Era
de madrugada quando Dona Braga acordou com o barulho provocado pela agitação
das galinhas que ela criava. Acordou Biel, seu esposo, para juntos irem ver o
que estava acontecendo lá nos fundos da casa.
Ainda
sonolentos, caminhando a passos curtos, com muita dificuldade, devido à idade
avançada os dois foram em direção à porta da cozinha, que dava acesso ao
quintal onde estava localizado o pequeno galinheiro que abrigava cerca de
quinze galináceos. As luzes foram acesas. Ambos perpassaram o olhar por todo o
ambiente, assegurando-se de que tudo estava em ordem e seguro antes de se
dirigirem até o poleiro.
Seu
Biel tinha a mania de “conversar” com as galinhas, então foi logo entabulando
um colóquio com elas:
-
Tchiii Tchiii Tchiii, vem pra cá Flôzinha... O que tá acontecendo? O que vocês
estão vendo?
Dona
Braga já estava acostumada com esta mania de seu companheiro conjugal e não se
importava com este pormenor, até achava engraçado o jeito de ele chamar as
galinhas.
Como
Flôzinha e nenhuma das galinhas respondiam aos suas perguntas, resolveram
inspecionar o local minuciosamente.
Foram
tangendo as aves para o canto do poleiro para poderem ver melhor o que estava
assustando elas. Quando o recipiente onde colocavam comida para elas foi
afastado ficaram espantados com o que viram: Em um canto, acuado, avistaram um
enorme roedor.
-
Biel, olha o tamanho deste rato. É um guabiru!
Ele tá querendo comer os ovos e nossas galinhas. Eu sabia que tinha algo
de errado, elas não são de ficarem agitadas.
-
Espere só um minutinho que eu vou pegar um pau para nós matarmos esse safado. –
Falou Biel, indo procurar um pedaço de madeira.
Enquanto
isso Dona Braga não arredava os olhos do bicho, que imóvel e de boca
arreganhada, mostrando grandes dentes afiados dava sinais de que não ia ser
fácil retirá-lo daquele local.
Quando
Biel chegou, foi logo tentando acertar uma paulada na cabeça do bicho que,
esquivando-se, deu um pulo e correu para o outro lado. Biel correu junto e mandou uma pancada, não
se sabe se certeira, no animal que ficou estatelado no chão.
-
Viu Dona Braga, é assim que se mata essa peste! O bicho de tão ruim não sai nem
sangue, só tem tamanho. Agora
é só pegar ele colocar dentro de um saco e mais tarde quando o sol raiar eu vou
dar um fim neste desgraçado – Disse alegre com o sucesso da empreitada.
Quando,
então, de posse de uma sacola foi pegar bicho este deu um salto enorme em cima
dele que, de susto, foi ao chão, enquanto o pobre animal foi se esconder no
canto da parede. Dona Braga deu um grito de medo e com isso acordou o vizinho
do lado que logo veio ver o que estava acontecendo. Chegando ao local ficou
sabendo do que se tratava e ofereceu-se para ajudá-los a pegar o bicho. Logo
notou que não se tratava de um guabiru, mas de um cassaco bem grande e gordo.
Biel, apontando para ele disse:
-
Olha, ele já tá morto. Tá de pernas para o ar.
O
vizinho exclamou:
-
Não Biel, ele não tá morto, está se fazendo de morto. O gambá ou cassaco finge-se
de morto para escapar de seus caçadores. Fica nessa situação até eles irem
embora e só depois sai desse estado de imobilidade que nós estamos
presenciando.
-
Bicho sabido esse, não? Mas agora ele não escapa, vou dar-lhe uma paulada bem
na moleira e quero ver se ele não morre. - Proferiu Biel estas palavras,
enquanto seu vizinho se adiantava para lhe falar algo.
-
Biel, Deixa que eu cuide disso. Você não sabe, mas carne de cassaco é muito
boa. Eu vou pegá-lo e fazer um bom ensopado dele pra servir de tira-gosto afinal,
amanhã é sábado e é dia de tomar umas pingas. – Falou o homem, animadamente.
Então
de posse de uma toalha, jogou-a em cima do bicho que não deu trabalho para ser
capturado e o levou para sua casa.
Coitado
do animal... Escapou de um tipo de morte para morrer de outro: Dentro uma
panela!
Otaviano Maciel de Alencar Filho
(Copyright© 2015 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)
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