domingo, 10 de fevereiro de 2019

Que pesadelo de viagem!...




 

O sonho de conhecer uma grande metrópole e poder desfrutar de tudo o que uma cidade grande pode oferecer a um cidadão, levou Aristides a programar uma viajem a terra da garoa: São Paulo.
Eram idos da década de oitenta do século passado e a grande metrópole, hoje já uma megalópole, atraia para seu seio pessoas de toda a parte do país e mesmo do estrangeiro.
Tendo juntado umas economias, Aristides resolveu colocar em prática o seu grande desejo e, então, começou os preparativos para a viagem. Teria primeiro que ir até uma agência de viagens para adquirir a passagem de Fortaleza para São Paulo, e assim ele fez.
Era sexta feira, quando ele foi até a rodoviária comprar a passagem. O tempo estava fechado com grandes nuvens carregadas, indicando que em breve iria cair um toró. Mas isso não o desanimou e mesmo assim, debaixo de forte chuva, tomou o coletivo e foi direto para a rodoviária interestadual. Chegando ao guichê de atendimento, falou:
- Bom dia, gostaria de uma passagem para São Paulo, quanto custa e quais os dias e horários disponíveis? Ah, tenho pressa na viagem!
A jovem, de imediato, lhe prestou as informações solicitadas.
- Muito bem, quais as poltronas disponíveis?
- Disponho de vagas somente para a próxima semana, mas, como o senhor disse ter pressa em viajar, tenho para sábado, amanhã, um ônibus saindo às nove horas da manhã e tenho vaga, por desistência de dois passageiros, nas poltronas de números quatro e quarenta e seis, qual delas o senhor deseja?
Depois desta informação, Aristides começou a pensar consigo mesmo e se perguntava o porquê de haver uma vaga disponível logo em uma poltrona que raramente ficaria disponível, já que algumas pessoas a reservam por dar uma visão privilegiada do trajeto durante a viagem. Quanto à poltrona de número quarenta e seis ele decidira não ficar nela, pois ficava próximo ao banheiro e em uma viagem que duraria cerca de dois dias e meio, não era conveniente, pois o entra e sai do banheiro seria constante e o odor exalado do mesmo não é nada agradável. Sem externar o desejo de saber o motivo da poltrona está disponível, manifestou a vontade de ficar com a de número quatro.
No dia seguinte, sábado, Aristides chegou à rodoviária com meia hora de antecedência e dirigiu-se à plataforma onde o ônibus estacionaria. Faltando quinze minutos para o horário de embarque o ônibus estacionou e os passageiros começaram a embarcar. Aristides deixou a maioria dos passageiros entrarem no veículo, para, somente depois, subir.
Dentro do ônibus, de imediato localizou o seu assento e observou que o passageiro da cadeira ao lado, a de número três, ainda não havia chegado. Já eram nove horas e só faltava esse passageiro. Passado cerca de dez minutos o motorista desceu do ônibus e foi conversar com o funcionário da empresa, para saber se poderia dar início à viagem, pois já estava atrasado. Foi, então, orientado a aguardar mais cinco minutos, se o passageiro não chegasse poderia dar início a viagem.
Passaram-se cinco minutos e nada do passageiro aparecer. Então, subiu no veículo sentou à direção. Quando fechou as portas, e deu partida no ônibus, apareceu um senhor magérrimo batendo desesperadamente na lateral do veículo. O chofer imediatamente estancou o carro e abriu a porta.
- Motorista, por favor, espere um pouco, minha esposa tem passagem comprada para esta viagem, e, apontando para uma senhora que lhe seguia, trazendo junto uma menininha de colo, solicitou que o mesmo aguardasse enquanto ela se aproximar do ônibus, de vez que ela sofria de obesidade.
Aristides quando viu a mulher ficou desesperado. E não era para menos: a mulher parecia um guarda-roupa, de tão gorda que era. Subir no veículo foi uma dificuldade, quase não passa na porta. Quando foi sentar na poltrona, foi necessário que ele se levantasse para dar passagem. Quando a mulher sentou precisou levantar o encosto do braço, ocupando a poltrona dela e metade do seu assento. Sentada, colocou a pequena criança no colo. Aristides, atordoado, assistia tudo sem entender o que estava se passando. Tomou coragem e falou:
- Senhora, onde eu sento agora?
A mulher, envergonhada e sem saber o que dizer ficou calada.
- A senhora tem que baixar o encosto do braço para eu poder sentar. - Disse Aristides, um tanto zangado.
- Não dá, vai ficar muito apertado. - retrucou a mulher.
Aristides, já perdendo a paciência falou:
- E eu com isso, a senhora deveria ter reservado as duas poltronas, não vê que não cabe em uma só?  Vamos dê seu jeito!
A mulher se espremeu junto à janela do ônibus e rapidamente Aristides baixou o encosto e sentou. Não resolveu muita coisa, pois os braços da mulher estavam lhe incomodando. As pernas dela tomavam todo o espaço da parte de baixo das cadeiras, isso sem falar da menina em seu colo, que dificultava mais ainda a situação. Definitivamente Aristides estava muito chateado.
O ônibus seguiu viagem. Só depois de acalmar-se e “esfriar” a cabeça, ele começou a montar um quebra cabeças, lembrando-se de quando foi comprar a passagem o assento que ele ocupava não havia ainda sido vendido. Pensou ele: Será que a atendente do guichê sabia e não me avisou? Não, não tinha como ela saber. Mas como esta poltrona ficou sobrando? Perguntava-se. Depois de algum tempo resolveu iniciar uma conversação amistosa com a mulher.
- A senhora vai para São Paulo, ou vai ficar no caminho, em outra cidade?
- Vou para São Paulo, meu esposo vai fazer um treinamento de cinco dias em uma empresa da capital paulista. – Sentenciou.
Nesse momento Aristides ficou desconsolado. Ter que aguentar um sufoco desses por mais de dois dias seria infernal. Contudo continuou a conversa.
- Ah, então aquele senhor que veio deixar a senhora na rodoviária é seu esposo?
- Sim, ele iria de ônibus também, mas de última hora resolveu ir de avião, porque não chegaria a tempo de participar do treinamento, caso viajasse de transporte rodoviário. – respondeu a mulher.
Nesse momento Aristides completou a montagem do quebra cabeças: O assento em que ele estava com certeza era o que estava reservado para o marido dela. Mas que azar, pensou consigo!
O ônibus seguiu o caminho, “rasgando” as estradas nordestinas, rumo ao sudeste do país. Calor sufocante, já que o transporte não tinha ar condicionado. Curva vai e curva vem e a mulher também vem apertando Aristides de encontro ao descanso do braço da poltrona no lado do corredor. Depois de quase dois dias de viagem, sem dormir direito, veio o alívio: alguns passageiros, que ficariam nas cidades no meio do trajeto, começaram a chegar a seus destinos. Aristides, então, pode se livrar desse transtorno, pois passou para uma das poltronas que haviam sido desocupadas. Somente assim pode ter sossego até o término da viagem.
Depois deste acontecimento nunca mais Aristides comprou passagem sabendo que era de desistência de alguém.




                                                           Otaviano Maciel de Alencar Filho
         (Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Fiat lux








Haja luz!
E o som celestial
Como em uma orquestra colossal
Ferindo os tecidos espaciais
Em matizes infindáveis!
E as nebulosas em contorcionismo fenomenal
Dançando em ritmo acelerado
Deram início ao “sem começo e sem fim”!E o tempo... Sem tempo!
Sem trégua!
E em cada canto sem canto
O canto se fez presente
Inundando o ausente/presente!
E os sois resplandeceram
Nas turvas imensidões!
E os mundos foram surgindo!
E a poeira estelar no infinito se dissipou
Nos espaços sem fim!
E o eterno recomeça
Em cada canto sem canto!
Contínuo parafuso sem fim...




                                                     Otaviano Maciel de Alencar Filho
(Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

A maldição do córrego



O estreito córrego que corta o bairro onde Adélia mora, no passado foi palco do surgimento de uma das histórias mais macabras que se pode imaginar: Lá pelos anos sessenta do século passado, o povo que morava às suas margens, foi surpreendido por relatos que davam conta de que em determinado trecho do riacho estava acontecendo coisas estranhas e assustadoras, e que o local era assombrado por “espíritos das trevas” que se divertiam em assustar as pessoas que passavam pelo lugar.
Quando Adélia foi morar em uma rua próxima ao córrego, no início do século vinte e um, essa história era pouco conhecida pelos atuais moradores e os poucos que a conheciam atribuíam a ela a imaginação fértil dos moradores daquele tempo. Adélia, que não era dada a superstições, ignorou a historia.
Atualmente o córrego não tem mais a abundância de água que tinha no passado e uma rua foi aberta em um de seus lados, possibilitando a passagem para outras ruas que foram abertas, dando acesso a um conjunto habitacional que foi construído às suas margens.
O vai e vem de pessoas, que circulam diariamente pelo local, não deixa dúvidas de que ali é um lugar como outro qualquer. O único inconveniente fica por conta da falta de iluminação pública, que deixa muito a desejar em determinado trecho que fica rente ao ribeiro, ficando desaconselhável a passagem de pessoas durante a noite, visto que, embora não haja relatos de aparições de “fantasmas”, a ocorrência de assaltos é muito grande neste trecho, principalmente no período noturno.
Certo dia, Adélia telefonou para uma parenta sua, que morava há muitos anos no bairro, procurando saber se ela tinha um analgésico, pois estava com uma forte dor de cabeça. Eulália respondeu afirmativamente à sua consulta e que ela poderia ir busca-lo, mas tivesse muito cuidado quando passasse na rua do córrego, visto que, embora, as pessoas não estivessem falando de acontecimentos estranhos no local, ela pressentia que algo de anormal estava para acontecer a qualquer momento.
- Eu sou vacinada contra essas crendices populares, tia Eulália. Creio em Deus!- respondeu enfática.
Por volta das dezenove horas, quando Adélia dirigiu-se à casa de sua tia, que residia a três quadras de distância de sua residência, foi surpreendida com algo inusitado: ouviu alguns assobios e vozes de chamamento. Olhou para os lados e não viu ninguém. Continuou andando e novamente a voz foi ouvida. Mais uma vez ela olhou em seu entorno e não viu absolutamente ninguém na rua. Neste instante ela ficou assustada. Andando em passos largos, observava atentamente tudo a seu redor e instintivamente dirigiu o olhar para o interior do matagal que ladeava o riacho. Passados alguns instantes uma forte ventania balançou as plantas e, em meio à penumbra, Adélia pode ver um vulto em forma humana que vinha correndo a seu encontro. Imediatamente tentou correr, mas suas pernas ficaram pesadas e os passos, morosos . Na tentativa de escapar do estranho ser, que imaginava ser algum malfeitor, não conseguiu correr. A sombra, de súbito, pulou sobre ela, e estancou em seus magros ombros, fazendo-a cair. Estranhou o fato de não ter nenhuma pessoa sobre ela. Ali permaneceu imobilizada.
A tia de Adélia, que aguardava ansiosamente sua chegada, ficou preocupada com sua demora e solicitou que sua filha mais velha fosse a sua procura. Lídia saiu rapidamente e a encontrou na rua, deitada ao solo. Imediatamente a ajudou a se levantar.
Ao chegarem à casa de Eulália, a anfitriã quis saber o que tinha acometido Adélia para que ela estivesse naquela condição mórbida.
Ainda sem forças e sentindo um forte peso nos ombros, Adélia contou o ocorrido, deixando sua tia e sua prima muito apreensivas!
Após D. Eulália se certificar do ocorrido, tratou de tomar as devidas providências para que sua sobrinha tivesse de volta sua saúde. Em seu íntimo, sabia o que tinha ocorrido para que sua sobrinha se encontrasse naquele estado doentio. Pediu que a mesma ficasse quieta e então passou a orar em silêncio. Após alguns instantes, cerca de três quartos de hora, Adélia já se sentia sem os sintomas desagradáveis que a acometia. Poder-se-ia dizer que estava ótima de saúde não fosse a dor de cabeça que a levara à busca de remédio.
- Que aconteceu comigo, tia? Quis saber.
D. Eulália, esboçando leve sorriso, sentenciou:
- Não Fique preocupada, não! Digamos que foi uma dessas “crendices populares” que lhe pregou uma peça. Finalizou a conversa dando um forte abraço na sobrinha, ministrando-lhe o bendito analgésico.


                                              Otaviano Maciel de Alencar Filho
            (Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)      

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A partida







Ela se foi, com medo de ir!
Ele ficou vendo-a partir.
Ela tinha medo de seguir!
Ele ficou sem saber aonde ir.

Ela não pensava na partida!
Ele não contava a despedida.
Ela, que era destemida!
Ele, que tomou todas as medidas.


Ela era sua guarida!
Tudo em sua vida!
A existência vivida!


Ele ficou só.
Sentindo o peso de mó.
Enclausurado em um nó!





  Otaviano Maciel de Alencar Filho
(Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O chute que deu errado!


                         





Logo que os primeiros raios de sol surgiram, Beto, um garoto aficionado por futebol, acordou e imediatamente foi fazer a higiene matinal e tomar o café da manhã. Estava ansioso, pois a semifinal de partida do campeonato de futebol interbairro iria ser realizada logo mais em breve, por volta das oito horas e ele fazia parte de um dos times que conseguira chegar a final. Beto era o goleiro do time da casa. Pegou as chuteiras, a camisa esportiva do seu time e caminhou imediatamente até o campo de areia que ficava próximo de sua residência. Ao chegar cumprimentou os amigos e tratou logo de vestir a camisa e calçar as chuteiras, pois os outros jogadores já estavam todos paramentados e prontos para, antes do jogo, fazerem um rápido treino.
O jogo teve seu inicio adiado, pois o árbitro que iria apitar a partida ainda não havia chegado. De certa forma foi até bom porque os times tiveram mais alguns minutos para repassarem alguns chutes ao gol.
Eram oito horas e vinte cinco minutos quando aparece o Valdo, o juiz da partida, meio cambaleante, dirigiu-se ao centro do campo para dar início à competição.
Contudo, antes de narrar o jogo e o que aconteceu durante o bate-bola, vamos saber um pouco mais sobre o Sr. Valdo: Mário Osvaldo Quintino ou simplesmente Valdo era um homem de meia idade que tinha a fama de briguento. Andava sempre com uma faca na cintura, sabe Deus pra quê! Também gostava de dar uns tragos no álcool: e que tragos! Quase todos os dias, encontrava-se embriagado. Era criador de pássaros e tinha várias espécies nas diversas gaiolas dependuradas na parede de frente de sua casa e viveiros que ele mantinha no interior de sua residência, que ficava em frente ao campo onde se realizava o campeonato. Seu filho Arthur também era jogador do mesmo time do Beto. Agora já sabemos o motivo do juiz ter se atrasado e chegado cambaleando no local do jogo, vamos, então, saber o que aconteceu durante a partida de futebol.
O árbitro apitou o início da partida e os jogadores começaram a se movimentarem, passando a bola uns para os outros. Chute vai, chute vem e após alguns minutos de gritos e palavrões proferidos, o placar ainda indicava zero a zero. O Juiz, “mais suado que tampa de chaleira”, de tanto correr de um lado para o outro do campo, parecia que ia desmaiar de tanto cansaço.
Os torcedores que se encontravam sentados em pequenos bancos feitos de madeiras em um dos lados do campo, gritavam e tentavam encorajar os seus times a fazerem a rede balançar: se bem que as redes que estavam nas traves, iriam arrebentar quando uma bola entrasse no gol, de tão velhas que eram!
O primeiro tempo do jogo terminou em zero a zero. Valdo aproveitou o intervalo e foi colocar água, ração e algumas frutas para um casal de graúnas que estava dentro de uma das gaiolas penduradas defronte sua residência, enquanto a garotada descansava para o segundo tempo do jogo.
Depois de vinte minutos começou o segundo tempo do jogo. Os atacantes estavam determinados a fazerem pelo menos um gol e vários chutes foram dados na direção das traves de cada adversário. O time visitante atacava cada vez mais e o seu “ponta direita”, “escapulindo” pelos lados, conseguiu chegar até a grande área e soltar uma “bomba”, que resvalou no travessão superior do time da casa. O juiz apitou tiro de meta e Beto, o goleiro, de posse da bola, fez um lançamento para o lateral esquerdo, que já se encontrava em posição de ataque. Infelizmente, o lançamento foi forte demais e, passando pelo lateral foi de encontro às pessoas que estavam sentadas na calçada defronte a casa do juiz, indo de encontro à gaiola das graúnas e derrubando-a ao chão, espalhou a ração e as frutas, além da água. Sorte que a porta da gaiola não se abriu!
O juiz, sem se aperceber do ocorrido, apitou cobrança de lateral, mas quando se deu conta do que tinha acontecido, saiu aos berros e, puxando a faca que levava na cintura, foi de encontro a Beto que, quando viu aquele homem vindo em sua direção tirou a camisa e jogou-a junto à trave e tratou de correr para casa, enquanto o filho do juiz agarrava-o dissuadindo-o ao não cometimento um crime. E assim ocorreu, seu filho disse que foi uma fatalidade e que não tinha acontecido nada com as graúnas. Como Beto não voltou, porque provavelmente nessa hora estava escondido, de tanto medo, o goleiro reserva foi substituí-lo. O jogo foi reiniciado, antes, porém, Valdo colocou suas graúnas dentro de casa, para que não acontecesse de ela ser acertada por uma “bolada” novamente!
O jogo terminou e a equipe visitante venceu de um a zero e nova partida foi marcada para o domingo seguinte, no jogo de volta, dessa vez no campo do adversário, localizado no bairro vizinho.
Durante a semana Arthur falou com Beto e o tranquilizou, dizendo que seu pai tinha “perdido a cabeça” naquela hora, mas que estava tudo bem e ele não precisava ter medo e que ele teria de voltar a jogar, pois ele era o goleiro titular e que o time tinha que vencer para poder disputar a grande final em outra data. Beto, ainda assustado disse:
- Eu vou Arthur, desde que o Juiz não seja o Sr. Osvaldo. Ah, tem outra coisa: se tiver gaiolas por perto pode arranjar outro goleiro!
O jogo marcado para o domingo seguinte foi vencido pelo time da casa, que fez dois a um no time adversário, levando o time a disputar o campeonato em nova partida. O jogo da final, marcado para o último domingo do mês, foi disputado nos pênaltis e o time de Beto venceu por três a um, levando a taça de campeão.





                                Otaviano Maciel de Alencar Filho
(Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Conversa franca entre amigas







Defronte a escola de educação infanto-juvenil de tempo integral, as mães e os pais que iam buscar seus filhos, aguardavam ansiosamente o tocar da campainha que indicava o término das atividades do dia.
Enquanto aguardavam, uns ficavam encostados na parede do edifício, outros sentavam nas escadas de acesso ao local, enquanto outros grupos se formavam junto a um jardim e se entretinham conversando sobre as mais variadas situações da vida.
Laura aguardava a saída de Clarissa, sua filha, uma menininha de sete anos de idade quando sua amiga Mara chegou, pois também havia ido esperar a saída de sua filha Glória, uma adolescente de treze anos de idade. Logo as duas começaram um bate papo animado.
- Oi Laura, tudo bem? Como vai a família? - Perguntou Mara.
- Estaria tudo bem, não fosse o cansaço físico devido ao trabalho, Mara. Mas como diz o ditado popular, não adianta se lamentar o jeito é levantar a cabeça e conduzir a vida adiante! No mais tudo tranquilo! – Respondeu Laura.
- É isso mesmo amiga, devemos agradecer a Deus todos os dias por termos saúde e paz em nossas famílias. Falando nisso, a Clarissa está indo bem nos estudos? Pergunto por que, no meu caso, preciso estar “em cima” da Glória diariamente para que ela possa fazer os deveres de casa! - Disse Mara.
- A Clarissa até que não dá trabalho! Quando ela termina os deveres o propósito dela é assistir desenhos animados na internet. - Falou Laura.
- Ah, Laura, nem me fale em internet! Tenho que retirar o Telefone celular de Glória senão ela passa horas e horas nas redes sociais conversando com as amigas aqui do colégio. - Disse Mara, passando as mãos na fronte, demostrando preocupação!
- Os adolescentes de hoje em dia não são mais os mesmos, nessa era de tecnologia estão cada vez mais reféns das mídias digitais, passando horas e horas em frente de uma tela de computador ou celular. Não brincam mais umas com as outras, como antigamente. - Falou Laura, mostrando um semblante abatido, fazendo perceber certo desapontamento com as situações da vida presente!
- E verdade, Laura, nós os pais, temos que estar atentos, pois as ciladas que eles estão submetidos nestes ambientes são cada vez mais constantes. Embora as informações constantes na internet sejam importantes para o aprendizado, existem muitas informações que são verdadeiro lixo e ao invés de ajudar acabam prejudicando a condução dos mesmos na vida.   Ademais o importante não é somente informar, mas saber como informar, você não concorda comigo?  - Perguntou Mara!
- Claro que sim, Mara, inclusive a Clarissa, na semana passada, me fez uma pergunta que fiquei sem saber o que responder. Ela me perguntou o que era sexo. Na hora fiquei perplexa e sem atitude diante tal questionamento e quis saber o porquê dela estar me perguntando sobre isso. - Esclareceu Laura.
A conversa continuou ativamente entre as duas amigas.
- E ela, o que disse? - Perguntou Mara.
- Falou que ouvi das meninas das outras salas de aula, no intervalo para o almoço, que sexo era beijar e abraçar os meninos. Disse também que as meninas ficavam sabendo sobre tudo isso na internet. Naquele momento fiquei em estado de choque sem saber o que fazer, então falei que ela havia entendido errado e que aquele não era a hora certa para falarmos desse assunto. Diante de sua insistência, disse que era a separação entre meninos e meninas, entre homens e mulheres. Foi a única explicação que me veio à mente naquele momento. Você acha que fiz a coisa certa? - Quis saber Laura a opinião da amiga.
- Sim, Laura. Na verdade acho que ainda não estamos preparadas para discutirmos estes assuntos abertamente com nossos filhos e acabamos protelando a solução do problema. Dizemos: Tudo tem seu tempo! Mas com todas essas informações na internet temo que as gerações futuras, se não tiverem algum tipo de amparo, no que diz respeito a tratarem de assuntos como este com seriedade e ética e sem falsos moralismos, possam ter sérios problemas nas áreas afetivas e emocionais, afinal o negócio hoje em dia é “ficar”. De qualquer forma esse assunto ainda é tabu e mesmo entre profissionais da área ainda encontramos muitos com dificuldades em abordá-lo. Particularmente, ainda procedo como os meus pais: deixo as coisas irem se amoldando naturalmente, mas, claro, observando com atenção as informações que Glória passa a ter contato na internet. Penso que o correto é conversar bastante com nossos filhos e aos poucos irmos esclarecendo as dúvidas que eles têm. Dúvidas, aliás, nossas quando ainda éramos crianças, não? - Perguntou Mara, aguardando a resposta positiva da amiga.
- É verdade Mara, hoje passamos pelas mesmas situações conflituosas que nossos pais passaram. Mas agora cabe a nós resolvê-las! – Afirmou Laura.
A sirene tocou e a meninada começou a ir de encontro a seus pais.
Mara e Laura se despediram, marcando novo encontro para o dia seguinte, para poderem continuar com a discussão sobre tema muito antigo, mas ainda de difícil tratamento.




                        Otaviano Maciel de Alencar Filho
(Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)


quarta-feira, 25 de abril de 2018

Caminhos










Nas avenidas da vida tento encontrar o meu passado.
Nas vielas do tempo esbarro com a imprevisibilidade do futuro.
Nos contornos do espaço esgueiro-me a passos largos.
Nos domínios da solidão me aperta o coração.
No brilho da luz ofusco-me lentamente.
Na escuridão fico sem chão.
O eco dos meus pensamentos me tortura.
Serei eu que penso ou minha mente que mente?
Engana-me e esgana-me?
O sonho perturba-me a alma.
Acordado sonho com a noite por vir
Serei eu o que sou?
Onde estou?
O que fazer?
Que tortura cruel avassala-se de mim.
Acuado em um canto sem canto: Ai de mim!
O tempo sem pressa demora a vir...
Vejo a luz aclarar, enfim!
Ouço o som novamente
O coração aflito se reconforta
A mente se desentorta.
Começo a acordar do sono!
A saída enfim eu a encontrei
Louvado seja o Eterno!





Otaviano Maciel de Alencar Filho
(Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

Mentiras e mais mentiras

                                         Atualmente vemos ordinariamente na imprensa escrita assim como nas mídias digitais, infor...