo de encontro à gaiola das graúnas e derrubando-a ao chão, espalhou a ração e as frutas, além da água. Sorte que a porta da gaiola não se abriu!
O juiz, sem se aperceber do ocorrido, apitou cobrança de lateral, mas quando se deu conta do que tinha acontecido, saiu aos berros e, puxando a faca que levava na cintura, foi de encontro a Beto que, quando viu aquele homem vindo em sua direção tirou a camisa e jogou-a junto à trave e tratou de correr para casa, enquanto o filho do juiz agarrava-o dissuadindo-o ao não cometimento um crime. E assim ocorreu, seu filho disse que foi uma fatalidade e que não tinha acontecido nada com as graúnas. Como Beto não voltou, porque provavelmente nessa hora estava escondido, de tanto medo, o goleiro reserva foi substituí-lo. O jogo foi reiniciado, antes, porém, Valdo colocou suas graúnas dentro de casa, para que não acontecesse de ela ser acertada por uma “bolada” novamente!
O jogo terminou e a equipe visitante venceu de um a zero e nova partida foi marcada para o domingo seguinte, no jogo de volta, dessa vez no campo do adversário, localizado no bairro vizinho.
Durante a semana Arthur falou com Beto e o tranquilizou, dizendo que seu pai tinha “perdido a cabeça” naquela hora, mas que estava tudo bem e ele não precisava ter medo e que ele teria de voltar a jogar, pois ele era o goleiro titular e que o time tinha que vencer para poder disputar a grande final em outra data. Beto, ainda assustado disse:
- Eu vou Arthur, desde que o Juiz não seja o Sr. Osvaldo. Ah, tem outra coisa: se tiver gaiolas por perto pode arranjar outro goleiro!
O jogo marcado para o domingo seguinte foi vencido pelo time da casa, que fez dois a um no time adversário, levando o time a disputar o campeonato em nova partida. O jogo da final, marcado para o último domingo do mês, foi disputado nos pênaltis e o time de Beto venceu por três a um, levando a taça de campeão.





                                Otaviano Maciel de Alencar Filho
(Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Conversa franca entre amigas







Defronte a escola de educação infanto-juvenil de tempo integral, as mães e os pais que iam buscar seus filhos, aguardavam ansiosamente o tocar da campainha que indicava o término das atividades do dia.
Enquanto aguardavam, uns ficavam encostados na parede do edifício, outros sentavam nas escadas de acesso ao local, enquanto outros grupos se formavam junto a um jardim e se entretinham conversando sobre as mais variadas situações da vida.
Laura aguardava a saída de Clarissa, sua filha, uma menininha de sete anos de idade quando sua amiga Mara chegou, pois também havia ido esperar a saída de sua filha Glória, uma adolescente de treze anos de idade. Logo as duas começaram um bate papo animado.
- Oi Laura, tudo bem? Como vai a família? - Perguntou Mara.
- Estaria tudo bem, não fosse o cansaço físico devido ao trabalho, Mara. Mas como diz o ditado popular, não adianta se lamentar o jeito é levantar a cabeça e conduzir a vida adiante! No mais tudo tranquilo! – Respondeu Laura.
- É isso mesmo amiga, devemos agradecer a Deus todos os dias por termos saúde e paz em nossas famílias. Falando nisso, a Clarissa está indo bem nos estudos? Pergunto por que, no meu caso, preciso estar “em cima” da Glória diariamente para que ela possa fazer os deveres de casa! - Disse Mara.
- A Clarissa até que não dá trabalho! Quando ela termina os deveres o propósito dela é assistir desenhos animados na internet. - Falou Laura.
- Ah, Laura, nem me fale em internet! Tenho que retirar o Telefone celular de Glória senão ela passa horas e horas nas redes sociais conversando com as amigas aqui do colégio. - Disse Mara, passando as mãos na fronte, demostrando preocupação!
- Os adolescentes de hoje em dia não são mais os mesmos, nessa era de tecnologia estão cada vez mais reféns das mídias digitais, passando horas e horas em frente de uma tela de computador ou celular. Não brincam mais umas com as outras, como antigamente. - Falou Laura, mostrando um semblante abatido, fazendo perceber certo desapontamento com as situações da vida presente!
- E verdade, Laura, nós os pais, temos que estar atentos, pois as ciladas que eles estão submetidos nestes ambientes são cada vez mais constantes. Embora as informações constantes na internet sejam importantes para o aprendizado, existem muitas informações que são verdadeiro lixo e ao invés de ajudar acabam prejudicando a condução dos mesmos na vida.   Ademais o importante não é somente informar, mas saber como informar, você não concorda comigo?  - Perguntou Mara!
- Claro que sim, Mara, inclusive a Clarissa, na semana passada, me fez uma pergunta que fiquei sem saber o que responder. Ela me perguntou o que era sexo. Na hora fiquei perplexa e sem atitude diante tal questionamento e quis saber o porquê dela estar me perguntando sobre isso. - Esclareceu Laura.
A conversa continuou ativamente entre as duas amigas.
- E ela, o que disse? - Perguntou Mara.
- Falou que ouvi das meninas das outras salas de aula, no intervalo para o almoço, que sexo era beijar e abraçar os meninos. Disse também que as meninas ficavam sabendo sobre tudo isso na internet. Naquele momento fiquei em estado de choque sem saber o que fazer, então falei que ela havia entendido errado e que aquele não era a hora certa para falarmos desse assunto. Diante de sua insistência, disse que era a separação entre meninos e meninas, entre homens e mulheres. Foi a única explicação que me veio à mente naquele momento. Você acha que fiz a coisa certa? - Quis saber Laura a opinião da amiga.
- Sim, Laura. Na verdade acho que ainda não estamos preparadas para discutirmos estes assuntos abertamente com nossos filhos e acabamos protelando a solução do problema. Dizemos: Tudo tem seu tempo! Mas com todas essas informações na internet temo que as gerações futuras, se não tiverem algum tipo de amparo, no que diz respeito a tratarem de assuntos como este com seriedade e ética e sem falsos moralismos, possam ter sérios problemas nas áreas afetivas e emocionais, afinal o negócio hoje em dia é “ficar”. De qualquer forma esse assunto ainda é tabu e mesmo entre profissionais da área ainda encontramos muitos com dificuldades em abordá-lo. Particularmente, ainda procedo como os meus pais: deixo as coisas irem se amoldando naturalmente, mas, claro, observando com atenção as informações que Glória passa a ter contato na internet. Penso que o correto é conversar bastante com nossos filhos e aos poucos irmos esclarecendo as dúvidas que eles têm. Dúvidas, aliás, nossas quando ainda éramos crianças, não? - Perguntou Mara, aguardando a resposta positiva da amiga.
- É verdade Mara, hoje passamos pelas mesmas situações conflituosas que nossos pais passaram. Mas agora cabe a nós resolvê-las! – Afirmou Laura.
A sirene tocou e a meninada começou a ir de encontro a seus pais.
Mara e Laura se despediram, marcando novo encontro para o dia seguinte, para poderem continuar com a discussão sobre tema muito antigo, mas ainda de difícil tratamento.




                        Otaviano Maciel de Alencar Filho
(Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)


quarta-feira, 25 de abril de 2018

Caminhos










Nas avenidas da vida tento encontrar o meu passado.
Nas vielas do tempo esbarro com a imprevisibilidade do futuro.
Nos contornos do espaço esgueiro-me a passos largos.
Nos domínios da solidão me aperta o coração.
No brilho da luz ofusco-me lentamente.
Na escuridão fico sem chão.
O eco dos meus pensamentos me tortura.
Serei eu que penso ou minha mente que mente?
Engana-me e esgana-me?
O sonho perturba-me a alma.
Acordado sonho com a noite por vir
Serei eu o que sou?
Onde estou?
O que fazer?
Que tortura cruel avassala-se de mim.
Acuado em um canto sem canto: Ai de mim!
O tempo sem pressa demora a vir...
Vejo a luz aclarar, enfim!
Ouço o som novamente
O coração aflito se reconforta
A mente se desentorta.
Começo a acordar do sono!
A saída enfim eu a encontrei
Louvado seja o Eterno!





Otaviano Maciel de Alencar Filho
(Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Alô!


                                         




- Alô, é o morador do primeiro andar?
- Pois não! Quem está falando?
- Aqui é o vizinho do andar térreo. Tudo bem com o senhor?
- Claro! O que deseja?
- Bem, é que eu estou escutando a campainha da portaria tocar há bastante tempo e como o senhor deve saber, hoje é dia de folga do porteiro. Também pude observar que não há ninguém na rua, a não ser dois homens do lado de fora do portão. Não sei onde coloquei as chaves da porta do meu apartamento. Não as encontro em parte alguma. Poderia ir lá fora e ver o que está acontecendo?
- Estou sem tempo e ademais não vejo nada além da conta neste acontecimento. Pode ser que eles já tenham telefonado para o condômino que eles vieram visitar. Não se preocupe. Interfonarei para o morador do segundo andar e perguntarei se ele pode ir ver o que está acontecendo.
- Tudo bem, muito obrigado!
- Alô, é o morador do segundo andar?
- Sim. O que o senhor deseja?
- Quem fala aqui é o vizinho do primeiro andar. É que o morador do andar térreo interfonou para mim e falou que tem duas pessoas lá fora no portão, tocando a campainha, e como hoje é dia de folga do porteiro ele quer saber se alguém do condomínio poderia ir ver o que está acontecendo lá, pois ele perdeu as chaves do apartamento e eu estou sem tempo e não posso ir. O senhor poderia ir lá?
- Bem que poderia ir, mas no momento estou com alguns pães no forno e não posso me ausentar nem um segundo, pois corro o risco de eles queimarem. Mas não se preocupe, vou interfonar para o morador do terceiro andar e procurar saber se ele pode ir resolver este caso.
- Agradeço muito. Até logo!
- Alô, é o morador do terceiro andar?
- Sim. Posso lhe ajudar?
- Quem fala aqui é o vizinho do segundo andar. O negócio é o seguinte: É que o morador do primeiro andar interfonou para mim e falou que o morador do andar térreo interfonou para ele e disse que tem duas pessoas lá fora no portão, tocando a campainha, e como hoje é dia de folga do porteiro ele quer saber se alguém do condomínio poderia ir ver o que está acontecendo lá, pois ele não pode ir e o morador do térreo perdeu as chaves do apartamento. Falei-lhe que estou muito ocupado, fazendo pães e não posso ir. O senhor poderia ir lá?
- Sinto muito, vizinho!  Estou sentindo uma forte dor de cabeça e não consigo nem abrir os olhos.  Mas não se preocupe, vou interfonar para o vizinho do quarto andar e procurar saber se ele pode ir ver o que está acontecendo, tudo bem?
- Sim. Muito obrigado.
-Alô, é o morador do quarto andar?
- Sim. O que deseja?
- Quem fala aqui é o vizinho do terceiro andar. O que acontece é o seguinte: É que o morador do segundo andar interfonou para mim e falou que o morador do primeiro andar interfonou para ele e disse que o morador do térreo havia interfonado para ele dizendo que tem duas pessoas lá fora no portão, tocando a campainha, e como hoje é dia de folga do porteiro ele quer saber se alguém do condomínio poderia ir ver o que está acontecendo lá, pois ele não pode ir, pois está com pães no forno e o morador do primeiro andar está muito ocupado e não pode ir. O morador do andar térreo perdeu as chaves do apartamento. Falei-lhe que estou com dor de cabeça e não posso descer. O senhor poderia ir lá, por favor?
- Puxa vida, veja o senhor como são as coisas, eu até poderia ir... Mas como não tem ninguém para ir comigo, não vou arriscar, podem ser assaltantes! Desculpe, vou ficar quieto! Porém, vou interfonar para o morador do quinto e último andar, ele é policial.
- Tudo bem, bom dia, desculpe-me por perturbá-lo.
- Não precisa se desculpar, vou entrar em contato com ele agora mesmo!
- Alô, é o morador do quinto andar?
- Ele mesmo. Em que posso ajudar?
- Amigo, aqui é o vizinho do quarto andar que está falando, espero não lhe estar perturbando, mas o dever me impõe a lhe informar o que está acontecendo: É que o morador do terceiro andar interfonou para mim e falou que o morador do segundo andar interfonou para ele e disse que o morador do primeiro andar havia interfonado para ele, dizendo que o morador do andar térreo disse que tem duas pessoas lá fora no portão, tocando a campainha, e como hoje é dia de folga do porteiro ele quer saber se alguém do condomínio poderia ir ver o que está acontecendo lá, pois ele não pode ir porque está com fortes dores de cabeça e o morador do segundo andar está assando pães e não pode de ir lá fora. O morador do primeiro andar está muito ocupado e o morador do andar térreo perdeu as chaves do apartamento. Falei-lhe que sozinho eu não vou. O senhor poderia ir lá, por favor?
- Tudo bem. Verei o que posso fazer.
Desligou o interfone e foi até a janela conferir as informações. Constatou que não havia mais ninguém na rua, a não ser os dois homens e, um pouco mais afastado, uma viatura do corpo de bombeiros. Desceu imediatamente e foi ao encontro dos homens que acenavam insistentemente para os moradores do edifício.
Neste interim, enquanto conversava com os dois homens, o morador do quarto andar olhou pela janela e notou a presença de três homens.  Interfonou para o morador do quinto andar, mas este não atendeu. Conclui, então, que era ele que estava lá embaixo com os outros dois homens. Então, tomou coragem e fez o mesmo.
O morador do terceiro andar também olhou pela janela e viu quatro homens. Interfonou para o morador do quarto andar, mas este não atendeu. Entendeu que ele havia descido com o morador do quinto andar e fez o mesmo.
O morador do segundo andar também resolveu olhar pela janela e notou a presença de cinco homens.  Interfonou para o morador do terceiro andar, mas este não atendeu. Conclui, então, que era ele que estava lá embaixo com os moradores do terceiro, do quarto e do quinto andar. Resolveu descer também.
O morador do primeiro andar abriu a janela e viu seis homens lá fora. Interfonou para o morador do segundo andar e não obteve resposta. Também chegou a conclusão de ele havia descido junto com os outros três moradores dos andares superiores. Abriu a porta e foi ao encontro deles.
O morador do andar térreo, vendo sete homens lá fora, interfonou para o morador do primeiro andar e não conseguiu falar com ele. Percebeu, neste momento, que ele estava lá fora com os outros quatros moradores! Imediatamente foi até eles.
Quando se encontravam todos juntos, um dos bombeiros falou:
- Senhores, há quase um quarto de hora estamos tentando entrar em contato com alguém do edifício. Já estávamos prontos para derrubar os portões.
- Como assim? Explique-nos o que está acontecendo!
- O centro nacional de monitoramento de terremotos lançou alerta indicando que essa área sofrerá abalos sísmicos de alta magnitude em poucas horas. O risco de sermos atingidos é iminente! Tem mais alguém no prédio?
- Não, estamos todos aqui.
-Vamos sair daqui imediatamente.
Os seis moradores foram colocados dentro da viatura e levados para um abrigo seguro.






                             Otaviano Maciel de Alencar Filho
                                         (Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

quinta-feira, 1 de março de 2018

A maldição do córrego


                




O estreito córrego que corta o bairro onde Adélia mora, no passado foi palco do surgimento de uma das histórias mais macabras que se pode imaginar: Lá pelos anos sessenta do século passado, o povo que morava às suas margens, foi surpreendido por relatos que davam conta de que em determinado trecho do riacho estava acontecendo coisas estranhas e assustadoras, e que o local era assombrado por “espíritos das trevas” que se divertiam em assustar as pessoas que passavam pelo lugar.
Quando Adélia foi morar em uma rua próxima ao córrego, no início do século vinte e um, essa história era pouco conhecida pelos atuais moradores e os poucos que a conheciam atribuíam a ela a imaginação fértil dos moradores daquele tempo. Adélia, que não era dada a superstições, ignorou a historia.
Atualmente o córrego não tem mais a abundância de água que tinha no passado e uma rua foi aberta em um de seus lados, possibilitando a passagem para outras ruas que foram abertas, dando acesso a um conjunto habitacional que foi construído às suas margens.
O vai e vem de pessoas, que circulam diariamente pelo local, não deixa dúvidas de que ali é um lugar como outro qualquer. O único inconveniente fica por conta da falta de iluminação pública que deixa muito a desejar em determinado trecho que fica rente ao ribeiro, ficando desaconselhável a passagem de pessoas durante a noite, visto que, embora não haja relatos de aparições de “fantasmas”, a ocorrência de assaltos é muito grande neste trecho, principalmente no período noturno.
Certo dia, Adélia telefonou para uma parenta sua, que morava há muitos anos no bairro, procurando saber se ela tinha um analgésico, pois estava com uma forte dor de cabeça. Eulália respondeu afirmativamente à sua consulta e que ela poderia ir busca-lo, mas tivesse muito cuidado quando passasse na rua do córrego, visto que, embora, as pessoas não estivessem falando de acontecimentos estranhos no local, ela pressentia que algo de anormal estava para acontecer a qualquer momento.
- Eu sou vacinada contra essas crendices populares, tia Eulália. Creio em Deus!- respondeu enfática.
Por volta das dezenove horas, quando Adélia dirigiu-se à casa de sua tia, que residia a três quadras de distância de sua residência, foi surpreendida com algo inusitado: ouviu alguns assobios e vozes de chamamento. Olhou para os lados e não viu ninguém. Continuou andando e novamente a voz foi ouvida. Mais uma vez ela olhou em seu entorno e não viu absolutamente ninguém na rua. Neste instante ela ficou assustada. Andando em passos largos, observava atentamente tudo a seu redor e instintivamente dirigiu o olhar para o interior do matagal que ladeava o riacho. Passados alguns instantes uma forte ventania balançou as plantas e, em meio à penumbra, Adélia pode ver um vulto em forma humana que vinha correndo a seu encontro. Imediatamente tentou correr, mas suas pernas ficaram pesadas e os passos, morosos. Na tentativa de escapar do estranho ser, que imaginava ser algum malfeitor, não conseguiu correr. A sombra, de súbito, pulou sobre ela, e estancou em seus magros ombros, fazendo-a cair. Estranhou o fato de não ter nenhuma pessoa sobre ela. Ali permaneceu imobilizada.
A tia de Adélia, que aguardava ansiosamente sua chegada, ficou preocupada com sua demora e solicitou que sua filha mais velha fosse a sua procura. Lídia saiu rapidamente e a encontrou na rua, deitada ao solo. Imediatamente a ajudou a se levantar.
Ao chegarem à casa de Eulália, a anfitriã quis saber o que tinha acometido Adélia para que ela estivesse naquela condição mórbida.
Ainda sem forças e sentindo um forte peso nos ombros, Adélia contou o ocorrido, deixando sua tia e sua prima muito apreensivas!
Após D. Eulália se certificar do ocorrido, tratou de tomar as devidas providências para que sua sobrinha tivesse de volta sua saúde. Em seu íntimo, sabia o que tinha ocorrido para que sua sobrinha se encontrasse naquele estado doentio. Pediu que a mesma ficasse quieta e então passou a orar em silêncio. Após alguns instantes, cerca de três quartos de hora, Adélia já se sentia sem os sintomas desagradáveis que a acometia. Poder-se-ia dizer que estava ótima de saúde não fosse a dor de cabeça que a levara à busca de remédio.
- Que aconteceu comigo, tia? Quis saber.
D. Eulália, esboçando leve sorriso, sentenciou:
- Não Fique preocupada, não! Digamos que foi uma dessas “crendices populares” que lhe pregou uma peça. Finalizou a conversa dando um forte abraço na sobrinha, ministrando-lhe o bendito analgésico.







                                               Otaviano Maciel de Alencar Filho
                                  (Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

A Festa dos vegetais

                                            

 
Uma lenda saborosa...



Houve um tempo em que os vegetais viviam como os seres humanos vivem hoje. Cada espécie tinha os seus afazeres e assim todos levavam uma vida muito parecida com a que nós, humanos, levamos hoje em dia. Foi um tempo distante, mas muito distante do tempo atual, sequer a mãe Terra imaginaria abrigar seres como nós, humanos.
Entre eles, a vida social, entretanto, tinha lá os seus problemas. Como suas variedades eram muito grandes, ficava difícil uma convivência amistosa entre algumas espécies. Por exemplo: Como árvores de grande porte poderiam conviver com as espécies menores sem que lhes causassem algum tipo de desconforto? Um problema crucial era justamente os acidentes provocados pelas “pisadas” que as plantas pequenas e as gramíneas recebiam constantemente. Além disso, ficavam privadas da luz solar, e assim não realizavam a fotossíntese, indispensável à vida orgânica.
Após muitas discussões a respeito de como se daria a convivência social entre as diversas espécies, ficou definido que cada espécie se estabeleceria em áreas específicas: as árvores frutíferas formariam os pomares, as hortaliças as hortas, outras árvores formariam as florestas, outras tantas formariam os mangues e assim por diante, cada qual segundo suas espécies.
Vamos falar de um caso acontecido com a espécie que, com o passar dos milênios, e após o surgimento da espécie humana, tornou-se uma das mais apreciadas por esta, por ter grande serventia na culinária: As hortaliças.
Essa espécie era uma das que melhor conviviam entre si. Sentiam-se portadoras das melhores benesses que a terra poderia lhes dar: um solo arenoso cheio de nutrientes capazes de lhes garantir uma existência glamorosa.
De tempos em tempos, eles promoviam festivais ornamentais onde todos se divertiam durante um mês. Em um desses festejos, talvez o maior já realizado, aconteceu algo de inusitado, e que foi prejudicial e decisivo para a convivência pacífica entre todos da classe.
No dia da festa estavam de prontidão na entrada da horta, servindo de porteiros, o Inhame e a Abóbora. Ambos garantiriam somente a entrada de hortaliças no interior do terreno. O Inhame exibia sua robustez, enquanto a Abóbora sentia-se orgulhosa em mostrar as suas curvas lisas e definidas.
Os convidados foram chegando e logo adentrando ao terreiro.
Primeiro chegou o Espinafre, seguido da Berinjela, depois a Ervilha, o Cheiro-Verde, que logo foi soltando um aroma peculiar, logo depois veio a Pimenta, que sem querer encostou-se ao Quiabo, causando-lhe uma pequena queimadura, levando-o a ter alguns espasmos e babar-se todinho. A situação foi logo controlada com a chegada do Agrião que, com sua ação refrescante, diminuiu a dor causada pela queimadura. Logo depois veio a Alface que, juntando toda essa meleca, com uma de suas folhas, foi deixar essa sujeira em um lugar reservado.
As horas foram passando e mais convidados chegando. Lá pelo meio dia chegou a Acelga, o Tomate, o Chuchu, o Maxixe e logo depois a Cebola, que teve sua entrada “barrada” pelo Inhame e a Abóbora. A Cebola quis saber o motivo que a levara a ser detida à entrada da festa.
 - Por que não posso adentrar? Sou uma hortaliça. – Afirmou a Cebola!
O Inhame respondeu que estava acatando ordens da organização da festa, e que tinha em mãos a relação dos convidados, e seu nome não constava na lista, portanto, não podia fazer nada a seu favor.
Constrangida, a Cebola afastou-se da fila, que já estava enorme e começou a chorar, exalando um odor muito forte!
Depois desse infeliz episódio, os convidados restantes foram entrando no recinto, a saber: O Pimentão, a Rúcula, o Melão, A Beterraba e o Alho que também foi detido antes de entrar para a festa. Nova confusão. O Alho, todo “roxo” de raiva, começou a soltar um cheiro muito forte e desagradável. Não conformado com a proibição, quis saber quem era o responsável pelo festim e que o mesmo viesse a público e revelar o motivo dessa decisão. A Cebola enxugou as lágrimas e juntando-se ao amigo Alho, ficou aguardando a resposta dos guardiões da entrada.
- Sinto muito, não podemos ir de encontro às ordens dada pela Mostarda, que os retirou da lista de convidados, alegando que o odor exalado por você e a Cebola poderiam prejudicar o evento. - Falou com um embargo na voz a Abóbora.
Os convidados restantes e os que haviam entrado para a festa ficaram revoltados com a decisão tomada pela Mostarda e resolveram todos irem até ao centro da horta onde ela se encontrava situada.
- Mostarda, não está certo você “barrar” a entrada de nossos amigos Cebola e Alho. Nós não nos importamos com o odor que eles soltam, antes de tudo eles são nossos amigos. Qual de nós não tem características próprias? Você, por exemplo, não dá frutos que têm sabor picante, ainda que suave?  Ademais, você, enquanto árvore, não se encaixa na categoria das hortaliças. Seus frutos, estes sim, é que fazem que você possa ser considerada de nossa família, portanto quem não deveria estar aqui, seria você. – Falou a Ervilha, encorajada!
A Mostarda, envergonhada com a absurda decisão tomada, voltou atrás e permitiu a entrada de toda e qualquer hortaliça. Foram tantas que não dava para contar nos dedos das mãos e dos pés!
E a festa continuou com os mais diversos sabores e odores.





                            Otaviano Maciel de Alencar Filho
                         (Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Fiat lux





Haja luz!
E o som celestial
Como em uma orquestra colossal
Ferindo os tecidos espaciais
Em matizes infindáveis!
E as nebulosas em contorcionismo fenomenal
Dançando em ritmo acelerado
Deram início ao “sem começo e sem fim”!
E o tempo... Sem tempo!
Sem trégua!
E em cada canto sem canto
O canto se fez presente
Inundando o ausente/presente!
E os sóis resplandeceram
Nas turvas imensidões!
E os mundos foram surgindo!
E a poeira estelar no infinito se dissipou
Nos espaços sem fim!
E o eterno recomeça
Em cada canto sem canto!
Contínuo parafuso sem fim...





Otaviano Maciel de Alencar Filho
(Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

Mentiras e mais mentiras

                                         Atualmente vemos ordinariamente na imprensa escrita assim como nas mídias digitais, infor...