Após um dia de trabalho estafante, o
desejo de todo trabalhador ao retornar a sua casa é tomar um banho relaxante,
fazer uma alimentação bem leve e depois descansar as pernas no braço do sofá,
fazer a leitura de um livro ou ler as notícias do dia no “jornal de papel”, no
tele-jornal, ou talvez na internet! Há quem faça opção por escutar uma boa
coletânea de músicas enquanto o sono não chega.
As horas passam e já é hora de tirar
aquela bela soneca, afinal, amanhã é domingo, dia de descanso, pois na segunda
feira começa tudo de novo, a mesma rotina! O abençoado trabalho reclama o
compromisso assumido em favor da família e da sociedade!
Para certa parcela da população
humana, basta deitar-se e o sono logo se apodera do ser. Há, inclusive, pessoas
que dormem em pé dentro de coletivos, bastando para este mister procurar um
lugarzinho para se acomodar. Quem dera fosse esse o meu caso. Faz-se necessário
um silêncio quase sepulcral e a luz ambiente deve ser a mínina possível. Vou
deitar. O sono demora. Começo a adormecer, enfim! Após algumas horas que não sei precisar, sou
surpreendido por barulhos no telhado: Crash... Crash... Crash... De súbito,
assustado, ainda sonolento, arregalo os olhos e procuro saber de onde vem o
barulho e percebo que o incômodo ruído vem do telhado. Escuto passos. Minha
esposa, ao lado, também acorda e fala:
- Amor, é o gato da vizinha que mora aí em
frente.
A intensa barulheira provocada pelo
bichano mais parecia uma britadeira sendo usada, ante o silêncio do começo da
madrugada.
- Amanhã mesmo, ou melhor, mais tarde
vamos dar um jeito desse gato não mais subir no telhado – Disse irritado!
Voltamos a dormir,
melhor dizendo: cochilar.
Logo cedinho, comecei a preparar um
plano para evitar que o felino voltasse na noite seguinte para nos atormentar.
Realizei uma rápida pesquisa na internet,
para saber como afugentar gatos dos telhados das casas. Uma das soluções consistia
em colocar garrafas PET deitadas, juntas em fileira, unidas por um arame, sobre
a parede ou o muro, assim, quando o animal tentasse pular, esbarraria no
obstáculo e escorregaria, pois suas garras não prenderiam nas garrafas. Fácil,
não?! Foi o que fiz. Aguardei ansiosamente a chegada da noite. Aproximando-se a
hora de dormir, fui deitar mais tranquilo. Adormeci. Lá pelas tantas: Trusth...
Crash... Crash... Crash... Atordoado, dei um salto da cama. O gato novamente
estava lá: saltara sobre as garrafas! Mais uma noite sem dormir direito.
Pensei: depois eu vejo outra solução!
O dia amanheceu e fui trabalhar. Quando
cheguei em casa ao meio dia para almoçar, minha esposa me chama na cozinha e
mostra o danado do gato amarrado, triste e encolhido no canto da parede.
Perguntei:
- O que é isto?
Ela respondeu:
- Eu consegui pegá-lo, vamos dar uma
nova moradia para ele bem longe daqui. Só assim conseguiremos dormir em paz!
Fitei bem nos
olhos do bichinho e fiquei comovido com aquela cena que ora presenciava, e
decidi:
- Não, não vamos fazer isto. Veja como
ele é dócil e inofensivo; talvez com esta lição ele aprenda e não queira chegar
mais perto aqui de casa!
Minha esposa redargüiu:
- Homem, não perca tempo, pode ser que
não tenhamos outra oportunidade de colocar as mãos nele! Ele logo arranjará outro
dono!
Fui enfático:
- Não.
- Depois não reclame: Disse ela.
Soltamos o pobre animal, que saiu
desconfiado passando pelo hall, quartos e a sala, encontrando a saída para a
rua.
Agora era só esperar e ver se ele aprendera a
lição.
Nos dias subsequentes: Trusth... Crash... Crash... Crash...
Otaviano Maciel de Alencar Filho
Otaviano Maciel de Alencar Filho
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