sábado, 22 de dezembro de 2012

Antes do fim do mundo




               



O ano de 2012 inicia-se trazendo com ele a expectativa de dias melhores. Rumores de que o ano que se inicia será marcado por inúmeras calamidades não são suficientes para que a maioria da população do mundo faça coro com uma minoria que, de tempos em tempos, surge trazendo revelações catastróficas acerca do fim da existência humana no planeta em que habitamos.
O imaginário profético dessas criaturas é rico em detalhes em relação à hecatombe prevista para o final dos tempos.  Desde a passagem de um astro gigantesco que perambula pela nossa galáxia, que alguns o denominam “Nibiru” ou planeta “X”, que com sua proximidade com a terra deslocaria o eixo terrestre, verticalizando-o e promovendo catástrofes inimagináveis pelos seres humanos a terremotos e consequentemente tsunamis, que varreriam quase a totalidade dos seres viventes da face do planeta. Contudo, pequena parcela da população não precisaria se preocupar, pois naves interestelares do comando galáctico de nosso sistema estariam de prontidão, abduzindo os “escolhidos” e levando-os a outros orbes, onde continuariam suas “missões”.
Nos dias atuais, o fim do mundo ganha maior notoriedade devido a uma profecia atribuída aos povos maias. Segundo os profetas de plantão, os indícios do trágico fim estariam registrados no calendário maia, que tem seu fim no dia 21 de dezembro do corrente ano.
                      Os maias creditavam ao tempo o fator cíclico, dessa forma os acontecimentos naturais terrestres e celestiais eram registrados em calendários que obedeciam a uma contagem cíclica e periódica. Assim, de tempos em tempos um novo ciclo iniciar-se-ia. O ano que ora estamos vivenciando é, pois, segundo a cronologia maia, o final de um desses ciclos. Embora especulações variadas em torno do assunto, feitas por pseudo-sábios, afirmem que 2012 será um ano em que ocorrerão abalos sísmicos em grande parte da Terra, ocasionando tsunamis com ondas gigantescas invadindo as terras mais baixas e inundando os continentes, nada disso é corroborado nos escritos maias, de vez que ali somente é relatado o final de um ciclo e o começo de outro, ficando tudo mais o que for dito a respeito creditado à imaginação de formadores de opinião que, sem nenhum escrúpulo, aviltam a própria consciência, levando suas teorias sem fundamentação histórica, antropológica, sociológica e das demais ciências em geral a seus incautos seguidores que se permitem as mais diversas influenciações, muitas vezes perniciosas ao bem estar e a manutenção da ordem pública e social.
Não é de hoje que os “Profetas do apocalipse” intentam êxito nos prognósticos feitos em relação à ordem natural dos acontecimentos.
O fim do mundo já foi dado como certo em várias épocas no passado, decepcionando adivinhadores que, não se dando por vencidos, mudavam periodicamente as datas da provável extinção planetária.
 Lembro-me de que quando era criança, ouvia minha avó materna afiançar o fim do mundo para breve, e que dessa vez o mesmo acabaria em chamas, de vez que no passado o mesmo já havia acabado com água. Fazia alusão ao dilúvio bíblico. Dizia também que o mundo não chegaria ao ano 2000. Infelizmente ela não viveu o suficiente para ver a chegada do terceiro milênio.
Enfim, ultrapassamos mais uma barreira místico-temporal e nos encontramos no fatídico ano de 2012, mais precisamente no dia 18 de dezembro, e enquanto escrevo estas linhas fico a imaginar como será a noite do dia 20 para o dia 21.                                                                                                  
Será que as pessoas conseguirão ter uma noite e um despertar tranquilos? E no decorrer do dia 21 teremos um dia normal com pessoas indo às compras as vésperas do natal?
Enquanto refletia sobre o assunto, lembrei-me de um colóquio que tive com alguns colegas de trabalho, dias atrás:
- O que vocês pensam sobre a estória do fim do mundo para o próximo final de semana?  Perguntei.
- Não acredito nisso, é só mais um meio de enganar o povo e tirar a atenção das barbáries que são impostas aos povos menos favorecidos. – Respondeu Álvaro, rispidamente.
- Sei não... Vai que de tanto marcarem o final dos tempos, dessa vez o fato se consuma e ai nem comemoraremos o Natal e o réveillon.  Que tal celebrarmos as duas datas na noite do dia 20? – Indaguei, brincando, e esperei a sua reação.
Qual não foi minha surpresa com sua resposta:
- De minha parte, sinto muito, não vai dar.
- Não, por que não?- Tornei a perguntar.
- Estou “duro”, não tenho dinheiro para arcar com o rateio das despesas com a alimentação e as bebidas. – Respondeu de imediato.
- Mas o pagamento do mês vai ser antecipado e não vejo motivo para você não participar. – Falei, tentando “tirá-lo de tempo”.
- Está sabendo qual vai ser o dia do pagamento? – Dirigiu-me esta pergunta, demonstrando sarcasmo no falar.
- Não! – Respondi.
- Dia 21 de dezembro. – Finalizou!




                                  Otaviano Maciel de Alencar Filho

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sou Assim





 
Meio triste, meio contente.
Às vezes meio ausente!
Diferente de muita gente.
Talvez seja um dissidente!

Pessoas há que gostam de mim.
Outras nem tanto assim!
Nem sempre digo que sim,
O não também tem seu fim!

Perscrutador, exímio observador!
Agindo tal qual viajor.
Buscando na vida o labor,
Sem desdenhar seu valor.

                                                            Assim vou vivendo sem dor,
                                                            Sem traumas e sem temor!
                                                            Cantando com muito fervor,
                                                            Frases que lembrem amor!



                                                        Otaviano Maciel de Alencar Filho

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O verdadeiro amor


O dia amanhecera, e com ele, os primeiros raios de sol começavam a banhar de luz a capital “Alencarina”, terra da luz, terra do sol, que começava a despertar de uma noite cheia de “agito”, característico das grandes cidades. O vai e vem das pessoas, que no início do dia é compassado, aos poucos dava lugar à agitação comum às grandes metrópoles. A Praça do Ferreira, local turístico muito frequentado por visitantes de outros estados, além é claro, do povo cearense, situada no coração da cidade, aos poucos se apinhava de pessoas. Os bancos do logradouro logo lotavam, e se falassem, denunciariam as confissões, os segredos ou mesmo os impropérios ditados aos jogadores e seus respectivos times de futebol.
Em um banco mais afastado do centro da praça, encolhido e mergulhado em íntimas conversações, um jovem aparentando vinte anos de idade, não chamava a atenção dos passantes e sua presença seria ignorada não fosse a atenção dispensada por um velhinho, que se aproximando, procurou entreter diálogo com o mesmo.
- Notei que está muito pensativo, observo-o há alguns minutos e posso ver a tristeza em seu semblante, talvez queira conversar um pouco com um velho já mais experiente na vida. – Disse o senhor puxando conversa.
- Não, o senhor não pode me ajudar, sinto muito, agradeço o interesse, mas ninguém poderá prestar-me auxílio.
O velho insistiu na conversa.
- Talvez você esteja errado, é sempre de bom alvitre dar atenção às experiências narradas pelos mais velhos.
O rapaz decidiu então abrir seu coração ao bondoso ancião.
- Sinto a falta de minha noiva, que repentinamente decidiu viajar para o exterior, em busca de “subir na vida”, como ela mesma dizia, já que é modelo fotográfico. Mesmo jurando fidelidade e que voltaria para meus braços, sinto-me desolado. Ela não poderia fazer isto comigo. Eu que, desde o início de nosso namoro, dediquei minha vida para ela e nossos sonhos de uma vida a dois?!
- Sinto muito meu jovem, não obstante, sei o que é um coração dilacerado pela ausência de quem amamos, junto de nós. Explicarei melhor: Quando tinha aproximadamente a sua idade, fiquei loucamente apaixonado por bela moça, no entanto ela não dava a mínima para os meus sentimentos, pois eu era de uma família pouco abastada, e ela de uma família da alta sociedade. Enlouqueci, quando soube que casaria com um de meus amigos. Fato que se consumou! Desde então, não deixei mais de atormentá-los. Mandava-lhe bilhetes, solicitando encontros ilícitos que, naturalmente, eram rejeitados por ela, deixando-me ainda mais furioso. Sua vida virou um inferno. Seu esposo dizia que tudo era culpa dela, pois se ela quisesse colocaria um fim nessa situação. Não demorou muito e o casamento desmoronou. Fiquei feliz com o acontecido, acreditando que a mulher dos meus sonhos, agora, seria presa fácil das minhas novas investidas de Don Juan. Porém as coisas não sucederam como eu desejava. Minha bela amada adoeceu com a separação e entrou em profundo ostracismo, não se relacionando com ninguém, caindo em severa depressão, isolando-se do mundo, inclusive tentando o suicídio. Foi somente então que vi o quanto eu estava errado em querer tê-la para mim. Não suportando vê-la neste estado deplorável, resolvi deixar de lado todo o meu orgulho e egoísmo insano e passei então a tentar a aproximação dela e de seu ex-marido, o que consegui depois de algum tempo. Após vários encontros com o meu antigo rival e desafeto, mostrei-lhe o meu arrependimento e pedi-lhe perdão por meus desatinos. Os dois reataram e passaram a viver uma vida próspera e cheia de felicidades. Depois desapareci de suas vidas e fui buscar minha felicidade junto à outra pessoa que realmente me amasse. Hoje, já quase no final de minha vida, compreendo que amor é muito mais que paixão, desejo ou algo que o valha. Por isso, meu jovem, não sofra nem a faça sofrer, impedindo-a de seguir sua vida. Se a moça tiver de ser sua companheira de jornada terrena, ela certamente será! Não amargue um futuro cheio de remorsos por não ter proporcionado a felicidade de alguém, em detrimento de um sentimento egoísta desvairado!
O rapaz agradeceu as palavras de estímulos e despediu-se, deixando a praça.
Passados seis meses após o ocorrido, a jovem retorna do exterior, após ter assinado contrato de trabalho com uma grande grife de confecções, para a divulgação da marca, aqui no Brasil. agradece ao noivo sua compreensão quanto a sua ausência nos últimos meses, firmando compromisso de que de agora em diante os dois ficariam juntos, para sempre, pois ela o amava bastante!



                                       Otaviano Maciel de Alencar Filho

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A seca e a escassez de educação



A seca que insiste em castigar incessantemente o sertão cearense não dá trégua. O semblante do trabalhador rural denuncia o sofrimento ocasionado pela escassez do elemento primordial à vida: A água! Não resta outra opção a não ser apelar aos céus na esperança de dias melhores. O santo padroeiro do estado do Ceará, São José, a cada ano passa a ter mais devotos que suplicam, em preces, sua interseção junto ao Pai Maior em favor de uma causa nobre, que é a solução do problema da escassez de chuvas no interior do estado. Enquanto a resposta do Alto não vem, o poder público, no seu eterno faz de contas, acredita minimizar esse tormento aplicando medidas paliativas, que a rigor em nada satisfaz a necessidade da população interiorana. A solução imediatista é o emprego dos chamados carros pipas, que levam água àquelas cidades mais afetadas pela prolongada estiagem. Porém, isso só não é suficiente, aliás, não é o bastante, uma vez que o consumo de água não é somente para saciar a sede abrasadora que desnutre e definha o corpo do já calejado sertanejo. O líquido precioso também é usado para cozinhar, lavar as roupas e os utensílios do lar, além do banho.
A obstinação em não se aplicar políticas públicas que atendam a necessidade do povo, é resultado de anos e anos de mandos e desmandos, herdados da época do “coronelismo”, quando em busca de votos, em épocas de eleição, as promessas milagrosas de solucionar as dificuldades do “rebanho eleitoreiro” eram postas em pautas e dadas como solução iminente. As coisas não mudaram muito até os dias de hoje. Apesar de o cenário político-social ter avançado em alguns setores, faz-se ressentir de ações voltadas para liquidar de vez a problemática do abastecimento de água nos lugares mais distantes das sedes dos governos. Será que se a capital do Ceará estivesse localizada, por exemplo, no município de Salitre, haveria falta de água?!
A perfuração de poços artesianos nas regiões atingidas pela estiagem, tem sido alternativa na busca de solucionar o problema, enquanto são cogitadas outras formas de atuação ostensiva, como a transposição de águas de rios perenes como o São Francisco, por exemplo. A dificuldade maior é que a água obtida nos poços é salobra, ou seja, a taxa de salinidade é alta. Isso faz com que esses projetos, segundo os órgãos responsáveis, não sejam viáveis em algumas localidades.
Enquanto isso o povo aguarda a resposta do Alto, olhando para o céu, na esperança de surgirem nuvens carregadas de água, própria para o consumo.
Alguns habitantes dessas regiões, ignorando as técnicas e recursos existentes na atualidade, no que diz respeito ao tratamento desse tipo de água, desabafam:
- Não adianta perfurar um poço aqui, pois a água não presta, é salobra!
Outros asseveram:
- Se o caminhão pipa viesse mais vezes, seria bom! É preferível andar umas léguas a mais a ter que utilizar essa água!
Esse é o tipo de discurso que qualquer candidato, sem escrúpulos, a uma vaga no poder público almeja escutar.
Não se pode cobrar muito de quem já sofreu o bastante em sua romagem terrena!
No entanto, basta lembrarmo-nos que em Israel, onde as condições climáticas são ainda mais críticas que as do nordeste do Brasil, o problema de abastecimento de água foi resolvido. E, diga-se de passagem, é modelo de gestão de recursos hídricos para o mundo. No território israelense foi construída a maior usina de dessalinização por osmose reversa do mundo. A água proveniente do mar mediterrâneo é então tornada potável e distribuída à população!
Os gestores públicos, em especial os vereadores, pessoas como nós, que alcançaram o status e a posição privilegiada em que se encontram graças a nossa confiança depositada neles através do voto, têm o dever de honrar com as suas devidas atribuições, tais como: Lutar pela construção e funcionamento de escolas, instalação de energia elétrica, pavimentação de vias públicas urbanas, perfuração e funcionamento de poços tubulares, abastecimento de água, etc...
Lembrando das palavras do Cristo, o sertanejo religioso comenta em tom baixinho com o turista, que se encontra ao seu lado, enquanto oram, na igreja:
- Amigo, Jesus disse: "pedis e obtereis". Tenho fé que dias melhores virão!
O visitante, reticente, disse:
- Não basta ter fé, também é importante instruir-se. O maior pecado é a ignorância e o seu maior castigo é o sofrimento!
O sertanejo olhou meio desconfiado. Em sua humilde condição de iletrado, mas não de burro, entendeu o que o visitante quis dizer, e, olhando nos olhos dele, tascou: Daqui em diante ninguém me põe mais cabresto!



                                               Otaviano Maciel de Alencar Filho




segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A senhora e o moço



Vida difícil a de quem tem que pegar transporte coletivo todos os dias para ir trabalhar. Será que alguém ainda tem dúvidas a respeito dessa afirmativa? Acredito que não! Mesmo assim, deixo margem a quem quer que queira para discordar do que acabo de afirmar. Sou catedrático nesse assunto. Espere um momento! Acho que falei o que não devia, ou melhor, escrevi o que não queria. Não, pensando bem fui um tanto egoísta quando afirmei ser um ‘catedrático no assunto’, dando a interpretações diversas o que acabei de afirmar. Afinal de contas, somos, nós, milhões de brasileiros, usuários do sistema de transportes coletivos urbanos, seja ele público ou de concessão à iniciativa privada, experientes nesse setor, quando o assunto é a dificuldade de se tomar um ônibus, um trem, uma van, uma topic, etc. Filas enormes nos terminais de integração . Isso sem falar na volta para casa depois de um dia de trabalho estafante.
Ônibus lotado. Sequer dava para respirar!
De pé, logo ali, um pouco afastado do assento do motorista, eu me encontrava nessa situação. O vai e vem do coletivo, causado pelas freadas bruscas efetuadas pelo condutor do veículo, dava a impressão que estávamos nós, passageiros, todos em um desses brinquedos que a gente encontra nos parques de diversões. Sentados na cadeira ao meu lado, se encontravam dois jovens rapazes, aparentando uns vinte e poucos anos de idade. Ao meu lado, também em pé, estava uma senhora, que pela aparência física denotava ser uma pessoa de idade avançada. Muito natural, portanto, que um dos rapazes oferecesse o lugar para a distinta senhora se acomodar e sair do aperto em que se encontrava. E foi o que aconteceu.
Não imaginava, porém, que a partir daquele momento fosse ser travado um diálogo dos mais inusitados já presenciados por mim, dentro de um coletivo. Já acomodada na cadeira, a senhora sentiu-se mais aliviada. O jovem sentado à seu lado, deixando transparecer que estava sentindo um odor nada agradável, fazia gestos para o colega que agora estava de pé. A senhora percebera que a atitude tomada pelo mesmo, tinha algo a ver com ela. No entanto, o moço não contendo a insatisfação de ter que suportar algo tão desagradável, desabafou:
- Não é possível que as pessoas não tomem um banho antes de adentrarem em um coletivo para voltarem as suas casas. Deveriam no mínimo usarem esses desodorantes de rolo! São tão baratos!
Falando, desse modo, se eximia da responsabilidade de estar direcionando sua insatisfação à senhora, e sua queixa, dessa forma, seria direcionada a qualquer um que se visse incomodado com seus reclames. Contudo, a senhora notara a malícia contida nas entrelinhas de seus queixumes.
- Tem gente que sequer ganha o suficiente para se alimentar, – Disse ela, tentando por um fim na conversa. Não suspeitava ela, que o embate apenas começara.
Não tem jeito mesmo, quando se trava uma discussão, cada parte envolvida não mede esforços na tentativa de provar que está com a razão. E eu, no meu lugar, sem levantar um pé, para não correr o risco de quando quiser colocá-lo no local novamente, pisar em cima de outro, já colocado no lugar em que o meu estava anteriormente!
O moço, agora, já não podia mais esconder que estava se referindo a ela, e disse:
- Por menor que seja o salário recebido por alguém, é inadmissível que não se possa comprar um rolinho de desodorante!
- A culpa é do governo que determina uma miséria de "salário mínimo" a ser pago ao trabalhador... Mesmo assim, um mal cheiro a mais ou a menos não faz diferença para quem não tem condições de comprar nem o que comer. – Desabafou a senhora.
- Então, a senhora não gosta do que faz?
- Não considero justo o quanto ganho. Acho injusto passar o dia inteirinho dando de tudo, para no final do mês receber uma miséria de salário.
- A senhora acredita em Deus?
- Claro!
- Então! E na Bíblia?
- Não do jeito que muitos creem! O que a bíblia tem a ver com isto?!
- Ué, nos ensina a suportar as dificuldades que a vida nos impõe. A Bíblia é a palavra de Deus!
- Como crer integralmente em algo que foi escrito por mãos humanas, que não raro sofreu intervenção por parte de quem escreveu algumas de suas passagens. É verdade que eu creio em Deus, e que na Bíblia existem muitas verdades e virtudes, isso é o que me interessa. Do que adianta andar com o livro sagrado debaixo do sovaco e não ser solidário para com o próximo?
- Mas quem faz isso prestará contas com Deus no dia do juízo final! – Insistiu o rapaz!
O diálogo foi, cada vez mais, ficando acalorado, e confesso, estranhei que com tanta gente dentro do coletivo ninguém interviesse no assunto.
E onde foi parar a celeuma em torno do mau cheiro?
Sinceramente, não sei, pois o ponto em que devia descer já estava próximo, e fui me adiantando até a porta de descida do ônibus. Desci. Dei graças a Deus! Só posso dizer que desse acontecimento tirei mais uma lição de vida: Não podemos forçar ninguém a mudar de comportamento e muito menos aceitar nosso ponto de vista acerca do que temos como verdadeiro. Só o tempo dirá se estamos ou não com a razão.



                                              Otaviano Maciel de Alencar Filho

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Amor... eterno amor!






Valter e Jane formavam um casal que poderíamos designar de “perfeito”. A identidade de gostos e o respeito mútuo que havia entre os dois não permitiam especulações daninhas por parte de pessoas inescrupulosas que vivem falando mal da vida alheia. A união matrimonial, que chegara às bodas de ouro, reforçava cada vez mais o comprometimento assumido décadas atrás. Cinco décadas de dedicação e renúncia de ambas as partes indicavam que o caminho a ser trilhado por todos os casais que almejam um relacionamento tranquilo e sem dissabores, é árduo. O amor existente entre os dois não se ressentia do ciúme doentio, que avassala grande parte dos corações enamorados. A cumplicidade afetiva tornava-os “um só”.
Certo dia, demonstrando forte emoção, Jane dirigiu a Valter palavras que carreavam profundo sentimento de amor e renúncia:
- Querido, já faz cinquenta anos que estamos casados e não somos mais aqueles jovens de outrora, cheios de vivacidade, daqui a alguns anos, mais cedo ou mais tarde deixaremos o nosso mútuo convívio, indo habitar outros planos existenciais, e se existe oportunidade de vivenciarmos novamente a experiência em novo corpo, após esta existência, tal qual apregoa as doutrinas reencarnacionistas, rogarei a Deus a oportunidade de estar novamente ao seu lado.
Dos olhos de Valter, lágrimas foram vertidas e rolaram sobre a face marcada pelas rugas adquiridas pelo tempo, ao mesmo tempo em que agindo tal qual criança balbuciava palavras trêmulas, manifestando o seu temor por revelação tão inusitada.
- Suas palavras estão me deixando preocupado, por que essa conversa tão repentina?- Indagou.
Neste instante os olhos de Jane marejaram, e com embargo na voz, acentuou:
- Meu amado, devemos estar preparados para tudo nesta vida, não sei como explicar, contudo o amor que nos une não me permite deixar de agir com sinceridade para contigo. Faz algumas semanas que me sinto estranha, como se aos poucos minha vitalidade estivesse esvaindo-se.
- Não fale assim, Jane. Você está muito cansada. Vá deitar um pouco e quando acordar iremos passear no bosque, à tardinha! – Disse ele, beijando-lhe a fronte.
Passadas algumas horas, Valter dirigiu-se ao quarto e se deparou com um quadro estarrecedor: Sua amada encontra-se inerte sob os lençóis. Desesperado, tenta reanimá-la. Foram inúteis as tentativas. Neste momento chega Dona Anália, vizinha e amiga do casal, fazendo esforço para acalmar o cônjuge inconformado. Os filhos foram avisados do acontecimento trágico e tomaram as providências necessárias. Nada mais podia ser feito a não ser levar a vida adiante. Valter aceitou o convite de sua filha e foi morar com ela, o genro e dois netos.
A vida estava retornando à normalidade, quando outro episódio trágico assolou a família: Valter sofreu um infarto do miocárdio, e não resistindo, veio a falecer numa manhã de primavera.
No início dos anos oitenta, em um baile comemorativo de conclusão de curso universitário, dois jovens, amigos de infância, entabulam conversa animada:
- Eduardo, meu amigo, como está a vida afetiva, já se amarrou” em alguém?
- Que conversa é essa Guilherme, esse negócio não é pra mim. Ainda não encontrei a minha outra metade! Sabe, né?!
Nesse ínterim, uma bela moça se aproxima dos dois, era Renata, uma garota que estava “ficando” com Guilherme, e abraçando-o, exclama:
- Que bela amizade existe entre vocês, sempre que os vejo estão juntos, sinto até inveja, afinal o Dudu passa mais tempo com você, que você comigo! – Falou, soltando um sorriso maroto.
- Não precisa ficar com ciúmes Renata, afinal, nós três somos amigos desde a infância. - Retrucou Eduardo.
- Humm! Tomara!
A verdade é que Renata sabia da preferência sexual de Eduardo por companhia do mesmo sexo, e isso às vezes a incomodava, mesmo sabendo que Guilherme não compartilhava da opção sexual de seu amigo. Mas Eduardo não dava trégua, estava sempre presente no lugar em que ela e Guilherme estivessem.
O relacionamento de amizade entre os dois vinha desde a infância, quando a família de Guilherme foi morar em uma casa próximo a de Eduardo. Desde a infância Eduardo demonstrava aptidão aos afazeres direcionados preferencialmente ao sexo feminino, o que foi se acentuando na adolescência, chegando à juventude. Esse modo de viver de Eduardo nunca o incomodou. O que Guilherme apreciava no amigo, era exatamente o respeito dispensado por ele. Nunca, em algum momento, ele se insinuou, faltando-lhe com o devido respeito. Eduardo, porém, sofria muito, pois ele sentia pelo amigo mais que uma simples amizade, contudo guardaria consigo todo este sentimento atroz.
No Final do ano de 1982 Eduardo sofreu um acidente automobilístico e ficou meses em coma, em um leito de hospital. Guilherme e Renata passaram a fazer vigílias no hospital, acompanhando o amigo. Já fazia seis meses e duas semanas e nada de Eduardo dar sinais de saída do estado de inércia, quando, de súbito, ele começou a falar com muita dificuldade frases desconexas:
- Valter, meu amor onde está você. Procuro-o e não o vejo. Sinto você perto de mim, mas onde?
- Eduardo, pode ouvir-me? – Perguntou Guilherme.
- Não me chamo Eduardo, sou Jane e onde está Valter?
Os dois entreolharam-se, sem entenderem o que se passava. Chamaram o médico de plantão e relataram o acontecido. O profissional tranquilizou-os, afirmando que os pacientes que se encontram neste estado têm alucinações, pois o cérebro está em total desarranjo.
- Entretanto, o mais importante é que o paciente está dando sinais de recuperação! – Acentuou o médico.
Passados dois meses depois deste acontecimento, Eduardo já se encontrava em seu apartamento, em pleno restabelecimento de sua saúde.
No final dos anos oitenta Guilherme e Renata contraíram matrimônio. Eduardo e Márcia, amiga do casal, foram os padrinhos de casamento.
Eduardo continua solteiro. A amizade com Guilherme e Renata ficou ainda mais sólida. Com certeza eles formam uma verdadeira família, com sentimentos baseados na lei de amor, fraternidade e solidariedade!




                           
                                            Otaviano Maciel de Alencar Filho
                           (Copyright© 2012 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

sábado, 30 de junho de 2012

A menina e a lagarta


O outono chegara, e com ele o espetacular fenômeno inerente a essa estação do ano: a queda das folhas das árvores, que, sem suficiência de nutrientes ficam amareladas e caem no chão, deixando-o com o aspecto de um imenso tapete de cor amarelo queimado. O clima mais ameno permitia às pessoas caminharem nos bosques sem se preocuparem com a exsudação excessiva, que caracteriza as caminhadas efetuadas no verão.
Em um bosque situado nos arredores de pequena cidade interiorana, situada em terreno de várzea, encontramos Victória, uma menininha de sete anos de idade, acompanhada pelos pais. Tinha cabelos longos, encaracolados da cor de mel. A Vivacidade e ternura eram visíveis, e se estampavam em seu lindo e meigo rostinho.
Caminhavam alegremente entre árvores e arbustos, quando algo na vegetação chamou a atenção da guria: 
- Papai, olhe que linda lagarta! Posso levá-la para casa?
O pai da garotinha, responde:
- Meu anjo, ela realmente é de uma beleza indescritível, contudo, observe esses minúsculos espinhos que a envolvem. São mecanismos de defesa que ela utiliza para se defender, quando querem apanhá-la. Eles segregam uma substância nociva, que em contato com o corpo de outros animais causa irritação, podendo em alguns casos levar o predador à morte. Nos seres humanos causa irritações e o local fica bastante dolorido! Sabia que seu apelido é “lagarta de fogo”?
- Puxa vida, papai, mesmo assim eu gostaria de criá-la como se fosse meu animalzinho de estimação. Prometo não tocá-la, ficarei observando ela de longe, no nosso jardim!
- Filhinha, não podemos levá-la, pois seu lar é este bosque, se a retirarmos do seu habitat, certamente ela morrerá!
A pequena Victória, constrangida, esboçou carinha de choro. O papai coruja olha para sua companheira, que agora abraça a filhinha em prantos. Buscando mentalmente uma solução para o episódio, abraça ambas. Passados alguns instantes, após tentativas infrutíferas de consolo, uma idéia saltou em sua mente:
- Olhe, Vivi, façamos o seguinte: todas as manhãs viremos até aqui, visitar a “Dona lagartinha”. Você concorda? – Perguntou, acariciando a bela cabeleira da pequerrucha! 
- Sim papai, amanhã cedinho vamos trazer um lanchinho para ela, está certo? – Inquiriu a pequena mocinha em sua infantil ingenuidade!
- Certíssimo, agora vamos indo que já está quase na hora do almoço e você tem escola à tarde.
Os três deixaram o bosque e voltaram para casa.
Nos dias seguintes, como combinado, todas as manhãs tinham encontro marcado com pequena taturana.
Passaram se duas semanas, e certo dia, quando chegaram ao local em que a lagarta costumava ficar, não a encontraram. A garotinha procurou-a nos arredores e não a encontrando, ficou desapontada. Seus olhinhos, já marejando, buscaram consolo nas assertivas do pai, que de pronto explicou o motivo de ela não se encontrar no local onde habitualmente ficava.
Apontando em direção ao pequeno arbusto falou:
- Observe isto dependurado no galho deste pezinho de limão. Trata-se de um casulo. 
Continuando as elucidações, enquanto Victória ouvia com atenção suas sábias palavras, arrematou:
- Depois de algum tempo as larvas (lagartas) produzem fios de seda, que elas utilizarão na confecção do casulo em que ficarão dentro dele, até que seja chegado o momento da total transformação em borboletas! A isso chamamos de metamorfose!
Sem deixar que o pai termine as explicações, ela observa:
- Mas o casulo está sem nada dentro, cadê a borboletinha? Será que algum besouro comeu a “bichinha”?
- Não, Victória, o mais provável é que ela tenha voado para bem longe daqui.
- Mas eu quero minha borboletinha, não saio daqui sem ver minha amiguinha. - Retrucou a menininha!
- Sinto muito, meu amor, mas temos que ir. 
Tomando a mão da pequenina, retirou-a do local em que se encontravam, indo em direção a saída da mata.
A mocinha, desolada, desabou em lamentações. Repentinamente algo de inusitado aconteceu: Uma linda borboleta multicolorida ficou sobrevoando em seu redor e depois foi pousar em seu ombro direito.
Imediatamente o sorriso voltou a se estampar naquele belo semblante; e enquanto os dois caminhavam, de volta para casa, a mariposa os acompanhava fazendo vôos graciosos. 
A garotinha exclamou jubilosa:
- Veja papai, agora é ela que vai nos visitar em casa!


                                                      Otaviano Maciel de Alencar Filho






sábado, 23 de junho de 2012

Chamado









Nas telas imensuráveis do infinito, 
Vislumbrei de longe um grito!
 
Afastei-me com receio sem par.
 
Busquei refúgio no mar.
Mar da tranquilidade. 
Mar da inquietação... Não sei!
 
Inquieto sem saber!
 
Desarvorado no saber!
Chamado pelo dever. 
Fugindo sem o saber!
Do grito, restou-me um eco no íntimo surgir! 
O eco apossou-me o Ser.
 
Sem poder deixar de ouvir,
 
Tive de sucumbir ao dever de ser!



Otaviano Maciel de Alencar Filho











sábado, 16 de junho de 2012

Até breve





Sentado na cadeira defronte sua residência, lá estava ele. Homem magro, de estatura mediana, denotando, talvez, uns cinqüenta anos de idade. Sempre com um cigarro nos lábios, demonstrava altivez e firmeza no falar. Quando vim morar na rua onde resido atualmente, quase não havia casa, mas ele já se encontrava lá, sempre debaixo de uma frondosa árvore que lhe garantia uma sombra agradável! Sou daqueles que sempre busco amizades com as pessoas; e assim sendo, sempre dirigi palavras de cordialidade para com os outros, e não seria diferente com ele. Certo dia, logo cedo pela manhã, ao passar em frente sua residência, no caminho para o trabalho, aventei um diálogo.
- Bom dia! Como vai? Tudo bem?
- Tudo!
- A moradia aqui é tranqüila, não é?
- Sim, é bastante tranquila.
Desse breve diálogo surgiu uma amizade, e sempre que passava em frente sua residência, fosse pela manhã ou à tardinha, quando regressava do trabalho, cumprimentava-o, acenando com a mão. Tempos depois fiquei sabendo que ele sofria de insuficiência respiratória, talvez pelo fato dele ser fumante. Às vezes eu o via tossindo bastante e com dificuldade para respirar.
O tempo passou! Se é que o tempo passa! Oito anos se foram de repente. Na verdade, eu, particularmente, acredito que nós é que caminhamos no tempo. Mas aí é outra estória! O certo é que o estado de saúde de meu amigo foi se agravando cada vez mais. A ida a hospitais se tornou frequente e ultimamente, quase todas as semanas tinha de voltar ao pronto-socorro. Em uma dessas consultas o profissional da área médica sugeriu-lhe alguns exames complementares, já que a medicação que ele estava administrando não estava surtindo o efeito desejado. Marcados os exames, lá foi ele.
O eletrocardiograma era desejável. O raios- x torácico indispensável! Afinal, o mesmo deveria ser avaliado em minúcias.
Estava voltando de mais um dia de trabalho quando o avisto de longe. Havia alguns dias que eu não notara sua presença em frente sua residência. Dessa vez, sentado não mais na cadeira de sempre, mas no tronco da árvore que costumeiramente ficava, o observei abatido. Ah! A árvore havia sido cortada porque havia sido infestada por um inseto. Um parasito. Agora, o que lhe restava para o descanso, era apenas o tronco, ainda fixado no chão. Sinais de debilidade e cansaço físico foram prontamente por mim observados, quando me aproximei. Então perguntei:
- Tudo bem com você?
Com o semblante debilitado e quase sem poder falar, disse:
- Que nada, rapaz! Tenho estado nos últimos dias internado.
Insisti a perguntar:
- E o resultado dos exames?
- Nem te falo! Os exames cardiológicos nada detectaram de anormal.
Fiquei surpreso!
- Então, porque se encontra neste estado? Tornei a perguntar.
- Sabe, quando o médico observou a chapa de raios x, foi enfático no diagnóstico! Coração crescido. Sim, essa é a causa do meu sofrimento.
Confesso que nesse momento fiquei com um nó na garganta. Porém, sem demonstrar sentimento de dó, o que nesse momento, só lhe causaria maiores aflições disse-lhe:
- Contudo, o tratamento agora pode ser efetuado sabendo a causa e em breve você estará restabelecido. Com relação à medicação, ele prescreveu alguma?
Falando, com sofreguidão disse:
- Claro, uma medicação ‘pesada’, tanto para controlar o aumento do volume do coração, quanto para aliviar a falta de ar.
- Que bom! Vou indo e desejo-lhe pronta recuperação.
Desci a rua, pois moro um pouco mais para baixo e o deixei em suas íntimas cogitações.
Alguns dias se passaram logo depois dessa nossa conversa.
Eis que em um sábado, logo cedo, uma agitação tomara conta da rua. Como de costume não trabalho aos sábados, aproveito para dormir até um pouco mais tarde. Quando, enfim, ponho os pés na rua, os transeuntes informam a triste notícia: O Sr. Carlos faleceu hoje pela manhã, por volta das seis horas. Fiquei triste! Não esperava por uma notícia dessas, tão de repente. Fui até sua casa e constatei que alguns vizinhos e familiares já se faziam presentes. A esposa, os filhos, - uma jovem adolescente e um garoto pré-adolescente -, inconformados com o fato, não deixavam de verter lágrimas. Estava observando o amigo, ainda no leito, quando chega o carro de serviços funerários, para cuidar da parte que lhes é relativa. Deixando minhas condolências à família, retirei-me do recinto.
O velório acontecera à tarde, entrando pela noite. O sepultamento, no dia seguinte.
Fiquei a pensar, como sempre faço em qualquer situação e, especificamente nesse caso, observei a mim mesmo:
“Não sabemos o dia nem tampouco a hora em que partiremos para o lado de ‘lá’ ”. Digo de ‘lá’, para alguns que ainda não têm certeza da continuidade da vida em outros planos existenciais. Como para mim é fato, tenho certeza que poderemos nos encontrar novamente, algum dia, no lado de lá. Quem sabe! Sendo, assim, digamos aos nossos parentes, amigos e familiares: Até breve!

                                                    Otaviano Maciel de Alencar Filho







Vida e morte



Há Vida na Morte!
Há Morte na Vida!
Há Vivos mortos.
Há mortos Vivos.

Há Vivos vivendo da Morte!
Há Mortos morrendo -de medo- da Vida!
Há Vivos que vivem morrendo - de medo - da morte!
Há Mortos que morrem vivendo!


Morte e Vida!
Vida e Morte!
Viva a Vida!
Viva a Morte!

Vida é Morte,
Pra quem não quer viver!
Morte é Vida,
Pra quem não quer Morrer!

Vida e Morte... Eternos amantes!


Otaviano Maciel de Alencar Filho



                       





A verdade




“Conhecereis a verdade e ela vos libertará”
                                                                                                Jesus Cristo 


Em vão, busca o homem moderno o conhecimento da verdade absoluta. Mas que conhecimento ele quer ter?  Porventura, estará o conhecimento encarcerado dentro de algo ou alguma coisa, esperando apenas o momento fatídico da ação do homem em liberá-lo?  De certa forma faz sentido considerações como esta que, naturalmente o compele à busca de novos conhecimentos. Levando-se em consideração a complexidade do assunto é natural que ao examiná-lo, deixemo-nos despir de preconceitos inerentes a nossa formação cultural-religiosa.
 A verdade, filosoficamente falando, não precisa de defensores. Ela simplesmente é! Não está de forma alguma sujeita ao parecer de ninguém. Falo utilizando-me da “Filosofia” e não das “filosofias” sectárias, existentes desde que o espírito humano veio habitar este pequenino globo, situado nas bordas de uma imensa constelação em forma espiral formada de bilhões de estrelas, muitas delas levando em sua órbita, um cortejo de planetas girando em seu redor. Isso sem falar nas infinitas constelações que compõem o universo visível.
Quando perscrutamos  nossa imaginação e viajamos, pelo pensamento, rumo aos confins do universo, ficamos sabendo que tudo o que conhecemos até agora, por analogia, pode ser representado como um grão de areia em relação a um deserto. Tudo bem, e o que tem a verdade a ver com isso, perguntar-me-ão. Aí é que está o ponto da questão! Suponhamos que haja civilização inteligente em outro ponto do universo que não na Terra. Tal civilização terá seus conceitos acerca de seus conhecimentos adquiridos até aquele momento. São mais inteligentes que nós, seres humanos? Talvez mais atrasados intelectualmente e mesmo moralmente. Tudo é possível para aquele que não se deixa levar pelas verdades impostas. Neste caso a verdade de determinadas civilizações seriam relativas ao conhecimento adquirido até aquele momento. A verdade é relativa a cada povo, situado no tempo, em determinada época. Espere um momento! Então não existe a verdade absoluta, tornar-me-ão a perguntar. Mas quem disse isto? É claro que a verdade absoluta existe! Mas quem terá a pretensão de possuí-la? Certamente só o Absoluto (Deus), a possui.
A história dos povos está repleta de atrocidades cometidas por aqueles que se intitulavam donos da verdade incontestável. “Verdades” que hoje sabemos serem mentiras, e “mentiras” que hoje sabemos serem verdades. 
Mas de que verdade o Cristo de Deus, Jesus, falava? A verdade não estará no respeito que devemos ter para com idéias do nosso próximo, mesmo que nos pareçam esdrúxulas? Isto não quer dizer que devemos acatá-las sem um exame preliminar, e se a consciência nos impelir a aceitá-las, deixemos de lado o egoísmo insano que devora nossas almas e adotemos como conduta de vida o exemplo de Jesus, que quando interpelado por João, que na ocasião representava os doze discípulos, a respeito da expulsão de demônios, realizada por outros que não O seguiam, e se os mesmos deveriam ser admoestados, Jesus, dotado de imensa sabedoria, simplesmente disse: Acalmai-vos, pois quem não é contra nós, é por nós!


                                                 Otaviano Maciel de Alencar Filho

Nostalgia postal



Antigamente chamavam-no de mensageiro.  Hoje em dia, de carteiro. O tempo passou, mas a rotina é a mesma. Melhor dizendo: quase a mesma! Sim, porque em um mundo globalizado, como o que vivemos atualmente, que exige do trabalhador um melhor desempenho e maior atuação no ambiente do trabalho, naturalmente, o mesmo é impelido à realização de novas tarefas que não sejam somente ligadas àquelas que habitualmente exerce. Assim, todas as atividades profissionais tendem a agregarem em si, novos valores. Notório é que os mesmos ficarão sobrecarregados de serviços, caso não haja uma política de distribuição equitativa das atividades e/ou contratação de mão de obra para que a qualidade e a continuação dos serviços não sejam afetadas.
O antigo mensageiro, que habitualmente era incumbido de distribuir as cartas que eram endereçadas a destinatários de variados locais desse imenso país chamado Brasil, hoje já não executa somente esta tarefa. Além das atividades externas, tem ele a atribuição da separação das correspondências por respectivos logradouros e distritos, para tão somente após, sair para a “entrega”.
  Com o crescente aumento da economia, devido à estabilidade econômica, as famílias passaram a ter um melhor poder aquisitivo e, desta forma, adquirir bens duráveis que antes só ficavam nos sonhos daqueles que os desejavam. 
As cartas que, antes, eram manuscritas, cederam lugar a cartas datilografadas!  Que digo eu!? Já estamos na era da informática e a antiga máquina de escrever já é objeto de museu. Então, retrato-me: As antigas cartinhas, escritas de punho, das quais muitas delas impregnadas com a emoção de quem as escreveram, disputam em uma luta sem igual, com correspondências impressas e digitalizadas: Jornais, panfletos, revistas; telegramas, faturas de cartões de crédito, contas de água, de energia elétrica, de telefone, boletos bancários, títulos para protesto, vales postais e tantos outros serviços que dia a dia passam a serem atribuições desse profissional.
Lá vai ele em sua jornada diária, atarefado, bolsa cheia.  Faça chuva ou faça sol, o carteiro sai à rua, em sua nobre tarefa de levar as correspondências até o destinatário. Seja a pé, de bicicleta, ou de moto seu maior objetivo é a entrega dos objetos postais destinados a entrega. 
- Correio,.. Correio,.. Correio!
Não pode demorar muito, o tempo é curto. Na bolsa existem centenas de correspondências para serem entregues. Os clientes aguardam ansiosamente por sua passagem na rua, e ao vê-lo:
- Tem carta para mim?
Ele responde:
- Hoje, não.
Insiste o interlocutor:
-Também, só traz conta.
E aquela senhora, de idade avançada, aduz:
- Aceita um cafezinho?
Responde enfático:
- Obrigado, deixe prá depois, estou atrasado!
Ante a resposta dada, a venerável anciã, um tanto desapontada, diz:
- Que saudades daquele tempo em que o carteiro tinha tempo para dar um bom dia! Uma boa tarde...! 
E assim, segue em frente no afã da realização de sua tarefa.


                                                 Otaviano Maciel de Alencar Filho

                                               

Socorro providencial


                   
Sentiu-se muito cansado e enjoado após fazer ligeira caminhada. Dirigiu-se até uma fonte de água cristalina que ficava no centro da praça em que fazia a costumeira caminhada matinal. Lavou o rosto e tomou alguns goles d’água. De repente, tudo começou a girar em seu redor. A vista escureceu. Desmaiou.
Enfermeiros entravam e saiam, e ele imóvel em um leito de hospital, a tudo observava sem entender o que estava acontecendo. Olhou para os lados e pode observar que havia no recinto mais três pacientes, deitados em suas respectivas camas. Fazendo esforço, para sair da inércia em que se encontrava, sentou-se na lateral do leito e chamou a enfermeira que acabara de entrar no quarto:
 - Ei, por favor, onde estou e o que aconteceu comigo?
 Aproximando-se do enfermo, disse:
 - Que bom que o senhor já apresenta sinais de melhora Sr Douglas, mas não faça esforço, deite-se novamente, não está curado totalmente. Cuide-se mais, com diabetes não se brinca. Quando você chegou aqui, estava desacordado, e com taxa de glicemia ultrapassando os 400mg/dl.
 - Diabetes, eu?
 - Talvez, mas já está tudo controlado, apenas descanse mais um pouco e à tarde o doutor possivelmente lhe dará alta.
- Quem me prestou socorro, trazendo-me até aqui? 
- Seu irmão e alguns parentes.
- Meu irmão?! A senhorita deve estar enganada, não tenho irmão, que dizer, tinha, mais faz cinco anos que ele faleceu.
- É... Devo estar equivocada, mas quando ele o trouxe, até aqui, fez questão que o senhor fosse atendido pelo Dr. Cleiton, por sinal o melhor profissional na área em que atua, portanto fique despreocupado.
A moça retirou-se do recinto, e ele logo adormeceu.
Por volta das 17:00hs ela retorna com o médico, um senhor de idade avançada.
Olhar fixo no paciente, diz:
- bem, meu amigo, vou dar sua alta, contudo preste bem atenção no que vou lhe dizer: Procure  o quanto antes fazer um exame geral, uma vez que o amigo pode ser portador de diabetes. O que fizemos aqui foi somente controlar os níveis de glicemia em seu sangue, aplicando insulina. Aconselho-o a procurar um centro de referência em endocrinologia. Boas melhoras e vá em paz!
- Douglas, Douglas, acorde... Tragam um pouco de álcool para ele aspirar, dizem que é bom para desacordar - Disse sua esposa.
Em poucos minutos ele voltava a si.
- Já estou em casa? Quem me trouxe do hospital?
- Que hospital, tá delirando? Você desmaiou e o trouxeram para casa.
Dias após este acontecimento, Douglas sentiu-se mal novamente e teve de ser levado às pressas para o hospital. Enquanto aguardava o atendimento, observou que na parede, na sala de recepção, havia um quadro com a fotografia de um homem que lhe chamou a atenção. Fazendo esforço descomunal para levantar-se da poltrona em que estava sentado, caminhou até a recepção e perguntou:
- Quem é esse senhor da foto?
 A atendente, responde:
- Esse aí é o Dr. Cleiton, falecido há pouco mais de quatro anos, foi um dos fundadores desta instituição, há mais de quatro décadas. Em sua homenagem, este hospital passou-se a denominar-se: Centro de referência em endocrinologia Dr. Cleiton Passos!


                                                 Otaviano Maciel de Alencar Filho

Peixe de asfalto



  

Coitado do peixe! Em uma poça d’água que se formara junto ao meio fio do asfalto, um peixe tentava inutilmente nadar. Ao passar pelo local, de bicicleta, de relance, o vi numa luta desesperada pela sobrevivência. Não era pequeno, e a quantidade de água acumulada no local não era suficiente para que ele pudesse respirar, afinal, o acumulo de água se dera devido a uma rápida chuva vespertina. Debatia-se em um esforço desmedido a procura de um lugar mais profundo. Como ele foi parar ali eu não sei! Continuei minha viagem. Um pouco mais a frente, não sei por que, resolvi dar meia volta e observá-lo mais calmamente. feito o trajeto inverso procuro-o, desde o começo do filete de água junto ao meio fio até o local em que eu o observara. Cadê o peixe? Sumira. Para onde ele fora em tão curto espaço de tempo? Novamente realiz o a busca de um canto ao outro, e nada. Teria eu sofrido uma alucinação? Não, eu vi um peixe. Pensei, então: talvez alguém tenha passado e o retirado do local. Hipótese descartada, pois a rua estava deserta e, até então, ninguém passara por ali. Restaram-me somente duas explicações para o sumiço o peixe: Ele adentrara no asfalto e fora em busca de água no interior da terra! Esse seria um tipo de peixe raríssimo, talvez o único de sua espécie, afinal não é todo peixe que tem a capacidade de perfurar o solo, ou então seu habitat era debaixo da terra, e ele resolveu dar uma subidinha à superfície para tomar um banho de sol. Ficou frustrado porque chovia e então resolveu voltar ao seu lugar de origem. Até hoje continuo intrigado com este acontecimento.


                                                   Otaviano Maciel de Alencar Filho

Inútil indecisão




A poesia te parece sem fim?!
Não imagine assim.

Que lhe importa a folha vazia
Sem nenhuma grafia
Se em tua mente todo o
Poema jazia?

Poetizar de trás pra frente
Talvez só em tua mente pareça ser mania.
Desdenhar esta esquisitice seria ato de tirania:
Um desfavor à beleza da poesia.


Otaviano Maciel de Alencar Filho


segunda-feira, 11 de junho de 2012

O pulo do gato


                                        


          Após um dia de trabalho estafante, o desejo de todo trabalhador ao retornar a sua casa é tomar um banho relaxante, fazer uma alimentação bem leve e depois descansar as pernas no braço do sofá, fazer a leitura de um livro ou ler as notícias do dia no “jornal de papel”, no tele-jornal, ou talvez na internet! Há quem faça opção por escutar uma boa coletânea de músicas enquanto o sono não chega.
          As horas passam e já é hora de tirar aquela bela soneca, afinal, amanhã é domingo, dia de descanso, pois na segunda feira começa tudo de novo, a mesma rotina! O abençoado trabalho reclama o compromisso assumido em favor da família e da sociedade!
          Para certa parcela da população humana, basta deitar-se e o sono logo se apodera do ser. Há, inclusive, pessoas que dormem em pé dentro de coletivos, bastando para este mister procurar um lugarzinho para se acomodar. Quem dera fosse esse o meu caso. Faz-se necessário um silêncio quase sepulcral e a luz ambiente deve ser a mínina possível. Vou deitar. O sono demora. Começo a adormecer, enfim!  Após algumas horas que não sei precisar, sou surpreendido por barulhos no telhado: Crash... Crash... Crash... De súbito, assustado, ainda sonolento, arregalo os olhos e procuro saber de onde vem o barulho e percebo que o incômodo ruído vem do telhado. Escuto passos. Minha esposa, ao lado, também acorda e fala:
           - Amor, é o gato da vizinha que mora aí em frente.
           A intensa barulheira provocada pelo bichano mais parecia uma britadeira sendo usada, ante o silêncio do começo da madrugada.
           - Amanhã mesmo, ou melhor, mais tarde vamos dar um jeito desse gato não mais subir no telhado – Disse irritado!
Voltamos a dormir, melhor dizendo: cochilar.
          Logo cedinho, comecei a preparar um plano para evitar que o felino voltasse na noite seguinte para nos atormentar.
          Realizei uma rápida pesquisa na internet, para saber como afugentar gatos dos telhados das casas. Uma das soluções consistia em colocar garrafas PET deitadas, juntas em fileira, unidas por um arame, sobre a parede ou o muro, assim, quando o animal tentasse pular, esbarraria no obstáculo e escorregaria, pois suas garras não prenderiam nas garrafas. Fácil, não?! Foi o que fiz. Aguardei ansiosamente a chegada da noite. Aproximando-se a hora de dormir, fui deitar mais tranquilo. Adormeci. Lá pelas tantas: Trusth... Crash... Crash... Crash... Atordoado, dei um salto da cama. O gato novamente estava lá: saltara sobre as garrafas! Mais uma noite sem dormir direito. Pensei: depois eu vejo outra solução!
           O dia amanheceu e fui trabalhar. Quando cheguei em casa ao meio dia para almoçar, minha esposa me chama na cozinha e mostra o danado do gato amarrado, triste e encolhido no canto da parede. Perguntei:
            - O que é isto?
           Ela respondeu:
           - Eu consegui pegá-lo, vamos dar uma nova moradia para ele bem longe daqui. Só assim conseguiremos dormir em paz!
Fitei bem nos olhos do bichinho e fiquei comovido com aquela cena que ora presenciava, e decidi:
           - Não, não vamos fazer isto. Veja como ele é dócil e inofensivo; talvez com esta lição ele aprenda e não queira chegar mais perto aqui de casa!
            Minha esposa redargüiu:
            - Homem, não perca tempo, pode ser que não tenhamos outra oportunidade de colocar as mãos nele! Ele logo arranjará outro dono!
Fui enfático:
            - Não.
            - Depois não reclame: Disse ela.
            Soltamos o pobre animal, que saiu desconfiado passando pelo hall, quartos e a sala, encontrando a saída para a rua.
            Agora era só esperar e ver se ele aprendera a lição.
            Nos dias subsequentes: Trusth...  Crash... Crash... Crash...


                                                 Otaviano Maciel de Alencar Filho

O casebre


                                             



O casebre, situado do outro lado da rua, causava espanto à meninada que habitualmente brincava do lado oposto ao mesmo. Rua, na definição oficial, não era! O centro do logradouro era ocupado por um riacho que tomava praticamente toda a extensão do mesmo. Em época de chuvas intensas, transbordava e inundava diversas residências. Porém, encontrando-se em posição privilegiada, a velha casa em ruínas ficava incólume às inundações, já que fora construída sobre sólido barranco. O ambiente tornava-se, então, propício as mais variadas formas de brincadeiras por parte da garotada que, febrilmente, ignorando os perigos pertinentes a uma enxurrada, atirava-se riacho adentro.
Os pequeninos tinham um código de honra que consistia em não se aproximarem, do que eles mesmos diziam ser: a casa mal-assombrada.
Nessa época, lá pela década de 70, surgiu uma lenda que dizia existir, circulando mundo afora, um indivíduo que atacava as pessoas e cruelmente extirpava as vísceras de suas vítimas, em especial o fígado. Era conhecido vulgarmente como “papa-figo”. Ficar sozinho em casa era motivo de terror. Não lembro com maiores detalhes como tudo aconteceu, mas certo é que na cabeça da gurizada, inclusive na minha, o criminoso morava na dita casa mal-assombrada que, por coincidência, ficava defronte a casa onde eu morava.
Quando chegava à tardinha, juntávamo-nos para brincar de pega-pega, e, sempre de olhos na casa, que abrigava vários morcegos, que com a chegada do anoitecer, começavam a sair em seus vôos vespertinos, superexcitando ainda mais a nossa imaginação a respeito da casa.
Assim, a vida seguia seu curso natural. Deixar de brincar, não deixávamos!
Certo dia, quando brincávamos,  observamos a chegada de uma pessoa a casa. Não era homem, tratava-se de uma senhora, bem magrinha, e trazia consigo um carrinho de coleta de material reciclável. Ficamos atentos observando o que aconteceria. A senhora adentrou a casa e não saiu. Resolvemos, então, em comum acordo, atravessar o riacho, passando sobre uma ponte improvisada de madeira, e ir até o casebre, ver de perto o que estava acontecendo lá dentro da casa.
Nessa altura do campeonato, o medo dava lugar ao sentimento de curiosidade, afinal de contas, havíamos decidido esclarecer toda essa confusão de informações, que durante muito tempo vinha causando pavor a todos nós.
Fomos chegando devagarzinho, sempre bem juntos, e, esgueirando-nos sobre a janela pudemos ver algo que nos chamou a atenção: Sentada no chão de barro batido a senhora separava os materiais coletados durante o dia. Ficamos perplexos com o que estávamos presenciando. O humilde lar não tinha nada de mobília. Podia ver-se ao fundo pequena quartinha feita de barro, uma cadeira de madeira faltando algumas tábuas, uma rede amarelada pelo tempo, dependurada junto à parede sem reboco e muita sujeira espalhada pelo recinto. Era a miséria humana em pessoa. A situação econômica de nossas famílias também não era muito diferente, contudo, não chegava nem de longe, a se parecer com a visão triste que ora testemunhávamos.
Estávamos inebriados com a visão de tudo aquilo, e sequer notamos que fôramos percebidos pela dona da casa, que prontamente nos chamou para junto dela.
- Entrem meninos. Não tenham medo. Sou feia, mas não mordo. Ajudem-me a separar estes materiais, aposto que vocês irão gostar.
Entre o medo e a coragem em atender ao pedido, falou mais alto o sentimento de solidariedade que se estabeleceu em nós naquele momento, e decidimos ajudar a pobre senhora em sua tarefa dignificante.
Nossas tardes, a partir daquele dia, não foram mais as mesmas. O medo desaparecera, e, nos dias subsequentes àquele episódio, aguardávamos a chegada da senhora e seu carrinho.




                                                      Otaviano Maciel de Alencar Filho

Mentiras e mais mentiras

                                         Atualmente vemos ordinariamente na imprensa escrita assim como nas mídias digitais, infor...