quinta-feira, 19 de março de 2020

Saudades








Foi ontem, melhor dizendo, faz tempo
Era pequeninho, menino!Olhos amendoados, negros.
Saltitantes, inquietos.
Sorriso nos lábios.
Dentes branquiços.
Tez escura.
Afável.
Sentado na cadeira:
E... Timão e Pumba na televisão.
Coleção de figurinhas.
Chocolate em barrinhas.
Corrida para meus braços
E o pulo em abraços!
Faz tempo... Muito tempo.
Ontem filho menino.
Hoje filho homem.
Sinto falta.
Não dos abraços, da presença.
A ausência da época que me evoca estes sentimentos
Me faz tremer a alma.
Muito de bom aconteceu.
A vida passa rápido e...
De repente o tempo passou.





                                 Otaviano Maciel de Alencar Filho

                                         (Copyright© 2020 Otaviano Maciel de Alencar Filho)

Mata em chamas...


                         





De longe, de cima do pico, se avistava uma esteira de fumaça que se elevava ao céu cobrindo boa parte da floresta. Chegando mais próximo podia-se perceber a causa das brumas que escondiam grande parte da vegetação: Fogo! Avisada do ocorrido, a brigada de incêndio sediada em uma pequena aldeia distante a alguns quilômetros da área em chamas, ao chegar próximo ao local do acontecimento percebeu que a mata estava em chamas ardentes e que o calor insuportável não permitia que a equipe pudesse se aproximar dos locais onde os focos do incêndio eram mais intensos.
 Impedida de iniciar os trabalhos diante o tamanho das labaredas, o chefe da equipe imediatamente pediu reforços ao corpo de bombeiros da cidade mais próxima. Logo foi informado que as viaturas iriam chegar ao local somente após cerca de três horas e que seria solicitada a liberação de uma aeronave para ajudar no aplacamento do incêndio, devido à urgência do acontecimento.
Aos poucos a população do vilarejo e redondezas ia chegando e se dispondo a fazerem algo para aplacar a fúria das chamas que não davam trégua. Orientando a todos que se dispuseram ao trabalho, o chefe da brigada fazia serviço de formiga, no intuito de não deixar o fogo chegar perto das aldeias.
A angústia tomava conta de todos ao verem a flora e a fauna pedindo ajuda sem serem atendidas. Os animais corriam atônitos sem direção em busca de um lugar seguro. Os de maior porte levavam vantagem em relação aos pequenos que, muitas das vezes, não conseguiam sair do local em chamas. Cena triste de se ver!
      Já havia se passado três horas do tempo previsto para a chegada da ajuda dos bombeiros quando, no céu, avistaram-se um helicóptero e outra aeronave que juntas despejavam água sobre a mata em chamas. Aproximadamente vinte minutos depois cinco viaturas do corpo de bombeiros chegaram para juntarem-se aos que já se encontravam no local. Rapidamente o pessoal foi organizado em setores de combate às chamas e o trabalho pode, dessa forma, ter uma maior eficiência no controle do incêndio.
A noite chegou e todos estavam exaustos, mas o controle das chamas havia sido alcançado. Logo uma tênue chuva começou a cair e todos ficaram animados, contudo não foi o suficiente para debelar todos os focos de incêndio que continuavam a aparecendo por toda a noite e o dia seguinte.
Embora a maioria dos focos de incêndio tivesse sido controlada, em outros locais de acesso mais difícil, ainda havia a necessidade de ação mais intensa no combate ao fogo que teimava em não apagar. Essa situação perdurou por mais de uma semana e somente foi resolvida com uma ação providencial: Chuvas. Sim, elas caíram do céu como uma cascata, jorrando água em abundância sobre toda a região e circunvizinhanças onde o incêndio acontecia.
Terminada de forma oficial a intervenção no combate ao Incêndio, restava agora, contabilizar em números as perdas derivadas desse terrível acontecimento que, diga-se de passagem, não foram poucas. 
Muitas espécies de plantas nativas rasteiras foram eliminadas e o solo ficou empobrecido, o que levará anos pra se recompor. O estrago na fauna também foi grande: cobras e outros animais rastejantes tiveram suas vidas ceifadas pelo fogo abrasador que tostou tudo o que encontrava pela sua frente. Alguns animais de pequeno porte também perderam suas vidas na luta contra o fogo. A população dos vilarejos localizados na zona onde ocorreu o incêndio também ficou prejudicada pela falta de alimentos que provinham das árvores frutíferas que serviam para seu sustento, bem como meio de comércio com as cidades vizinhas.
Não se sabe, até hoje, o que causou o incêndio. A perícia feita no local, logo após o término da grande queimada, concluiu que o mais provável foi uma combustão ocorrida pelo forte sol, clima seco e vegetação seca rasteira que predominava no local. O certo é que, como diz o velho ditado popular: com fogo não se brinca. Resta à população se recuperar desse acontecimento nefasto. A natureza também fará sua parte se recuperando dessa ferida marcante em seu corpo: o planeta Terra!                              



                               Otaviano Maciel de Alencar Filho

                                         (Copyright© 2020 Otaviano Maciel de Alencar Filho)

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Meu nome é Rhuan



Pablo, Francisco e Helena eram amigos desde o ensino médio. Após a conclusão dessa etapa de ensino, cada um seguiu seu rumo e desde então não se viam.
Navegando pela web e participando de redes sociais eles se reencontraram depois de cinco anos. O reencontro foi marcado para ser realizado na casa de Francisco, já que Pablo e Helena ainda moravam com os pais, e ele, Francisco, embora ainda não houvesse casado, decidira ir morar sozinho e agora estava estabelecido em um apartamento situado em uma região bem badalada da cidade. Ele, aliás, era o mais velho dos três e desde o tempo do ensino médio era o que demostrava mais afinco aos estudos. A conversa entre eles foi ficando animada e cada um ia falando de si e das coisas que aconteceram neste intervalo de tempo que ficaram separados. Entre uns goles e outros de vinho caiam todos em divertida gargalhada e dessa forma se sentiam cada vez mais descontraídos e aptos a falarem um pouco mais de cada um.
Helena, então, tomando a palavra disse que logo após a conclusão do ensino médio prestou vestibular para a faculdade de veterinária, conseguindo êxito na seleção de renomada universidade, tendo concluído o curso um ano atrás e que estava muito satisfeita com a escolha profissional, além de que ela gostava muito de animais. Ainda estava solteira e apenas “ficando”.
Pablo, logo após o discurso de Helena, revelou não ter optado pelo caminho acadêmico, preferindo ingressar na área técnica formando-se técnico em radiologia. Ainda estava morando com os pais, contudo, por pouco tempo, pois já estava com o casamento marcado para daqui alguns meses.
Francisco, levantando-se da poltrona, e levantando a taça de vinho bradou:
- Viva a vida, vamos dar um brinde à saúde. Olhem para nós três aqui reunidos depois de alguns anos, todos de bem com a vida! Eu pessoalmente me sinto muito realizado, tanto pessoalmente quanto profissionalmente. Terminei a faculdade de Psicologia e já tenho meu próprio consultório.
Nesse momento, os três, encostando as taças uma nas outras entoaram em alto e bom som:
- Viva a vida!
Após uns instantes de conversa jogada fora, Francisco perguntou para Helena:
- Vamos brincar de hipnose?
Helena um tanto intrigada, perguntou:
Você trabalha com hipnoterapia?
- Uso-a, como hobby, responde Francisco, jubilosamente.
Helena achando graça e meneando a cabeça, afirma categoricamente:
- Eu, hein, tô fora! Do jeito que estou talvez eu não saia do transe hipnótico. Não sei nem se consigo manter meus pensamentos fixos. Falou dando uma bela gargalhada.
Pablo, sentado no braço da poltrona, observava toda a conversa com olhares de desconfiança e, pedindo licença, falou:
- Eu aceito o desafio Francisco, afinal não acredito em hipnotismo. Vendo esses espetáculos na televisão acredito que seja tudo armação. Sentenciou.
-Tudo bem. Então vamos tentar. Primeiro quero que você fique totalmente relaxado e tire da cabeça todos os pensamentos e fixe sua mente somente no que eu lhe falar, tudo bem? – Disse Francisco.
Pablo consentiu e fez o que Francisco pediu.
Helena a tudo observava, sentada do outro lado no sofá de canto.
A sessão de hipnose começou e Francisco induziu Pablo a um estado de sonolência profunda. Durante esse tempo pedia que o mesmo continuasse dormindo até que ele mandasse acordar. Disse para Pablo que sua futura esposa estava ali com eles e que quando ele despertasse do sono ele poderia ir até ela e beijá-la. Alguns minutos depois Francisco pediu para ele acordar.
Atordoado e sonolento, Pablo olhou para Helena e viu na sua frente sua namorada que ficara em casa. Levantou-se e foi de encontro a Helena para beijá-la. Helena deu um pulo do sofá e reclamou:
- Para com isso Francisco. Traga-o ao estado de vigília.
Francisco, então, rapidamente, tomando Pablo nos braços, ordenou que o mesmo voltasse ao estado de profundo sono.
Para mostrar que tinha domínio na hipnose falou para Helena que tentaria levar Pablo para tempos anteriores ao atual, fazendo uma regressão de memória. Helena parecia não aprovar tal intento, mas Francisco continuou o experimento.
Após alguns minutos Pablo acordou sob o comando de despertar de Francisco. Os seus olhos estavam “esbugalhados”, o rosto totalmente vermelho e a respiração ofegante. Francisco diz:
- Pablo acorde totalmente e relaxe profundamente.
Algo de errado aconteceu durante o despertar hipnótico, pois Pablo não se referia ele mesmo, mas a outra pessoa.
- Onde me encontro? Quem são vocês? E quem é esse Pablo que você está falando? - Perguntou.
Pablo deixa de brincadeira, vamos voltar a conversarmos sobre outros assuntos. – Falou Francisco novamente.
- Não sei o que você está falando. Como vim parar aqui? Que coisas são essas nesse quarto? Perguntava apontando para um PC e uma televisão que se encontrava no recinto.
Nesse momento Francisco se deu conta de que realmente não era Pablo com quem ele estava conversando, mas com outra pessoa. Pablo não havia retornado de sua “visita” ao passado. Ele era agora a personalidade que ele havia animado tempos atrás, e não apenas trazido lembranças desse passado. Aproveitando a ocasião e um tanto assustado com o acontecimento, perguntou:
- Qual é o seu nome?
- Meu nome é Rhuan e pergunto novamente, quem são vocês?  Que roupas estranhas são essas que estão usando? E por que ela usa calças?  Perguntou apontando para Helena. Por acaso estou sonhando? Quero que me levem de volta para minha casa.
Helena estava muito assustada com tudo aquilo que estava acontecendo e gritava:
-Para Francisco, por favor. Faz o Pablo voltar, isso tá ficando muito perigoso!
Nesse instante, Francisco fita firmemente os olhos de Pablo/Rhuan e depois passa as mãos sobre os olhos dele cerrando as pálpebras e novamente o induz ao estado letárgico e com muita firmeza, após alguns minutos de sugestão, consegue trazer Pablo de volta aos tempos atuais.
Passados esses momentos, depois de se refazerem do susto, Pablo perguntou Para Helena e Francisco o que havia acontecido, pois ele não se lembrava de nada, somente que começou a se sentir sonolento e depois “apagou”. Aproveitou e perguntou:
- E então, Francisco, vamos fazer a hipnose? Desculpe eu ter caído no sono, esse vinho me fez dormir.
Francisco e Helena se entreolharam como a acordar que não se faria mais experimento de hipnotismo naquele momento. Helena disse que não tinha acontecido nada fora do normal e que ele não precisava se preocupar, pois não tinha feito nada de errado e que o importante era eles aproveitarem esse momento juntos e que a brincadeira com hipnose ficaria para outra ocasião.






                                                       Otaviano Maciel de Alencar Filho

                                         (Copyright© 2019 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)    

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Paixão de adolescente







 


Ela estava apaixonada! Sim, definitivamente ela estava loucamente apaixonada. Mas... Como poderia uma garota de quatorze anos de idade se apaixonar tão intensamente, a ponto de se ausentar da sala de aula da 5ª série, durante as explicações da professora e ir até a sala da 7ª série e ficar de prontidão, encostada na porta e fitando o olhar para o garoto que ela estava interessada? Não, sinceramente não dava para entender, afinal, o garoto não demostrava nenhuma afeição por ela. Ela era uma adolescente de uma beleza exuberante. Tinha um sorriso encantador que deixava muitos meninos de “água na boca”. Mas, então por que aquele garoto, sua paixão, não estava nem aí para ela? No seu íntimo, ela não conseguia entender o porquê dele não se interessar por ela.
O ano letivo ia escoando e a paixão de Sônia por ele não diminuía. No mês de junho, por ocasião das festas juninas, a escola realizava a tradicional quadrilha. A garotada esperava ansiosa por esse momento. Era durante os ensaios das danças que muitos começavam a paquerar e até arranjavam um namoro. Aproveitando a ocasião, Sônia, que havia sido escolhida para ser a noiva da quadrilha, convidou Nilton, esse era o seu nome de seu amado, para ser seu parceiro de dança. Um tanto reticencioso Nilton aceitou o convite.  A partir daquele momento Sônia sentiu-se a pessoa mais feliz do mundo. Seu olhar vívido e brilhante não disfarçava o contentamento de estar tão próximo de seu grande amor. Os ensaios foram acontecendo nos dias seguintes sem que Nilton apresentasse sinais de interesse por ela.
Foi numa sexta feira à tardinha, durante um ensaio para a apresentação, que ocorreria no sábado seguinte, que Sônia veio saber o motivo de Nilton não dar muita atenção a ela. Terminada a apresentação os dois se afastaram do grupo e foram sentar em uma ponta de calçada existente bem próximo, e ali começaram a se entenderem de verdade. Nilton começou a falar e ela ficou escutando extasiada.
 - Sônia, me desculpe por todo esse tempo eu ter sido tão idiota e não “dar bola pra você”. É que... Sabe... Eu não sou muito de falar e... Bem... Deixa pra lá.
Sônia, nesse momento percebeu que Nilton era uma pessoa muito tímida e sem autoestima. Não se valorizava como pessoa, embora fosse uma pessoa muito inteligente.
- Nilton deixe de bobagens, eu admiro muito você. Na verdade eu queria que você namorasse comigo. - Disse ela com um sorriso extasiante.
Nilton deu uma risada meio sem graça e encabulado falou:
- Os outros meninos ficam gozando de mim, dizendo que você, uma menina tão bonita, está somente querendo tirar onda com a minha cara.
Não ligue pra isso Nilton, eu gosto é de você e isso basta.  Ah! Amanhã, depois da quadrilha vem comigo em minha casa, minha mãe fez pé de moleque e bolo de milho pra gente comer junto à fogueira. - Falou Sônia.
Nos dias subsequentes a esse acontecimento os dois passaram a se encontrar antes da aula e durante o recreio, o que deixou Sônia muito contente e ao que parece Nilton também estava feliz. Mudou muito o seu comportamento junto a Sônia. Poderia se dizer que ele também se apaixonou por ela. Andava animado, amenizou sua timidez e agora já assumia diante seus amigos, o namoro com Sônia. Se é que podemos chamar de namoro o relacionamento entre os dois, pois mais parecia uma amizade muito intensa, mas... Namoro de verdade... Não!
O ano letivo terminou e, por ironia do destino, nesse mesmo período, a família de Sônia mudou-se para outro bairro, bem distante de onde morava e ela teve de deixar a escola.
Passaram-se quase uma década sem que se vissem. Certa vez, quando Nilton descia a rua rumo a sua residência, foi parado por uma bela jovem, era Sônia, que sem deixar que ele falasse, disse:
- Nilton, o destino fez com que nós não ficássemos juntos.  Hoje me encontro compromissada, creio que você também, mas eu nunca me esqueci de você e lhe digo do fundo do meu coração: você foi e será a minha única e verdadeira paixão de minha vida.  Tirou do bolso da calça jeans que usava, uma fotografia de comemoração de seus quinze anos de idade e lhe deu, pedindo que guardasse com muito carinho. Nilton ficou extasiado sem saber o que fazer e quando ia falar ela lhe deu um abraço e um beijo bem afetuoso. Por alguns instantes ficou fitando seu rosto, que agora se encontrava marejado, para somente depois ir embora.
Nilton acompanhou o seu afastamento com lágrimas rolando pela face, afinal, também já estava comprometido com outra pessoa. Esta foi a última vez que os dois se encontraram.




                                                       
                                                    Otaviano Maciel de Alencar Filho

                                         (Copyright© 2019 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)         

terça-feira, 7 de maio de 2019

E assim caminha a humanidade...




                        



Dizem por ai afora que o fim do mundo está próximo. Muitas pessoas acreditam que, com todas as atrocidades que vivenciamos na atualidade, essa previsão parece ter um fundo de verdade. Algumas, até, já se preparam para o inevitável acontecimento. Não se sabe, porém, de que forma se dará o nefasto final da humanidade.
Informações publicadas por agências espaciais e astronômicas de grande respeitabilidade nos informam, quase que diariamente, que o planeta Terra pode a qualquer momento ser atingido por um meteorito, um meteoro ou qualquer fragmento de rocha que esteja circulando no espaço afora. Esse acontecimento já foi verificado em várias épocas, e a não ser o evento da grande extinção dos dinossauros, ocorrido a milhões de anos atrás, causado pelo impacto de um grande asteroide, outros que por aqui passaram desintegraram-se na entrada da camada atmosférica e outros tantos caíram nos oceanos sem causarem grandes prejuízos à humanidade. No entanto, em pleno século XXI, os profetas do apocalipse apostam todas as cartas disponíveis e, ancorados em informações científicas manipuladas e distorcidas intencionalmente, no afã de darem créditos as suas teorias duvidosas, não tardam em espalharem pelas redes sociais o pânico generalizado, informando datas precisas dos supostos acontecimentos. Que fique bem claro que não devemos refutar totalmente essas teorias, o que não padece dúvida é que as mesmas são eivadas de sensacionalismo e em muitos casos, fanatismo religioso. Ciência se faz por formulação de hipóteses, pesquisas experimentais e observacionais constantes e só depois vem o resultado final, que poderá ser mudado ou não com o passar do tempo se novos estudos apontarem que a hipótese atual é deficitária em um ponto ou no todo.
Recentemente no ano de 2012, foi anunciado o fim do mundo. Os prognosticadores baseavam suas crenças no calendário maia, que segundo eles encerrava oi ciclo da humanidade, portanto muitos cataclismos, incluindo tsunamis imensos iriam devastar boa parte da população mundial.  Toda essa tragédia seria devido à passagem de Nibiru, um planeta até então desconhecido da ciência, mas um velho conhecido dos povos antigos. O ano de 2012 passou e com ele se foi todo mau agouro imputado à humanidade. Contudo, segundo os pressagiadores, dessa vez, não passa de junho de 2019.
A mesma profecia volta com força total agora no início do ano de 2019. Outra profecia bem mais recente, porém, controversa, atribuída a Chico Xavier, é utilizada por muitos na tentativa de dar maior credibilidade às informações trazidas pelos adivinhadores. Tal profecia recebeu o nome de “Data Limite”. Segundo os seus defensores, Jesus teria se reunido com os dirigentes do comando espacial planetário no ano de mil novecentos e sessenta e nove e os mesmos teriam dado uma moratória de cinquenta anos aos terráqueos, para que os mesmos não entrassem em guerra nuclear. Caso a paz se estabelecesse até o ano previsto, a Terra entraria num período de muita abundância e avanços científicos surpreendentes poderiam ser observados. Se acontecesse o contrário o planeta entraria em uma fase de retrocesso em se tratando de progresso nos mais variados setores da sociedade.
Teorias malucas sem lógica científica têm sido feitas desde tempos remotos na tentativa de explicar o final dos tempos, afinal, tudo que começa tem fim!
Quando me perguntam se acredito nisso ou naquilo, e por que as coisas são assim, respondo com toda sinceridade: Acreditar ou não acreditar não é o cerne da questão, mas, se crer ou não crer fará diferença para os que creem e não creem se essas catástrofes realmente acontecerem. Se fizer, em que sentido se poderá entender essa afirmação?
Se me perguntarem se as profecias ainda terão lugar no imaginário da humanidade, com os constantes avanços tecnológicos e científicos, limito-me a responder:
Só sei que sempre foi assim no passado. Nos tempos atuais é assim. E como não sou profeta para vislumbrar o futuro e saber se realmente o mundo vai acabar agora em 2019, apenas arrisco a dizer que provavelmente será assim até o mundo não acabar!




                                 Otaviano Maciel de Alencar Filho

         (Copyright© 2019 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Que pesadelo de viagem!...




 

O sonho de conhecer uma grande metrópole e poder desfrutar de tudo o que uma cidade grande pode oferecer a um cidadão, levou Aristides a programar uma viajem a terra da garoa: São Paulo.
Eram idos da década de oitenta do século passado e a grande metrópole, hoje já uma megalópole, atraia para seu seio pessoas de toda a parte do país e mesmo do estrangeiro.
Tendo juntado umas economias, Aristides resolveu colocar em prática o seu grande desejo e, então, começou os preparativos para a viagem. Teria primeiro que ir até uma agência de viagens para adquirir a passagem de Fortaleza para São Paulo, e assim ele fez.
Era sexta feira, quando ele foi até a rodoviária comprar a passagem. O tempo estava fechado com grandes nuvens carregadas, indicando que em breve iria cair um toró. Mas isso não o desanimou e mesmo assim, debaixo de forte chuva, tomou o coletivo e foi direto para a rodoviária interestadual. Chegando ao guichê de atendimento, falou:
- Bom dia, gostaria de uma passagem para São Paulo, quanto custa e quais os dias e horários disponíveis? Ah, tenho pressa na viagem!
A jovem, de imediato, lhe prestou as informações solicitadas.
- Muito bem, quais as poltronas disponíveis?
- Disponho de vagas somente para a próxima semana, mas, como o senhor disse ter pressa em viajar, tenho para sábado, amanhã, um ônibus saindo às nove horas da manhã e tenho vaga, por desistência de dois passageiros, nas poltronas de números quatro e quarenta e seis, qual delas o senhor deseja?
Depois desta informação, Aristides começou a pensar consigo mesmo e se perguntava o porquê de haver uma vaga disponível logo em uma poltrona que raramente ficaria disponível, já que algumas pessoas a reservam por dar uma visão privilegiada do trajeto durante a viagem. Quanto à poltrona de número quarenta e seis ele decidira não ficar nela, pois ficava próximo ao banheiro e em uma viagem que duraria cerca de dois dias e meio, não era conveniente, pois o entra e sai do banheiro seria constante e o odor exalado do mesmo não é nada agradável. Sem externar o desejo de saber o motivo da poltrona está disponível, manifestou a vontade de ficar com a de número quatro.
No dia seguinte, sábado, Aristides chegou à rodoviária com meia hora de antecedência e dirigiu-se à plataforma onde o ônibus estacionaria. Faltando quinze minutos para o horário de embarque o ônibus estacionou e os passageiros começaram a embarcar. Aristides deixou a maioria dos passageiros entrarem no veículo, para, somente depois, subir.
Dentro do ônibus, de imediato localizou o seu assento e observou que o passageiro da cadeira ao lado, a de número três, ainda não havia chegado. Já eram nove horas e só faltava esse passageiro. Passado cerca de dez minutos o motorista desceu do ônibus e foi conversar com o funcionário da empresa, para saber se poderia dar início à viagem, pois já estava atrasado. Foi, então, orientado a aguardar mais cinco minutos, se o passageiro não chegasse poderia dar início a viagem.
Passaram-se cinco minutos e nada do passageiro aparecer. Então, subiu no veículo sentou à direção. Quando fechou as portas, e deu partida no ônibus, apareceu um senhor magérrimo batendo desesperadamente na lateral do veículo. O chofer imediatamente estancou o carro e abriu a porta.
- Motorista, por favor, espere um pouco, minha esposa tem passagem comprada para esta viagem, e, apontando para uma senhora que lhe seguia, trazendo junto uma menininha de colo, solicitou que o mesmo aguardasse enquanto ela se aproximar do ônibus, de vez que ela sofria de obesidade.
Aristides quando viu a mulher ficou desesperado. E não era para menos: a mulher parecia um guarda-roupa, de tão gorda que era. Subir no veículo foi uma dificuldade, quase não passa na porta. Quando foi sentar na poltrona, foi necessário que ele se levantasse para dar passagem. Quando a mulher sentou precisou levantar o encosto do braço, ocupando a poltrona dela e metade do seu assento. Sentada, colocou a pequena criança no colo. Aristides, atordoado, assistia tudo sem entender o que estava se passando. Tomou coragem e falou:
- Senhora, onde eu sento agora?
A mulher, envergonhada e sem saber o que dizer ficou calada.
- A senhora tem que baixar o encosto do braço para eu poder sentar. - Disse Aristides, um tanto zangado.
- Não dá, vai ficar muito apertado. - retrucou a mulher.
Aristides, já perdendo a paciência falou:
- E eu com isso, a senhora deveria ter reservado as duas poltronas, não vê que não cabe em uma só?  Vamos dê seu jeito!
A mulher se espremeu junto à janela do ônibus e rapidamente Aristides baixou o encosto e sentou. Não resolveu muita coisa, pois os braços da mulher estavam lhe incomodando. As pernas dela tomavam todo o espaço da parte de baixo das cadeiras, isso sem falar da menina em seu colo, que dificultava mais ainda a situação. Definitivamente Aristides estava muito chateado.
O ônibus seguiu viagem. Só depois de acalmar-se e “esfriar” a cabeça, ele começou a montar um quebra cabeças, lembrando-se de quando foi comprar a passagem o assento que ele ocupava não havia ainda sido vendido. Pensou ele: Será que a atendente do guichê sabia e não me avisou? Não, não tinha como ela saber. Mas como esta poltrona ficou sobrando? Perguntava-se. Depois de algum tempo resolveu iniciar uma conversação amistosa com a mulher.
- A senhora vai para São Paulo, ou vai ficar no caminho, em outra cidade?
- Vou para São Paulo, meu esposo vai fazer um treinamento de cinco dias em uma empresa da capital paulista. – Sentenciou.
Nesse momento Aristides ficou desconsolado. Ter que aguentar um sufoco desses por mais de dois dias seria infernal. Contudo continuou a conversa.
- Ah, então aquele senhor que veio deixar a senhora na rodoviária é seu esposo?
- Sim, ele iria de ônibus também, mas de última hora resolveu ir de avião, porque não chegaria a tempo de participar do treinamento, caso viajasse de transporte rodoviário. – respondeu a mulher.
Nesse momento Aristides completou a montagem do quebra cabeças: O assento em que ele estava com certeza era o que estava reservado para o marido dela. Mas que azar, pensou consigo!
O ônibus seguiu o caminho, “rasgando” as estradas nordestinas, rumo ao sudeste do país. Calor sufocante, já que o transporte não tinha ar condicionado. Curva vai e curva vem e a mulher também vem apertando Aristides de encontro ao descanso do braço da poltrona no lado do corredor. Depois de quase dois dias de viagem, sem dormir direito, veio o alívio: alguns passageiros, que ficariam nas cidades no meio do trajeto, começaram a chegar a seus destinos. Aristides, então, pode se livrar desse transtorno, pois passou para uma das poltronas que haviam sido desocupadas. Somente assim pode ter sossego até o término da viagem.
Depois deste acontecimento nunca mais Aristides comprou passagem sabendo que era de desistência de alguém.




                                                           Otaviano Maciel de Alencar Filho
         (Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Fiat lux








Haja luz!
E o som celestial
Como em uma orquestra colossal
Ferindo os tecidos espaciais
Em matizes infindáveis!
E as nebulosas em contorcionismo fenomenal
Dançando em ritmo acelerado
Deram início ao “sem começo e sem fim”!E o tempo... Sem tempo!
Sem trégua!
E em cada canto sem canto
O canto se fez presente
Inundando o ausente/presente!
E os sois resplandeceram
Nas turvas imensidões!
E os mundos foram surgindo!
E a poeira estelar no infinito se dissipou
Nos espaços sem fim!
E o eterno recomeça
Em cada canto sem canto!
Contínuo parafuso sem fim...




                                                     Otaviano Maciel de Alencar Filho
(Copyright© 2018 by Otaviano Maciel de Alencar Filho)

Mentiras e mais mentiras

                                         Atualmente vemos ordinariamente na imprensa escrita assim como nas mídias digitais, infor...