quinta-feira, 20 de junho de 2013

Atroz sofrimento





O que canto me faz dormir.
O que vejo me faz sentir.
O que sinto me faz viver
Um sonho que me faz sofrer.

Quando durmo, no sonho fico a recordar.
Quando sinto fico a pensar.
Enquanto vivo fico a fingir,
E do sofrimento fico a fugir.

Da vida não quero nada
Além do viver tão bem.
Também desejo alegrias
A todos que vivem além.

Sofrer não é o mal pior a enfrentar.
Pior é não sofrer e no mal caminhar.
A dor visita sempre o doente
Que o caminho do bem rejeita trilhar!



Otaviano Maciel de Alencar Filho

sábado, 18 de maio de 2013

O bêbado e o motorista


               
Quando o coletivo deixou o ponto final, no centro da cidade, para iniciar nova viagem, logo no início da manhã, rumo ao subúrbio, levando em seu interior aproximadamente quinze passageiros, ninguém poderia imaginar o que sucederia a partir daquele instante.
Alheios aos acontecimentos do porvir, os passageiros, cada qual em seu mundo interior, exceto um senhor de meia idade que se encontrava sentado em uma poltrona, no canto esquerdo da traseira do veículo, que, aliás, apresentava visíveis sinais de embriaguez, ignoravam a beleza da exuberante vegetação, composta de árvores centenárias, dentre as quais se podiam identificar magníficos Ipês Amarelos e Roxos.
O cobrador do coletivo, de sua poltrona, observando atento o homem sentado no final do ônibus, e percebendo que o mesmo se encontrava ébrio tratou de ficar quieto em seu lugar e esperar até ele resolver passar pela roleta e seguir seu destino, afinal ele não estava incomodando.
Subitamente, o homem arregala os olhos e depara-se com o cobrador olhando para ele e pergunta com voz estridente:
- Tá olhando o quê, nunca viu um homem embriagado?
                        - Nada, apenas estou vendo se está tudo bem com o senhor! - Respondeu.
- Claro que está tudo bem, o que poderia estar errado comigo? Só porque tomei uns goles a mais preciso de cuidados especiais? Falou com uma voz arrastada.
                        - O senhor não entende o que digo. Quero dizer que na situação em que se encontra, pode sofrer um acidente, caso o motorista precise brecar repentinamente o veículo. - Falou em tom amistoso para não irritá-lo.
                        - Você tá de brincadeira comigo. Esse carro parece uma tartaruga andando, já faz um tempão que eu deveria ter chegado a minha casa e nada. - Falou debochando.
Os passageiros saíram da inércia sensorial em que se encontravam e assistiam ao diálogo sem se envolverem no caso. O motorista, pelo retrovisor interno, passou a acompanhar a movimentação nos fundos do veículo e pôde escutar toda a conversação. Sentindo-se ferido no orgulho, tratou de mostrar perícia no volante e “sentou” o pé no acelerador.
O ônibus desceu ladeira abaixo velozmente. Os passageiros, apavorados, gritavam e pediam ao motorista para ir mais devagar. O condutor, porém, estava ensandecido e sequer ouvia os clamores dos passageiros.
- Até que enfim o chofer resolveu tirar o pé do freio. - disse o homem, bradando, e dirigindo a palavra aos passageiros.
- Não sei qual o mais louco dos dois, o senhor ou o motorista. - Falou uma senhora, que trajando um jaleco branco, se agarrava ao ferro da poltrona a sua frente, para não ser arremessada no soalho do ônibus.
- Então, não quer chegar cedo a sua residência?  A senhora passou a noite trabalhando no pronto socorro, não foi? Está com sono, pensa que não a observei tirando um cochilo na cadeira? – Concluiu, adiantando-se até a roleta.
- Desse jeito, meu senhor, vou chegar cedo é no céu!- Respondeu a mulher, apavorada.
O motorista, observando que o homem havia levantado do banco, sem se importar com a segurança dos passageiros brecou bruscamente o veículo. O homem, atravessando a roleta, foi arremessado no piso do carro e saiu rolando até a dianteira do coletivo detendo-se próximo ao motorista, que esbraveja:
- Então, engraçadinho, tá querendo briga?
- Não, senhor, o que quero agora é ir para um hospital. Estava só me divertindo um pouco, coisa de bêbado. Não pensei que fosse levar a sério esta brincadeira - Falou o homem, agonizante, que apresentava um corte no supercílio esquerdo, que sangrava bastante, um hematoma à altura da nuca, além de várias escoriações pelo corpo. Alguns passageiros também sofreram escoriações, porem, leves.
A passageira, auxiliar de enfermagem, aproximando-se, tratou de acalmá-lo, comprimindo a área afetada pelo corte. Levantando o olhar para o condutor do ônibus, falou:
- Veja só o que uma pessoa com raiva é capaz de fazer. Se não tivesse dado ouvidos aos seus reclames, isto não teria acontecido. O senhor também esquece que pôs em risco a vida de todos dentro do coletivo, inclusive a sua?
- Ora, bolas, não tenho “sangue de barata”. Ele precisava de uma lição.
- Por acaso o senhor acredita que um erro conserta o outro? Eu respondo que não. Observe agora a situação: Um homem ferido, precisando de cuidados médicos com urgência; e ademais, você poderá responder processo por lesão corporal dolosa.
Nesse momento, o motorista refletiu sobre sua atitude, e um tanto embaraçado não conseguia esconder o sentimento de vergonha que se apossava de seu ser, enquanto os passageiros dirigiam-lhe palavras de desaprovação a sua conduta.
- Vamos leva-lo imediatamente ao hospital- Disse o mesmo. É o mínimo que posso fazer, por enquanto!
Os passageiros desceram do coletivo, aguardando outro para prosseguirem a viagem.
O condutor, tomando a direção do ônibus, acelerou abruptamente o coletivo que saiu, “cantando pneu”, rumo à emergência hospitalar mais próxima, levando consigo a profissional de enfermagem e o homem ferido!


Otaviano Maciel de Alencar Filho

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Soneto da esperança







O sonho do agora se findou, destarte.
Jaz a esperança no seio escarlate.
Da prole, o levante estandarte
Almeja o esplendor: “Quilate”.

Quimeras já não vingarão.
Lúcido fulgor espargirá.
De o insano poder surgirá
As ruínas de atroz coração.

Bravas cortes surgirão reluzentes,
Ante o fim do renitente,
Envolvidas pelo onisciente.

Murmúrio argênteo vivaz
Traz-nos valor eficaz:
A felicidade que satisfaz!




                                    Otaviano Maciel de Alencar Filho

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Humor a todo custo







O som emitido pela sirene anunciava o fim do expediente. A turma que trabalhava no setor de controle de estoque aguardava ansiosamente o momento em que o gerente caminhava até o local onde estava instalado o dispositivo que acionava o estridente artefato sonoro.
 O motivo de tamanha expectativa se dava por ser final de semana: sexta-feira, dia de “curtição”.  Formávamos um grupo de pessoas e íamos até o centro da cidade, onde ficavam localizados alguns bares e casas de espetáculos de humor. Para ser mais preciso, o nosso ponto de encontro era o antigo calçadão C. Rolim, referência feita ao conjunto de lojas de calçados e confecções, de propriedade do grupo C. Rolim onde eram realizadas as apresentações artísticas.
                         As calçadas ficavam lotadas de mesas e cadeiras, que eram colocadas pelos comerciantes, na busca de ganharem a preferência dos frequentadores do local nos finais de semana.  
Em meados da década 1980, era comum a apresentação de humoristas cearenses, que estavam iniciando suas caminhadas rumo ao estrelato, em praças públicas, calçadas ou qualquer outro lugar onde houvesse aglomeração de pessoas.  Cantores, humoristas, palhaços, prestidigitadores e outros artistas faziam suas apresentações e, naturalmente, eram ovacionados pelo publico presente.
Naquela sexta-feira deixamos o local de trabalho, e contentes por haver chegado mais um final de semana, caminhamos até o ponto de ônibus mais próximo comentando sobre as atrações que logo mais iríamos assistir. A programação desta sexta-feira contava com a apresentação humorística de vários artistas da terra. O coletivo aporta, enquanto ainda falávamos sobre a diversão que iríamos ter. Adentramos o veículo que logo seguiu rumo a Praça José de Alencar, ponto final da linha de ônibus. Descemos e caminhamos pela Rua Guilherme rocha e no cruzamento com a Rua Senador Pompeu decidimos dar uma passada pelas Lojas Americanas e comprarmos algumas guloseimas
 No magazine, fomos até a seção de cereais e pegamos alguns biscoitos. Enquanto isso, Marcio foi até a seção de perfumaria. Resolvi segui-lo. Ao chegar ao local observei que ele estava experimentando um desodorante. Percebi que ele estava se perfumando e aproveitando a oportunidade dos fiscais não estarem por perto. Evidentemente sua atitude não era lícita. Mas... Quem nunca foi ao supermercado e na seção de perfumaria não “passou” um pouquinho de loção no punho para sentir o aroma do perfume? Pois bem, aproveitei também o “embalo” e fui experimentando os desodorantes, sempre atento aos fiscais, pois eles não deixavam abrir os frascos.
Num misto de ansiedade e temor em não ser flagrado, tomei em minhas mãos um spray e levei-o até a altura do pescoço, sempre olhando para os lados. Premi o frasco e senti uma coisa gelada em meu pescoço. Ignorei. Afinal todo desodorante em aerossol é “geladinho”.
Sai do estado em que me encontrava, com meus colegas dando gargalhadas e apontando para mim.
Quando olhei para baixo fiquei mais apavorado do que estava: o frasco que estava em minhas mãos não era de desodorante, mas de creme para barbear. Imediatamente larguei-o e passei a retirar grande quantidade de espuma que se alojara sob meu queixo descendo pescoço abaixo indo de encontro à camisa de cor vermelha que estava usando. E agora, como sair daquele local sem ser visto. Se fosse pego iria parar em uma saleta com uns grandalhões, levar uns bofetões e ainda pagar pela mercadoria!
Abruptamente, sem pestanejar, sai de “fininho”, buscando a saída, enquanto os três “amigos da onça” continuavam a me ridicularizar. Saindo da loja fui até a Praça do Ferreira com Jorge me acompanhando. Ficamos aguardando a chegada de Márcio e Orlaneudo, que foram pagar os biscoitos. Enquanto isso esperava secar a mancha branca que ficou em minha camisa.
Quando chegaram não pararam de gozar com o acontecimento. Um tanto bravo, bradei:
– Então não vão parar de dar risadas, afinal de contas o espetáculo é mais adiante.
 Alguns minutos depois descemos rumo ao calçadão para ali sim, darmos boas gargalhadas.
Quando chegamos o show já havia começado. Os comediantes animavam a platéia. O interessante é que, sem tirar o mérito dos artistas, notei que meus colegas nunca riram tanto quanto naquela noite. Acredito que por algum tempo eles conservaram em suas mentes as cenas do episodio ocorrido minutos atrás.
O importante foi que me diverti bastante... e eles mais ainda!   




                Otaviano Maciel de Alencar Filho




História de pescador





A garotada eufórica brincava animadamente em frente as suas residências. O período matutino, agraciado pela brisa advinda do litoral, era propício a realização de brincadeiras que exigiam maiores esforços físicos, como: esconde-esconde e pega-pega.
Antonino, o caçula da turma, encontrava dificuldades em correr, pois não contava com a habilidade da qual seus coleguinhas eram portadores, uma vez que sofria de uma deficiência na perna direita, devido a uma fratura femoral adquirida, por ironia do destino, em um desses momentos de diversão entre os amigos.
Enquanto suas mães, rendeiras, sentadas na calçada, teciam os fios de algodão, na confecção de roupas e toalhas das mais variadas espécies, seus esposos, pescadores, despediam-se, indo de encontro ao mar, na busca do sustento para a família.
Antonino ao ver o pai passando por ele, com a rede de pesca sobre os ombros, falou:
- Pai, vê se dessa vez traz pra mim um peixe bem “grandão”.
- Tudo bem, filho. O mar desta vez está prá peixe! – Respondeu, sorrindo.
- Não precisa ficar preocupado guri, afinal não é a toa que teu pai é apelidado de “Zé do Peixe” - Falou Antonio, tio do menino, tranquilizando-o.
As embarcações já os esperavam na praia. O encontro com os outros pescadores foi animado.
Antes de adentrarem nas embarcações, deram-se as mãos, e fizeram sentida oração, pedindo a proteção de São Pedro, padroeiro dos pescadores.
As balsas singraram o mar, deixando para trás familiares e amigos dos aventureiros marítimos, que foram até a praia despedirem-se.
Após algumas horas, já em alto mar, as jangadas afastam-se, cada qual indo a direções diferentes, para logo lançarem as redes ao mar, na esperança de que ao serem recolhidas, estas estejam repletas de peixes.
A Jangada em que Zé do Peixe estava era compartilhada por Antonio e seu filho. Eles haviam lançado as redes mar adentro algumas vezes, no entanto, nada de peixes em quantidade, apenas algumas lulas, e uma espécie de peixe sem grande valor comercial. A noite sucede o dia e a tarefa dos pescadores continua em plena execução. A escuridão da noite somente é diminuída devido à luz da lua e das estrelas, além de pequeno candeeiro utilizado para iluminar o ambiente em que se encontravam.
Zé do Peixe acorda com seu irmão que irá tirar um cochilo, enquanto ele e seu filho ficam atentos as ocorrências na jangada, e que logo depois será a vez de outro descansar um pouco.
Recostando a cabeça próximo a um samburá, Zé logo adormece... E sonha...
- “Vamos pessoal, deixem de moleza, não é todo dia que aparece um grandão desses, não! Mais para o lado. Joguem a rede para cá, rápido. Pegamos, pegamos, é isso pessoal. Vamos, puxem a rede. Força. Este é dos grandes! Vixe Maria, é muito grande, não vai dar para colocar na jangada. Segurem com força que ele ta querendo escapar. Ah, mas não vai escapar mesmo! Não adianta se debater, você não vai fugir. Ai, danado, solta a minha mão. Corre Tonho, vem me ajudar a soltar minha mão da boca deste “peixão”. Estamos afundando, valha-nos São Pedro.”
- Acorda Zé. Tu estás tendo um pesadelo, homem. – Disse Antonio, tentando acalmar o irmão que se debatia em agonia.
Ainda sem recobrar a lucidez, Zé inquire:
- O que aconteceu. Cadê o “peixão”, para onde ele foi?
- Calma Zé. Você teve um pesadelo, só isso!
Sentindo desconforto em uma das mãos que estava dentro do bolso do agasalho que estava vestindo, Zé puxou a mão de dentro da blusa e a retirou junto com um peixe que estava agarrado nela. Talvez tenha pulado para fora do samburá, indo encontrar alojamento dentro de suas roupas!
- Zé, um peixinho como este fez tudo isso com você, imagine um “grandão? – Falou o irmão, caçoando do pobre infeliz.
- Não brinca Tonho. Vai ver foi um aviso. Já estou bem. Vamos continuar o trabalho. Alguém quer descansar um pouco? - Perguntou.
Pai e filho responderam - Não, não estamos com sono!
- Então, mãos a obra. Redes para o lado direito. - Finalizou.
Assim foi feito, e ao puxarem a rede, que surpresa!   A rede veio abarrotada de peixes e entre eles um “grandão” veio junto. A alegria tomou conta geral. Novamente as redes foram lançadas e mais peixes foram apanhados.
Já amanhecia e enquanto preparavam o retorno a praia, Zé, meio sem jeito, pediu para que não comentassem sobre o episódio do pesadelo, afinal não ficava bem um pescador tão respeitado ter dado um vexame destes.
- Por que a preocupação, Zé? Mesmo que esta história escape, sem querer, nos botecos da vida, enquanto jogamos conversa fora, quem vai acreditar? Vão dizer que é história de pescador! – Falou Antonio, sorrindo e abraçando o irmão.



Otaviano Maciel de Alencar Filho

sábado, 22 de dezembro de 2012

Antes do fim do mundo




               



O ano de 2012 inicia-se trazendo com ele a expectativa de dias melhores. Rumores de que o ano que se inicia será marcado por inúmeras calamidades não são suficientes para que a maioria da população do mundo faça coro com uma minoria que, de tempos em tempos, surge trazendo revelações catastróficas acerca do fim da existência humana no planeta em que habitamos.
O imaginário profético dessas criaturas é rico em detalhes em relação à hecatombe prevista para o final dos tempos.  Desde a passagem de um astro gigantesco que perambula pela nossa galáxia, que alguns o denominam “Nibiru” ou planeta “X”, que com sua proximidade com a terra deslocaria o eixo terrestre, verticalizando-o e promovendo catástrofes inimagináveis pelos seres humanos a terremotos e consequentemente tsunamis, que varreriam quase a totalidade dos seres viventes da face do planeta. Contudo, pequena parcela da população não precisaria se preocupar, pois naves interestelares do comando galáctico de nosso sistema estariam de prontidão, abduzindo os “escolhidos” e levando-os a outros orbes, onde continuariam suas “missões”.
Nos dias atuais, o fim do mundo ganha maior notoriedade devido a uma profecia atribuída aos povos maias. Segundo os profetas de plantão, os indícios do trágico fim estariam registrados no calendário maia, que tem seu fim no dia 21 de dezembro do corrente ano.
                      Os maias creditavam ao tempo o fator cíclico, dessa forma os acontecimentos naturais terrestres e celestiais eram registrados em calendários que obedeciam a uma contagem cíclica e periódica. Assim, de tempos em tempos um novo ciclo iniciar-se-ia. O ano que ora estamos vivenciando é, pois, segundo a cronologia maia, o final de um desses ciclos. Embora especulações variadas em torno do assunto, feitas por pseudo-sábios, afirmem que 2012 será um ano em que ocorrerão abalos sísmicos em grande parte da Terra, ocasionando tsunamis com ondas gigantescas invadindo as terras mais baixas e inundando os continentes, nada disso é corroborado nos escritos maias, de vez que ali somente é relatado o final de um ciclo e o começo de outro, ficando tudo mais o que for dito a respeito creditado à imaginação de formadores de opinião que, sem nenhum escrúpulo, aviltam a própria consciência, levando suas teorias sem fundamentação histórica, antropológica, sociológica e das demais ciências em geral a seus incautos seguidores que se permitem as mais diversas influenciações, muitas vezes perniciosas ao bem estar e a manutenção da ordem pública e social.
Não é de hoje que os “Profetas do apocalipse” intentam êxito nos prognósticos feitos em relação à ordem natural dos acontecimentos.
O fim do mundo já foi dado como certo em várias épocas no passado, decepcionando adivinhadores que, não se dando por vencidos, mudavam periodicamente as datas da provável extinção planetária.
 Lembro-me de que quando era criança, ouvia minha avó materna afiançar o fim do mundo para breve, e que dessa vez o mesmo acabaria em chamas, de vez que no passado o mesmo já havia acabado com água. Fazia alusão ao dilúvio bíblico. Dizia também que o mundo não chegaria ao ano 2000. Infelizmente ela não viveu o suficiente para ver a chegada do terceiro milênio.
Enfim, ultrapassamos mais uma barreira místico-temporal e nos encontramos no fatídico ano de 2012, mais precisamente no dia 18 de dezembro, e enquanto escrevo estas linhas fico a imaginar como será a noite do dia 20 para o dia 21.                                                                                                  
Será que as pessoas conseguirão ter uma noite e um despertar tranquilos? E no decorrer do dia 21 teremos um dia normal com pessoas indo às compras as vésperas do natal?
Enquanto refletia sobre o assunto, lembrei-me de um colóquio que tive com alguns colegas de trabalho, dias atrás:
- O que vocês pensam sobre a estória do fim do mundo para o próximo final de semana?  Perguntei.
- Não acredito nisso, é só mais um meio de enganar o povo e tirar a atenção das barbáries que são impostas aos povos menos favorecidos. – Respondeu Álvaro, rispidamente.
- Sei não... Vai que de tanto marcarem o final dos tempos, dessa vez o fato se consuma e ai nem comemoraremos o Natal e o réveillon.  Que tal celebrarmos as duas datas na noite do dia 20? – Indaguei, brincando, e esperei a sua reação.
Qual não foi minha surpresa com sua resposta:
- De minha parte, sinto muito, não vai dar.
- Não, por que não?- Tornei a perguntar.
- Estou “duro”, não tenho dinheiro para arcar com o rateio das despesas com a alimentação e as bebidas. – Respondeu de imediato.
- Mas o pagamento do mês vai ser antecipado e não vejo motivo para você não participar. – Falei, tentando “tirá-lo de tempo”.
- Está sabendo qual vai ser o dia do pagamento? – Dirigiu-me esta pergunta, demonstrando sarcasmo no falar.
- Não! – Respondi.
- Dia 21 de dezembro. – Finalizou!




                                  Otaviano Maciel de Alencar Filho

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sou Assim





 
Meio triste, meio contente.
Às vezes meio ausente!
Diferente de muita gente.
Talvez seja um dissidente!

Pessoas há que gostam de mim.
Outras nem tanto assim!
Nem sempre digo que sim,
O não também tem seu fim!

Perscrutador, exímio observador!
Agindo tal qual viajor.
Buscando na vida o labor,
Sem desdenhar seu valor.

                                                            Assim vou vivendo sem dor,
                                                            Sem traumas e sem temor!
                                                            Cantando com muito fervor,
                                                            Frases que lembrem amor!



                                                        Otaviano Maciel de Alencar Filho

Mentiras e mais mentiras

                                         Atualmente vemos ordinariamente na imprensa escrita assim como nas mídias digitais, infor...